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Um balanço dos balanços nos EUA

Indo além dos resultados, a grande discussão macroeconômica atual nos EUA reside na questão dos juros e política monetária americana

Com mais de 80% das empresas do S&P 500 tendo divulgado seus resultados conseguimos fazer um grande balanço dos balanços, um apanhado dos resultados comparativos e o que identificamos de tendências sobre.

Mas, antes, lembro e convido todos a acompanhar o nosso Conexão Avenue que irá acontecer na próxima segunda (21), às 19h, no canal de Youtube da Avenue. Em nossa live temos a oportunidade de irmos mais a fundo sobre os temas que comentamos aqui, tirar dúvidas e interagir mais com vocês, então não percam.

Em termos gerais 81% das empresas que reportaram até agora bateram as estimativas de lucro por ação – vide imagem abaixo. O crescimento de lucros (comparação anual, ou seja, versus o 4T20) foi de de 26.9%; em termos de receitas, 79% das empresas bateram as estimativas de Receitas, as quais cresceram em média 17.3% versus o 4T20 – fonte. A figura abaixo ajuda a entendermos quais setores apresentaram as maiores variações de lucros versus o esperado. Podemos ver que houve uma concentração maior (36%) de empresas que reportaram surpresas de lucros pequenas, menos de 5%; apenas 4% conseguiram entregar lucros 50% maiores que o esperado; e 1% das empresas entregaram lucros 50% abaixo do esperado.

gráfico1

E no gráfico abaixo conseguimos ver quais foram os setores em que ocorreram as maiores surpresas frente as expectativas. A leitura do gráfico é a seguinte: a surpresa frente ao esperado em termos de lucro por ação, foi de 21.5% na média para o setor de petróleo por exemplo.

grafico2

Podemos dizer que essa foi uma safra de balanços positivas, com empresas ainda crescendo lucros, receitas e saindo do pior momento da pandemia e de contração econômica.

MAS POR QUE A BOLSA CAI?

O investidor pode estar se perguntando: mas por que temos visto um movimento de queda na bolsa americana, tanto no S&P quanto Nasdaq?

Diria que temos alguns fatores que ajudam a explicar isso:

  • Os resultados, bem como os lucros das empresas, tendem a ser bons preditores de desempenho no longo prazo, já no curto prazo, diversas variáveis influenciam o desempenho de uma ação – juros e inflação (comento mais abaixo), guerras, política etc.
  • Houve crescimento, mas ele foi menor. Não podemos deixar de perceber que, assim como se esperava, a economia americana segue um curso de desaceleração e vimos isso nos números das empresas. Ou seja, elas crescem, mas crescem menos. A imagem abaixo ajuda a tornar mais visual esse acontecimento.
  • Apesar de bons números, diversas empresas citaram uma expectativa menos otimista para seus próximos resultados. Um movimento normal de ajuste de expectativas através de guidences mais conservadores. Essa projeção de menor crescimento ou eventual menor margem advém de alguns fatores, mas foi interessante notar a preocupação com a resiliência da inflação. De acordo com dados compilados pela FacSet, 73% das empresas que divulgaram resultados citaram inflação em seus conference calls de resultados – fonte. Esse é o maior percentual de citações a inflação desde 2010.

E obviamente que as preocupações com inflação acabam afetando as perspectivas de crescimento e margens.  A estimativa de margem de lucro líquido atual para o 1T21 está em 12,3% número esse ligeiramente abaixo das estimativas em 31 de dezembro (de 12,4%), enquanto a atual estimativa de margem de lucro líquido de 12,7% para o ano de 2022 está ligeiramente abaixo da estimativa de 12,8% em 31 de dezembro – fonte.

Mas gosto de ressaltar que a despeito dos receios, as expectativas ainda são de crescimento. Analistas esperam um crescimento dos lucros de 5,5% no primeiro trimestre de 2022 e de 4,8% no segundo trimestre de 2022. Além disso, a queda recente aliada ao crescimento de lucos fez com que a bolsa americana tenha ficado mais “barata” ante o final do ano, quando analisamos sob a perspectiva do múltiplo P/L. O índice P/L estimado para de 12 meses do S&P é de 19,8x abaixo dos 21,3x em 31 de dezembro. Ainda um pouco acima da média de 5 anos que foi de 18,6x – fonte.

Resultados essa semana:

Apesar de um grande número de empresas já ter divulgado, ainda temos alguns nomes conhecidos divulgando seus números nessa semana, confere no calendário abaixo:

grafico 5
Fonte Nasdaq.com , elaboração Avenue.

E se você quer saber sobre uma empresa específica, talvez você encontre um resumo aqui nesse report que preparamos. Nele comentamos os resultados de mais de 80 empresas.

ALÉM DOS RESULTADOS…

Indo além dos resultados, a grande discussão macroeconômica atual nos EUA reside na questão dos juros e política monetária americana. Essa semana tivemos declarações de diretores do FED que deram indicações de que podemos ter uma política de juros mais agressiva por parte do FED. Por outro lado, a ata do FOMC divulgada na quarta-feira foi em direção oposta, numa linha de aperto monetário mais brando com aumentos de juros de 0.25pp.

O mercado está fazendo suas apostas, mas olhando para o passado, podemos ver que os agentes têm errado sistematicamente em prever juros mais altos nos últimos anos – vide análise de Roberto Perli, Head of Global Policy Research da Piper Sandler. Será que iremos repetir esse cenário?

Não sabemos, mas esse tem sido um fator que tem exercido certo peso e influência negativa sobre o desempenho das ações de tecnologia.

Independentemente disso, achei superinteressante essa análise do Goldman Sachs abaixo. Eles investigaram o desempenho do índice S&P 500 desde 1975 em diferentes cenários. Atualmente vivemos um momento de desaceleração, mas ainda de crescimento econômico (PIB) aqui nos EUA; e um cenário de juros em alta. Vemos que historicamente o S&P 500 apresentou um retorno positivo de 8% nesse cenário. Nada garante que será assim e o retorno passado não é garantia de retorno futuro…, mas é no mínimo interessante não?

Para mais informações e análises me sigam nas redes sociais – Twitter e Instagram.

Aquele abraço,

WILLIAM CASTRO ALVES

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