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2023 pode ser um dos melhores anos da Bolsa Brasileira

Investimento de renda variável é para o longo prazo. Bolsa você compra quando está barata sem olhar tanto para o cenário macro

Mais um passo para o fim da pandemia.

Pelo menos essa foi a sensação que tive na última terça (22) quando visitei um gestor que admiro muito. Foi a minha primeira reunião presencial no escritório de um gestor desde o início de 2020.

Aproveitei uma viagem do Bruno Mérola (que lidera a equipe de analistas de fundos da Empiricus) e fiz um bate-volta para o Rio, com o intuito de apresentá-lo formalmente e pessoalmente a esse gestor, com quem já me relaciono há quase 15 anos.

Vou manter o nome do gestor em sigilo por enquanto, porque acredito que o Bruno, em breve, deve falar também sobre essa reunião e recomendar o investimento nos fundos da casa. Então não quero estragar a surpresa…

Também não vou falar dos preços astronômicos das passagens! Quer sentir na veia o impacto da inflação, especialmente nos preços de energia? Então pesquise os preços da ponte aérea para o Rio. Quase mais caros que o pão de queijo na área de embarque de Congonhas…

Bom, vamos ao que interessa.

A conversa começou da melhor forma que um reencontro depois de anos de pandemia poderia ser. O gestor entrou na sala, Bruno e eu nos levantamos para cumprimentá-lo e a primeira frase dele foi: “Jojo, eu vou te dar o nome do shampoo que eu estou usando para escurecer o cabelo, uma maravilha”. Pelo visto ele percebeu que os meus cabelos ficaram mais grisalhos nos últimos anos (mas também, com esse mercado…).

A espontaneidade do comentário reflete não apenas a objetividade do gestor e sua atenção aos detalhes, mas também o conforto de uma relação “gestor-alocador” de longa data.

Atualizei-o rapidamente sobre a Vitreo e a Empiricus, com números de clientes, ativos sob gestão e os novos desenvolvimentos e projetos para o futuro. Depois entramos direto para falar de mercado.

O gestor, um clássico analista fundamentalista de ações, logo cortou o papo sobre cenário. Sim, ele tem opiniões muito claras sobre eleições, juros aqui e lá fora, inflação, guerra. Mas são opiniões e ele não sabe o que de fato vai acontecer no futuro. E isso não importa.

Como assim, não importa? É isso mesmo. Não importa. O trabalho dele é analisar empresas e escolher aquelas que julga serem boas oportunidades de investimento para o longo prazo. Projetar onde estará a taxa de juros, ou a inflação, não entra nessa conta, nem nas tarefas deste gestor.

Até brincamos sobre isso. Ele participou de um painel com outros dois gestores de ações no CEO Conference do BTG em fevereiro passado, no qual a maioria das perguntas era sobre o cenário econômico. Comentamos como era nítido o desconforto dos participantes do painel com um assunto que não faz parte do dia a dia de um analista de ações.

Ajustamos o rumo da conversa para falarmos sobre as ações no portfólio e sobre a percepção dele com o momento que estamos vivendo. E aí veio a principal mensagem, que quero dividir com você.

Desde meados do ano passado, temos acompanhado um grande movimento de saída de recursos dos investidores brasileiros (especialmente as pessoas físicas) da renda variável para a renda fixa.

Literalmente, investidores vendendo ações ou resgatando pesadamente de fundos de ações e usando os recursos para investir em CDBs, LCIs, LCAs, LIGs agora com taxas de retorno atraentes (como o CDB Master prefixado de 2 anos pagando 14% ao ano que está na plataforma da Vitreo).

Esse movimento de fuga da renda variável, inclusive, empurrou o preço de muitas ações ainda mais para baixo, e ajudam a explicar o retorno negativo do índice Ibovespa no ano passado.

E ainda não terminou. O retorno positivo do Ibovespa desde o início do ano está mais relacionado aos principais papéis do índice (Petrobras e Vale) pela sua ligação com a alta dos preços das commodities do que a recuperação dos preços da maioria dos papéis da bolsa.

E você quer saber o que esse gestor fez nesse período?

Ele ligou para os seus investidores no final do ano passado e falou para mandarem mais dinheiro para o fundo. “Poucas vezes na história do fundo (mais de 14 anos) eu fiz isso”, confidenciou para nós.

As ações estão muito baratas, as oportunidades de investimento muito claras. Mais tarde na conversa ele ainda completou: “2023 pode ser um dos melhores anos da bolsa brasileira”!

Os clientes desse gestor são em sua maioria estrangeiros, clientes institucionais como endowments de universidades e grandes investidores. Isso dá tranquilidade para ele olhar às oportunidades com um horizonte de longo prazo, sem se preocupar com o ruído, o vai e vem das janelas de tempo mais curtas.

investimentos

Nem todos os gestores têm esse privilégio em seus fundos. Aqueles cuja maioria dos clientes são investidores brasileiros, sofreram justamente o efeito contrário. Tiveram que abandonar algumas teses e deixar passar oportunidades de investimento porque o passivo (os clientes) dos seus fundos não estava alinhado com a visão de longo prazo.

Nesse ponto, aprofundamos a conversa sobre o comportamento da pessoa física na bolsa.

A narrativa recente que tomou conta do mercado é a de que a nova onda de pessoas que chegou na Bolsa nos últimos tempos, batendo recorde de CPFs, veio mais instruída sobre investimentos. Exemplo disso foi o “bom comportamento” no início da pandemia (no 1º semestre de 2020), quando o investidor pessoa física teria se segurado durante a queda forte de março e com isso sido recompensado com a forte recuperação nos meses seguintes.

Minha opinião é de que essa narrativa está errada.

A pessoa física não se comportou bem em 2020. O investidor geral sequer teve tempo de reagir frente à velocidade e agressividade das quedas de março daquele ano. Eu diria mais. Quando o investidor, assustado, se deu conta do que estava acontecendo, o mercado já estava de volta.

E quando veio a queda do ano passado, sete longos meses desde o início de junho/21 até o início de janeiro desse ano (07/06/21 até 05/01/22 se você quiser as datas precisas), o investidor correu, não aguentou e foi embora.

Verdade que nesse período, diferentemente de 2020, as altas taxas de juros, estampadas nos produtos de renda fixa, ajudaram a criar um campo gravitacional que contribuiu para empurrar o investidor nessa direção com os seus investimentos.

Mas a conclusão não muda.

O investidor pessoa física, que assumiu ter um perfil mais arrojado enquanto as taxas de juros estavam baixas e a bolsa subia, de repente mudou de perfil e “fugiu” para a renda fixa no primeiro soluço mais longo.

Enquanto isso, os clientes do gestor que eu visitei, assim como muitos outros investidores estrangeiros, têm direcionado seus recursos para a Bolsa brasileira, que neste ano já sobe mais de 13% (até 24/03). O fluxo de estrangeiros é nitidamente contrário ao fluxo de recursos dos investidores pessoas físicas brasileiros.

Espero que tenha ficado claro por que eu fiz questão de dividir com você o que eu ouvi nessa conversa com esse gestor que eu admiro muito.

Investimento de renda variável é para o longo prazo. Bolsa você compra quando está barata sem olhar tanto para o cenário macro. E no longo prazo você ainda captura não apenas os ganhos, mas também o benefício de postergar o imposto de renda, que só incide no resgate. E repetindo o que ele disse: “2023 pode ser um dos melhores anos da bolsa brasileira”.

Leia o Diário de Bordo na íntegra:  clique aqui. 

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