Dólar pode chegar a R$ 4,87 com redução do risco político no Brasil, estima Empiricus

São Paulo, outubro de 2026 – Uma eventual mudança de governo no Brasil, acompanhada de uma redução relevante do prêmio de risco doméstico, poderia abrir espaço para uma valorização adicional do real. É o que indica um estudo da Empiricus, elaborado por Laís Costa, a partir do comportamento de moedas latino-americanas após eleições presidenciais recentes.

A análise examinou os casos de Chile, Colômbia e Peru. Nos 42 pregões posteriores ao segundo turno, o peso chileno se valorizou 6,5% frente ao dólar, enquanto o peso colombiano avançou 9%. No Peru, a apreciação foi de 0,6%.

Os casos de Chile e Colômbia chamam a atenção por um aspecto: a valorização das moedas continuou mesmo depois de serem conhecidos os vencedores. No Chile, o movimento passou de 3,1% no primeiro mês para 6,5% em aproximadamente dois meses. Na Colômbia, avançou de 5,1% para 9%.

Segundo o estudo, o comportamento sugere que a precificação dos ativos não depende apenas do resultado das urnas. A composição do governo, a relação com o Legislativo, a credibilidade das primeiras sinalizações econômicas e a capacidade de implementar as políticas anunciadas também podem influenciar as expectativas dos investidores.

Para estimar os possíveis efeitos no Brasil, a Empiricus usou diferentes metodologias. No cenário principal, que considera a sensibilidade do real às variações de risco, a apreciação estimada é de 6,7%, o que levaria o dólar de R$ 5,15 para aproximadamente R$ 4,81. Em duas simulações mais conservadoras, o potencial de valorização fica entre 5,2% e 5,4%, com a cotação chegando à faixa de R$ 4,87 a R$ 4,88.

Os números são resultados de exercícios contrafactuais, e não projeções garantidas. O estudo considera apenas três eleições, com diferenças entre os países em termos de cenário fiscal, instituições e regimes cambiais. A magnitude de uma eventual valorização do real dependeria, sobretudo, de quanto uma mudança política seria interpretada pelo mercado como sinal de melhora das perspectivas fiscais e econômicas do Brasil.

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