Um dos grandes momentos esportivos que guardo com mais emoção, como bom Flamenguista, aconteceu há 3 anos, no dia 23/nov/19, na final da Libertadores, em Lima, no Peru.
Depois de passar praticamente o jogo inteiro perdendo por 1×0, o Flamengo conseguiu uma improvável virada em cima do River Plate, com 2 gols do Gabigol, que, naquele momento, foi alçado a ídolo.
No entanto, nada disso teria acontecido se o Flamengo não tivesse um “meia” camisa 10 (14, na verdade), com a capacidade de deixar o atacante na cara do gol, mesmo cansado e com o placar adverso.
Antes de me acusar de clubismo, relaxa. Este não é um texto sobre futebol. É que não encontrei metáfora melhor (talvez influenciado pelo fato do meu Flamengo estar novamente na final desta competição) para falar sobre um profissional que vem sendo disputado “a tapa” pelo mercado financeiro, neste momento.
De um lado, nós na Empiricus Investimentos, assim como em outras plataformas de investimentos, temos uma série de produtos financeiros adequados para cada perfil de investidor.
Do outro lado, está você, o investidor brasileiro, que muito provavelmente não teve uma educação financeira (eu mesmo só a tive depois da faculdade) e, assim, ainda está muito apegado à cultura de dependência do gerente do banco — não à toa, a poupança ainda é nossa principal aplicação.
No meio de campo, fazendo essa ponte entre os dois lados, está o profissional responsável para indicar os produtos mais adequados ao perfil de cada investidor. Esse camisa 10 do mercado financeiro é justamente o assessor de investimentos. E o mercado, repleto de novas vagas, está muito quente atrás desse profissional.
Para você ter uma ideia, no mês passado, quando encabecei nosso projeto voltado para a formação de assessores de investimentos, encontramos 588 vagas no LinkedIn, 204 no Glassdoor, 131 na Catho e 249 no maior banco do país.
À ocasião, eu chamei isso de “briga de foice”. Só que essa briga ficou ainda mais feia.
Esta semana, já são 649 vagas disponíveis no LinkedIn, 249 no Glassdoor, 143 na Catho e 280 nesse mesmo banco. Simplesmente, 151 vagas em menos de 1 mês. Uma média de 5 novas vagas a cada dia.
Vejo algumas razões para esse aumento. No último Raio-X do Investidor, publicação da Anbima que compila as mais recentes pesquisas feitas com os investidores brasileiros, 41% dessas pessoas responderam que decidem seus investimentos a partir de uma conversa presencial com um assessor.
Outro motivo é o esforço do mercado em educar esse investidor que veio para a Bolsa (em busca de retornos mais atraentes na Renda Variável) num momento de juros baixos e que agora, depois de pandemia, guerra e inflação mundial, alta de juros e correção dos ativos de risco, se encontra machucado.
Assim como o Arrasca, que, já nos acréscimos, tirou da cartola aquele passe para o Gabigol, um bom assessor de investimentos é essencial não só quando o time está ganhando, mas especialmente na hora da virada, nos momentos de turbulência do mercado, ajudando o investidor a passar por eles, e reencontrar o caminho dos bons retornos.
Para responder a esse aumento repentino da demanda por esse profissional, nós aqui da Empiricus vamos reabrir nosso projeto dedicado à formação de assessores de investimentos – caso interesse, deixo aqui um link. Lembrando também que a certificação CEA vale para você ser considerado um investidor qualificado e destravar o acesso a um grupo ainda maior de alternativas de investimentos.
Mudando um pouco de assunto, você sabia que hoje pela manhã, às 10h04 mais precisamente, demos adeus ao inverno e saudamos a chegada da primavera. Em homenagem a essa troca de estações, ontem o nosso Banco Central decidiu manter a taxa de juros inalterada em 13,75%. Verdade que a decisão não foi unânime (2 dos 9 participantes votaram por um aumento de 0,25%) e o comunicado deixou em aberto possíveis novos aumentos se a inflação não arrefecer, mas é bem provável que este ciclo de alta de juros se tenha encerrado. A discussão passa a ser agora sobre quando começam os cortes de juros.
