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William Castro Alves: O que fazer se tudo der errado?

Acredito muito na ideia/conceito de Peter Lynch: mais dinheiro foi perdido tentando adivinhar crises do que nas crises

Acredito muito na ideia/conceito de Peter Lynch: mais dinheiro foi perdido tentando adivinhar crises do que nas crises

Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Recebi algumas perguntas sobre como se proteger de uma realização (queda) maior do mercado americano? O que fazer se tivermos uma grave crise que afete as ações?

Tenho duas coisas a dizer a respeito dessa indagação:

  • Minha resposta para essa pergunta é: não fazer nada. Ou melhor, aprender a conviver com oscilações que são sempre constantes no mercado de ações. Acredito muito na ideia/conceito de Peter Lynch: mais dinheiro foi perdido tentando adivinhar crises do que nas crises;
  • Acredito também que no mercado de ações devemos ter um pensamento contrário. Sim, é contraintuitivo, eu sei. Você abre o noticiário e só vê manchetes que te urgem uma atitude. O normal seria buscar vender, se proteger, mas é exatamente por isso que inteligência e controle emocional talvez sejam as qualidades mais importantes para quem quer investir em ações. Quando as ações caem, elas ficam mais baratas, excelente para quem pensa em comprar. Olhando para o momento atual, penso que não é momento de se procurar proteção.

Mas uma coisa também é verdade: o mercado não dá a mínima para aquilo que eu penso, e de fato existem alternativas para quem tem receio quanto ao cenário atual. Vou citar alguns exemplos, mas atenção: isso não se trata de uma recomendação, estou apenas apresentando alternativas de investimento para quem está receoso com o cenário.

Algumas alternativas:

  1. Caixa. Penso que a melhor alternativa para quem tem receio quanto ao cenário é apenas manter ou elevar uma posição maior de caixa. Pode ser dinheiro parado na conta, conquanto que seja em dólar, afinal em momentos de crise o mercado se volta para a principal moeda do mundo.
  2. Renda Fixa. Títulos de renda fixa carregam um risco em si que muitos ignoram – risco de default do emissor e de mudanças nas taxas de juros. Uma forma de reduzir ambos os riscos é buscar títulos de maior qualidade de crédito e menos prazo. Nesse sentido, cito três ETFs.
    iShares Treasury Floating Rate Bond ETF (TFLO), que investe em títulos de dívida do governo americano pós fixados de curto prazo;
    iShares 1-3 Year Treasury Bond ETF (SHY) que também investe em títulos do governo americano, mas pré-fixados;
    iShares Floating Rate Bond ETF (FLOT) que investe em títulos de dívida pós fixado de empresas e agências governamentais globais e possui menor exposição aos EUA. Ressalva que quanto menor o risco, menor o retorno. Portanto, tais investimentos acabam entregando um retorno bastante reduzido dado o cenário atual de baixas taxas de juros no mundo. 
  3. Moedas. Seguindo com foco em proteção e não em rentabilidade, moedas de países tradicionais podem funcionar como espécie de reserva de valor. Nesse sentido, as moedas mais tradicionalmente usadas são o Franco Suíço, Yen japonês, Euro e Libra esterlina. No entanto, a ressalva aqui é que os ETFs de moedas tratam da relação da moeda contra o Dólar, e não contra o Real. Isso significa que sua oscilação vai depender da relação entre a moeda base e o Dólar. Para fins de exemplificação temos: o Invesco CurrencyShares Swiss Franc Trust (FXF), Invesco CurrencyShares Japanese Yen Trust (FXY), Invesco CurrencyShares Euro Currency Trust (FXE) e o Invesco CurrencyShares British Pound Sterling Trust (FXB). Aqui uma lista completa.
  4. Metais preciosos. Tradicionalmente o ouro e prata funcionam como ativos descorrelacionados do mercado de ações, e por isso tendem a funcionar como alternativas de diversificação e redução de riscos. Nesse sentido temos o iShares Gold Trust (IAU) para exposição ao ouro, o iShares Silver Trust (SLV) para exposição a prata, ou ainda o Aberdeen Standard Physical Precious Metals Basket Shares (GLTR), que fornece exposição a uma cesta de metais preciosos composta por ouro, prata, platina e paládio.
  5. Apostar na queda? Uma alternativa de maior risco é investir em um ETF que se beneficie da queda do mercado de ações. Existem diversas alternativas de ETF’s chamados invertidos. Ressalto que, nesse caso, mais que uma proteção, você especulará, fazendo uma aposta direcional no mercado, o que resulta num maior risco. Você irá “ganhar” somente se o mercado cair. Vou citar três ETFs inversos dos principais índices americanos: (a) ProShares Short S&P 500 (SH); (b) ProShares Short QQQ (PSQ); (c) ProShares Short Dow 30 (DOG).

