Will Alves: Mercado americano encerra primeiro trimestre em alta

Por William Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Tivemos uma semana mais curta com o feriado da Sexta-Feira Santa, ou como chamamos nos EUA, a “Good Friday”. Mais do que o desempenho da semana, cabe fazer aqui um balanço geral do trimestre que se encerrou. Vamos a um resumo do desempenho do mercado:

Índices

O S&P 500 teve uma alta de 5.8%, o Dow Jones +7.8% e o Nasdaq +2.8%. Essas diferentes variações no trimestre já dão o tom do que vimos no mercado, ou seja, de uma rotação setorial em favor dos setores industriais, cíclicos (petróleo e materiais básicos) e financeiro, em detrimento de tecnologia. A rotação deu o tom, seguindo na esteira da expectativa de reabertura da economia. O gráfico abaixo leva em conta o desempenho da quinta e por isso os valores de variação percentual não batem com o exposto acima…ainda assim serve como forma de visualizar o movimento – Dow Jones na linha vermelha, S&P linha preta e Nasdaq linha azul.

REITs

Os Reits também tiveram um bom desempenho. O ETF VNQ (Vanguard Real Estate Index Fund) oferece uma boa forma de medir o desempenho dessa classe de ativos, uma vez que representa mais de dois terços do mercado de Reits nos EUA. No trimestre ele apresentou alta de 8.2% puxado pelo bom desempenho dos REITs de varejo, escritórios e residenciais – seguindo a linha da expectativa de reabertura da economia e da pujança do mercado imobiliário americano.

Bonds

No universo de bonds (títulos de dívidas) o impacto da alta nas curvas de juros futuros americanos acabou pesando sobre o desempenho dessa classe de ativos. O BND (Vanguard Total Bond Market Index Fund) oferece uma boa forma de medir o desempenho dessa classe, dado que sua carteira possui títulos de dívidas de empresas e países. No trimestre vimos uma queda de 3.9%.

VIX

Passado a posse do presidente Joe Biden vimos a volatilidade e a aversão a risco se reduziu alcançando os menores níveis desde o período pré-pandemia.

Ouro

Como reflexo da redução da volatilidade (menor aversão a risco) e com a alta dos yields dos títulos longos americanos, vimos o ouro tendo um desempenho fraco no trimestre com queda de 9.6%.

Commodities

As commodities em nível agregado tiveram um bom desempenho com uma alta de 9.4% no trimestre – índice utilizado para medir isso é o Dow Jones Commodity Index.

Grande parte dessa boa performance se explica pelo salto no preço do barril de petróleo (WTI) que saiu de US$ 48.52 para fechar o trimestre em US$ 59.16, uma alta de 21.9% no trimestre.

Emergentes

Esse cenário positivo até que ajudou o desempenho agregado dos mercados emergentes que tiveram alta de 3.2% – medido pelo EEM (iShares MSCI Emerging Markets ETF). No entanto, tal alta não foi percebida pela bolsa brasileira que caiu 2% no período saindo de 119.017 pontos para fechar o trimestre nos 116.634 pontos. Gráfico abaixo compara o desempenho dos emergentes (linha vermelha) com o Ibovespa (linha verde).

Índice dólar e o Dólar contra o Real

Desafiando muitas projeções e a despeito de toda preocupação com a emissão de moeda e os estímulos monetários que o governo americano tem dado, o dólar se valorizou contra uma cesta de moedas globais. A alta foi de 3.6% medida pelo índice dólar. A explicação aqui me parece simples: (i) as perspectivas de crescimento para economia americana superam a maioria das economias desenvolvidas; (ii) essa expectativa ganha respaldo no avanço rápido da vacinação nos EUA a qual permite uma reabertura mais rápida da economia. Esses dois fatores em conjunto fortaleceram o dólar nesse primeiro trimestre.

E contra o Real não foi diferente. Apesar do otimismo do início do ano, vimos os casos de covid aumentar, a economia fechar e a instabilidade política se elevar no Brasil. Nesse cenário o dólar se valorizou 8.4% contra o Real, saindo de R$ 5.19 e fechando o trimestre em R$ 5.63.

Em linhas gerais podemos dizer que o investimento no mercado americano se mostrou mais uma vez uma decisão acertada, seja pela valorização observada no câmbio (alta do Dólar ante o Real) seja pela alta das bolsas americanas.

Além disso o acesso global permite exposição a outros mercados emergentes e commodities que também apresentaram retorno positivo. Por outro lado, investimentos mais conservadores como é o caso da renda fixa e do ouro, deixaram a desejar nesse trimestre.

Nunca é demais lembrar que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura e que nada garante que o futuro repetirá em outro trimestre.

Até semana que vem!

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