Contudo, respondendo a essa questão, a gente depende também do que o Banco Central americano decidir. Além disso, ontem foi mais uma daquelas Super Quartas-feiras para o mercado, com o Fed repetindo a dose das últimas duas reuniões e aumentando +0,75%, levando a taxa de juros para o intervalo de 3% e 3,25% de modo a combater a inflação que continua elevada (8,3% no acumulado de 12 meses).
Mais relevante para analisar o cenário do que a alta em si é ver como mudaram as expectativas dos participantes do Comitê para os juros em 2023 e 2024 e como essa alta se compara com as expectativas do mercado.
O gráfico abaixo, conhecido como Dot Plot, ou gráfico das bolinhas, mostra justamente essa dinâmica, com a mediana das expectativas dos membros do FED para os juros do final de 2023 (linha verde) subindo para 4,5%, bem acima do esperado pelo mercado (linha branca).

Fonte: Bloomberg
Esta semana está acontecendo o MKBR22, um congresso conjunto da B3 e Anbima. O primeiro dia foi presencial. Os dois seguintes, ontem e hoje, em formato on-line.
Na abertura, o presidente da Anbima, Carlos André, e o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, falaram sobre tecnologias e a importância para o mercado, incluindo metaverso, blockchain, criptomoedas e outras.
O painel principal, na terça-feira, teve como convidado Olivier Blanchard, ex-chefe do FMI e grande estudioso de macroeconomia. Você já sabe qual foi o tema, certo? Exato, inflação e taxa de juros. Se por aqui a primavera chegou e o ciclo de alta de juros parece ter terminado, no hemisfério norte (como disse acima), “the Winter is coming” (o inverno está chegando, como diriam em Game of Thrones!).
Fechando a primeira manhã, um bate-papo com o Luis Stuhlberger, da Verde Asset, e o Pedro Parente, da eB Capital. O tema foi “as expectativas para o cenário econômico ainda em 2022” e a conversa entrou nas expectativas para o Brasil pós-eleições. Segundo o gestor da Verde Asset, um aceno moderado do PT (caso ganhe as eleições) seria suficiente para atrair mais investimento estrangeiro. E esse aceno deveria incluir uma simplificação tributária. “Somos o inferno fiscal, tributário e trabalhista, mas, ao mesmo tempo, não somos o inferno para o estrangeiro”.
Hoje, foi a minha vez de participar, como moderador de um painel. Sob o tema “O que tem na carteira do futuro?”, a Roberta Antunes, da Hashdex, e o Alexandre Ludolf, da QR Capital, e eu debatemos sobre gestão de fundos de criptoativos, desenvolvimento desse mercado e o comportamento dos investidores.
A proposta desse evento conjunto, que chegou com a promessa de ser o maior do mercado de capitais brasileiro, é inovadora. Foram três dias com muito conteúdo, indo desde empreendedorismo até eleições, com participações de grandes nomes do mercado. Você pode conferir esses e outros painéis clicando aqui e fazendo seu cadastro.
Falando em datas, no próximo domingo, comemorarei com a minha família o Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico.
No ano passado, minha enteada testou positivo para a Covid horas antes do jantar festivo e, por isso, nossos planos para passarmos a data com toda a família acabaram sendo cancelados, em cima da hora. Este ano, graças a D’us, vamos poder comemorar novamente, todos juntos, na casa de meus pais, como faço todos os anos desde que nasci.
Muito além de uma passagem de ano, estamos falando aqui de uma celebração da criação do mundo. É também um momento para refletirmos sobre a vida, como estamos fazendo a diferença no mundo e como trilhar o novo ciclo que está por vir.
Independentemente de qual seja a sua fé, desejo a você também um feliz ano novo. Que você tenha um ciclo cheio de energia e repleto de saúde para encarar os novos desafios. Que sejamos todos inscritos e confirmados no livro da vida em 5.783!




