A plataforma de brand journalism da Ovo Comunicação

Contrate-nos

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

O futuro da indústria de investimentos

Se o investidor tem (ou deveria ter) uma alocação estrutural a ser perseguida lá fora, taticamente, as circunstâncias parecem pedir uma exposição inferior a essa nesse momento

Alguns acham que é para comprar renda fixa no Brasil.

Concordo com eles.

Outros acham que é pra comprar ações aqui.

Também concordo com eles. Pode soar contraintuitivo, mas Bolsa você compra quando o juro está alto (e as ações estão baratas), à espera de uma inflexão ali na frente. Como muito bem lembrou carta aos cotistas da gestora Dahlia, quando a inflação faz seu pico — e parece que estamos na iminência disso —, a Bolsa também faz uma inflexão importante.

Existe ainda um terceiro grupo, que defende internacionalizar as carteiras neste momento ou apenas ficar líquido agora. Segundo eles, a outperformance (performance relativa superior) de Brasil em 2022 seria apenas um “bear market rally” (um pequeno rali dentro de uma tendência de baixa). Com o prognóstico de juros subindo lá fora, cenário macroeconômico complicado aqui e eleições presidenciais acirradas à frente, deveríamos nos proteger em moeda forte.

Desses eu discordo. Também de forma aparentemente contraintuitiva, podemos ver uma subida das taxas de juro lá fora com enfraquecimento do dólar. O aperto monetário, além do estimado hoje pelo consenso, estoura a bolha em US tech. O dinheiro volta a refluir para os demais mercados. A Europa está em guerra, o Japão não sai da armadilha de liquidez, os BRICS estão caros (caso da Índia), são complexos e passam por surtos de Covid (China) ou estão “ininvestíveis” (Rússia).

O Brasil está avançado em seu ciclo de aperto monetário, com uma possível migração da discussão no curto prazo sobre o momento em que iniciaremos um ciclo de corte da Selic (final do ano ou começo de 2023?). Somos uma democracia (o que é sempre melhor do que ser uma autocracia, algo que havia sido negligenciado nos últimos anos) e contamos com uma posição geográfica favorável. Estamos baratos frente ao resto do mundo e a posição técnica é boa (estão todos underweight em Bolsa local).

Se, no final de 2019, me impus a tarefa de, dentro das minhas enormes limitações e do nosso microcosmo, ajudar na internacionalização das carteiras dos investidores brasileiros, ainda muito subalocados lá fora, agora entendo que o momento exige uma posição doméstica mais forte.

Rápida pausa: é sempre complicado falar contra a internacionalização dos investimentos. É politicamente correto e soa descolado defender a diversificação geográfica e entre moedas. Com efeito, isso tem muito valor e o brasileiro, na média, ainda tem muito menos ativos internacionais do que deveria em seu portfólio. Meu ponto aqui é que, se o investidor tem (ou deveria ter) uma alocação estrutural a ser perseguida lá fora, taticamente, as circunstâncias parecem pedir uma exposição inferior a essa nesse momento. A matriz de risco e retorno dos ativos brasileiros me parece melhor.

Outra fonte de debate rico neste momento se refere ao processo de financial deepening que observamos no Brasil nos últimos anos. Teria a dinâmica se encerrado com a Selic indo para o patamar de 13% (em torno disso) ou é apenas uma pausa no processo?

O diabo está sempre nos detalhes. As discussões dicotômicas e ambivalentes simplificam demais a conversa e, em seus modelos mentais excessivamente simplistas, jogam o bebê fora junto com a água do banho.

Talvez o consenso tenha se empolgado demais com a superação dos bancos pelas fintechs e plataformas de investimento com a Selic vindo para mínimas históricas. Era como se qualquer empresa nova no mundo de investimentos, fora do setor bancário tradicional, fosse melhor do que os bancões. Só haveria saída de recursos do oligopólio tradicional em direção às novinhas, que sempre parecem mais interessantes num primeiro momento — até que se mostram inexperientes e despreparadas. Os movimentos nunca são lineares, sem percalços, muito bem comportados. Há idas e vindas, soluços, sobressaltos, paradas técnicas, programadas e não programadas.

Foi subestimada a capacidade dos bancos reagirem ao processo, como seres estáticos que observariam a própria morte passivamente. A questão é que sua força de capital, reconhecimento de marca, capacidade e conhecimento único para dar crédito e balanço forte para atravessar crises e momentos de juros altos os colocam, momentaneamente, até em vantagem sobre os demais. Em muitos casos, panela velha é que faz comida boa.

Sem aquela farra das fake techs e com o dinheiro ficando mais caro no mundo, é natural esperar que algumas inovações ocorram justamente dentro dos bancos, com capacidade de reter clientes, perfil menos arriscado (e, portanto, clientes menos machucados do que aqueles que compraram ações além do razoável) e multiplicidade de opções de produtos. As famigeradas LIGs, por exemplo, são hoje exclusividade dos bancões e oferecem taxas sem precedentes, que devem, sim, ser aproveitadas pelos clientes.

Em contrapartida, é muito difícil colocar a pasta de dente dentro do recipiente depois que ela já saiu. Mais filosoficamente, em investimentos, é como se vivêssemos uma espécie de Mito da Caverna de Platão. Depois de décadas nas sombras, o investidor brasileiro começou a enxergar a luz. E depois de ver o mundo fora do subterrâneo, não há como voltar atrás e fingir desconhecimento. Não vivemos um “brilho eterno de uma mente sem lembranças”, em que podemos apagar determinados eventos da memória.

Meu ponto é que, embora desacelerado, o financial deepening deve, sim, continuar, mas com menos intensidade e de maneira mais sofisticada. Nem tudo que está fora do banco é bom, ao mesmo tempo que nem tudo do banco é ruim (ou bom). Há, pelo menos, cinquenta tons de cinza fora do maniqueísmo de Hollywood.

Entendo que aquelas empresas e pessoas que fizerem um bom trabalho em favor do cliente devem continuar atraindo o investidor, com mais diferenciação. Se a maré está muito cheia, todo mundo parece adequado. Quando ela abaixa, percebemos quem é quem.

O que nós, como Empresa, podemos lhe oferecer neste momento?

Aqui, antecipo aos leitores uma novidade: a criação formal do Grupo Empiricus — você pode encontrar alguns detalhes do processo nesta matéria do Neofeed.

Na prática, estamos unificando as marcas em uma só. Aqui não há ditaduras, nem apriorismo. Tomamos a decisão após pesquisa muito bem conduzida pela Provokers, da forma mais científica possível. Além do rito empírico, tal como gostamos de fazer, respeitamos todo o processo, com toda aprovação formal pelo Grupo BTG.

A pesquisa, com base em dados e evidências empíricas, algo que nos era presente de maneira intuitiva: a marca Empiricus possui identidade, ressonância nas pessoas, capacidade de, concretamente, mudar comportamento. Ela é capaz de tocar visceralmente as pessoas com as quais ela se relaciona. Com os nossos erros e acertos, ajudados pela sorte, talvez com uma pequena competência, e obstinados pelo trabalho, construímos algo que todos gostariam de ter, mas poucos conseguem na prática: brand equity (valor de marca).

Antes de avançar, fica o registro: devemos tudo isso a você. Muito obrigado.

Leia outros textos do Day One:  clique aqui. 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email