Neste dia 6 de novembro de 2024 foi anunciada a vitória do republicano Donald Trump na disputa para a presidência dos Estados Unidos. Com a decisão, a democracia mais longeva do mundo optou por não eleger Kamala Harris, renovando a marca de zero presidentes mulheres num dos países mais poderosos do mundo.
Abaixo, listamos alguns comentários de especialistas em investimentos sobre o impacto da eleição em seus segmentos. Mas também temos postagens com especialistas comentando como fica o desenvolvimento de AI, a macro nacional e as relações internacionais:
Felipe Miranda, co-Ceo da Empiricus Research: “Observamos uma vitória muito acima das previsões iniciais, com desempenho do Trump melhor que as pesquisas indicavam, inclusive levando o Senado. Isso oferece uma larga vantagem, com mercado já reagindo claramente. O Bitcoin é o grande beneficiado, as criptos são as grandes vencedoras desse Trump Trade, mas não só isso. O petróleo, numa visão global, deve sofrer, especialmente com a ideia de que ele terá desregulamentações e de que haverá aumento da oferta norte-americana. Isso joga o preço para baixo. Uma forte alta dos índices futuros de Wall Street também já é observada, com a perspectiva de menos impostos, maior protecionismo. E aqui, ter maioria no Congresso, também fortalece a narrativa.
As taxas de juros de longo prazo tiveram alta forte, o que é um fator negativo para mercados emergentes, acaba drenando a liquidez para os EUA. E, obviamente, os impactos e pressões sobre China, com taxação e uma restrição maior ao mercado de lá. Obviamente tudo isso precisa ser confirmado e é preciso observar se a narrativa se confirma, mas essa é a reação ao mercado desse Trump Trade clássico.”
André Diniz, economista-chefe para internacional da Kinea: “O primeiro tópico que gostaria de pontuar é que a situação econômica de hoje é bem diferente de 2016, quando ocorreu o primeiro mandato do Trump. Naquele ano, não havia uma situação fiscal tão ruim quanto à de hoje e tampouco havia um grau de aperto da economia tão alto quanto o atual. Nesse sentido, então, a tendência é que políticas tarifárias ou políticas fiscais impactem mais a inflação. Nós não achamos que as políticas fiscais serão o foco da história. Acreditamos que a política tarifária estará mais no foco de trabalho do novo governo. Nesse sentido, o impacto seria provavelmente até negativo em termos de crescimento de outros países do mundo. De qualquer forma, na parte fiscal, devem ocorrer a extensão de benefícios fiscais a empresas ao mesmo tempo em que o governo promete cortar gastos. O resultado deste balanço de coisas deve favorecer mais o dólar para o Brasil e para os emergentes. Mas claro que é um governo que causa mais problemas, mais ruidoso. E, quando você tem a economia americana cortando impostos para empresas locais e colocando proteções tarifárias para suas indústrias, tendência é afastar os fluxos de capitais dos emergentes.”
Gabriel Giannecchini, portfolio manager da Gauss Capital: “A vitória de Trump, acompanhada de uma possível maioria republicana no Senado e no Congresso, trouxe uma volatilidade significativa aos mercados, em linha com as expectativas. Os maiores beneficiados foram a bolsa americana e o dólar. México, China e Europa são vistos como os principais perdedores nesse cenário, pois provavelmente serão impactados negativamente pelo potencial de uma guerra comercial que poderá ter início no próximo ano, com efeitos no ritmo de crescimento de suas economias.
No Brasil, esse movimento impacta diretamente os ativos locais, traduzindo-se em uma depreciação do real e aumento das taxas de juros domésticas, o que tende a afetar de maneira negativa o ambiente macroeconômico e, consequentemente, o mercado acionário local. Diante desse contexto, torna-se ainda mais necessário que o governo adote uma política fiscal crível, com uma revisão consistente dos gastos públicos. Do contrário, o cenário traçado se revela bastante desfavorável.