Como disse, apenas algumas ideias para aqueles que acreditam que as quedas que vimos em setembro irão continuar pelos próximos meses.

VOLTANDO A FALAR DA SEMANA E DO MÊS…

Nessa semana que passou e no mês de setembro tivemos uma profusão de obstáculos que juntos geraram a correção (queda) que vimos nos índices americanos. Vejamos:

  • Desaceleração do crescimento econômico nos EUA e China.
  • Estresse acerca do mercado imobiliário chinês e o caso Evergrande.
  • A continuidade de sérios problemas e dificuldades nas cadeias de suprimentos.
  • Crise energética (por diferentes fatores) na Europa, China e até Brasil – matéria da CNN que trata do tema.
  • Perspectiva de mudanças nas políticas monetárias acomodatícias ora vigentes.

A esses fatores, tivemos, essa semana:

  • Um dado de confiança do consumidor que veio mais fraco que o esperado – atingindo a mínima dos últimos 7 meses.
  • O confronto orçamentário em Washington. Os senadores republicanos bloquearam na segunda-feira um projeto de lei aprovado pela Câmara que financiaria o governo até dezembro e suspenderia o teto da dívida até dezembro de 2022 – link. A secretária do Tesouro, Janet Yellen, alertou o Congresso, em uma carta nesta terça-feira, sobre a necessidade de aumentar o limite da dívida até 18 de outubro, a fim de evitar um calote do governo. A não aprovação da elevação do teto de endividamento e gastos do governo americano trouxe o receio de shutdown do governo.
  • Esse fator levou os rendimentos do Tesouro de 10 anos a subirem para até 1,56% no início da sessão, pesando novamente sobre as ações de tecnologia – link.
  • Além disso, junto a essa questão de teto de gastos, você tem a discussão sobre como financiar os programas de assistência e investimentos na economia americana, o qual se daria através da elevação de impostos, o que obviamente não é bem-visto no mercado.

IMPACTO DAS ALTAS NAS CURVAS DE JUROS…

Essa alta nas curvas de juros que vimos semana passada tem impactos em diferentes mercados obviamente. Penso que o mais imediato se dá no setor financeiro. O gráfico abaixo mostra que há uma forte correlação entre elevação dos yields de 10 anos e o desempenho do setor financeiro.

Um dos efeitos se dá no mercado imobiliário, o qual, como comentei semana passada, segue bastante forte. Inclusive essa semana tivemos um dado de preços de imóveis nos EUA atingindo 20% de alta na comparação anual.

Mas a preocupação que fica é: se as taxas de mortgages subirem, podemos ter impactos negativos sobre o mercado imobiliário. Essa semana inclusive vimos isso acontecer.

TEMPORARIAMENTE PROVISÓRIO?

Muito se discute a transitoriedade ou não da inflação nos EUA e mundo. Esse é um tema complexo que foge ao escopo desse post. No entanto, grande parte dessa discussão é centrada nos problemas das cadeias de suprimentos globais, os quais geram descompassos de oferta e demanda que acabam resultado em impactos nos preços. O gráfico abaixo mostra que as companhias estão mais preocupadas com o tema e agora acreditam que as coisas vão demorar mais para “voltar ao normal” – vide comparação no gráfico de pizza entre junho e setembro. Essa é uma situação a ser monitorada e que tende a seguir impactando o mercado.

Era isso pessoal…stay focused… e aquele abraço!!!

WILLIAM CASTRO ALVES

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