Iniciativa reúne instituições do setor, incluindo o BTG Pactual, para desenvolver uma infraestrutura compartilhada de coordenação de transações com foco em interoperabilidade, segurança e escalabilidade
A Open Transaction Layer (OTL), iniciativa aberta da indústria financeira voltada à criação de um padrão comum para coordenar operações onchain, anuncia uma nova etapa de expansão, com a entrada de novos parceiros, entre eles o BTG Pactual, Trace Finance, DTCC Calastone e o Bank Frick. A iniciativa busca estabelecer protocolos compartilhados que permitam a instituições financeiras, carteiras não custodiais e agentes automatizados identificar contrapartes, trocar informações e coordenar transações de forma interoperável, reduzindo a complexidade operacional e facilitando a expansão das finanças baseadas em blockchain.
À medida que instituições financeiras ampliam sua atuação no ambiente onchain, a infraestrutura tecnológica disponível já oferece condições para sustentar o crescimento dessas operações. Um dos principais desafios para a adoção em escala, no entanto, é a falta de um padrão comum de coordenação que permita conectar diferentes participantes, atender a requisitos regulatórios e viabilizar transações entre carteiras, redes blockchain e jurisdições distintas.
Hoje, cada instituição precisa desenvolver soluções próprias para estabelecer essas conexões. A necessidade de criar integrações específicas para cada contraparte, mercado ou aplicação aumenta os custos, multiplica sistemas que nem sempre se comunicam entre si e dificulta a expansão das operações. O desafio também envolve a coordenação com carteiras não custodiais e agentes automatizados, em um ambiente que exige mecanismos confiáveis de identificação, comunicação e conformidade regulatória.
A OTL propõe enfrentar essas barreiras por meio de uma infraestrutura interoperável compartilhada, que permite aos participantes utilizar padrões comuns em vez de construir conexões bilaterais para cada nova operação. Sua arquitetura modular reúne tecnologias e especificações já estabelecidas no mercado, como W3C DIDs, IVMS101, ISO 20022 e CAIP-19, para estruturar as diferentes etapas das transações, da identificação das partes à coordenação, às verificações de conformidade e à liquidação.
As especificações técnicas da iniciativa estão organizadas em quatro camadas fundamentais: identidade, sessão, transporte e mensageria. Sobre elas, uma quinta camada, dedicada às aplicações, permite transformar os protocolos em funcionalidades concretas para o mercado. Com essa estrutura, instituições podem desenvolver soluções para autenticar solicitações de pagamento, associar carteiras às entidades responsáveis e estabelecer mecanismos de aprovação ou rejeição de transações antes da movimentação dos recursos.
A arquitetura foi concebida para que cada aplicação possa ser implementada de forma independente e expandida para os demais participantes da rede. Dessa maneira, diferentes instituições podem desenvolver serviços específicos sem perder a capacidade de interagir com outros integrantes do ecossistema, independentemente das carteiras, blockchains ou mecanismos de comunicação utilizados.
Para o mercado brasileiro, a padronização pode contribuir para tornar as operações onchain mais eficientes e facilitar sua implementação em conformidade com as normas aplicáveis do Banco Central. Ao reduzir a dependência de integrações bilaterais e soluções desenvolvidas sob medida, a iniciativa abre espaço para diminuir custos operacionais, simplificar processos de conexão entre instituições e favorecer o desenvolvimento de novos serviços financeiros.
“Para o Brasil, a OTL pode ajudar a viabilizar operações onchain com mais segurança, eficiência e capacidade de escala, respeitando as exigências regulatórias do país. Ao estabelecer uma base comum de comunicação entre os participantes, a iniciativa reduz a necessidade de integrações individuais, diminui barreiras tecnológicas e cria condições mais favoráveis à inovação no mercado financeiro”, afirma Jorge Borges, Head LATAM da Fireblocks.
As especificações da Open Transaction Layer estão disponíveis publicamente sob licença de código aberto no site otl.network. As implementações de referência serão divulgadas gradualmente, à medida que os padrões evoluírem. A iniciativa permanece aberta à participação de novas instituições e convida os agentes do mercado que atuam com operações onchain a contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura. A proposta é consolidar um padrão construído de forma colaborativa, capaz de atender às necessidades de interoperabilidade de todo o setor financeiro.







