Empiricus revela carteiras de setembro para ações, BDRs, dividendos e FIIs

Maior expectativa de corte dos juros nos Estados Unidos, desaceleração econômica no Brasil que consolida cenário de fim do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central, preços descontados na Bolsa e temporada de balanços que refletem quadro corporativo saudável são quatro fatores que justificam o incremento das posições em Bolsa e fundos imobiliários (FIIs), aponta a Empiricus em relatórios com as carteiras recomendadas para o mês de setembro.

Na Carteira 10 Ideias de Ações, foi mantida a alocação setorial, com viés de sensibilidade a juros, com dois ajustes táticos: Petrobras e Eletrobras foram substituídas por Prio e Equatorial, respectivamente. Na Carteira Dividendos, a casa promoveu a entrada de Eucatex em lugar da B3. Já na lista de BDRs, Coinbase substituiu Visa, enquanto a Carteira FIIs foi mantida sem ajustes. Confira abaixo as carteiras recomendadas da Empiricus para setembro.

Carteira 10 Ideas

O enfraquecimento inesperado do mercado de trabalho americano e a mudança de tom de Jerome Powell colocaram os cortes de juros nos Estados Unidos em setembro como cenário-base, o que pode intensificar o fluxo para ativos emergentes, aponta relatório assinado pelo analista-chefe e CEO da Empiricus Research, Felipe Miranda, e pela analista responsável, Larissa Miranda. Segundo o texto, no Brasil, os dados mais recentes reforçam a tese de pouso suave, com inflação e expectativas em queda, crédito desacelerando e arrefecimento do emprego. Esse é o pano de fundo que pode antecipar o ciclo de cortes da Selic ainda em 2025.

O Ibovespa já reagiu positivamente, mas os múltiplos seguem descontados frente à média histórica, abrindo espaço para valorização adicional com a realização dos gatilhos. No front corporativo, os balanços do segundo trimestre superaram as expectativas, especialmente entre as varejistas, indicando que os lucros seguem crescendo mesmo sob juros elevados.

“O bom desempenho operacional, somado ao alívio monetário esperado, favorece o investimento em ações brasileiras. Os riscos persistem, mas a tese segue sólida”, escreve Felipe Miranda no relatório.

A carteira manteve a alocação setorial, com viés de sensibilidade a juros, realizando dois ajustes táticos, substituindo Petrobras por Prio, que caiu 10% em agosto e negocia a 5,2x o lucro estimado de 2026, e trocando Eletrobras por Equatorial, que ficou para trás entre os pares e apresenta TIR real atrativa. A composição final segue com 20% em exportadoras, 20% no setor financeiro, 20% em elétricas e 40% em cíclicas domésticas. Assim, a Carteira 10 Ideias para setembro tem Energisa, Suzano, Itaú, Prio, Equatorial, Iguatemi, Porto, Localiza, Cosan e Grupo SBF, todas com 10% de participação.

Carteira de BDRs

O analista Enzo Pacheco destaca no relatório que a temporada de balanços apresentou 81% das empresas do S&P 500 apresentando lucro por ação acima do consenso, o maior patamar desde o terceiro trimestre de 2023, com um crescimento reportado de 11,9%, ante uma expectativa inicial de 4,8% no começo do trimestre, o que representa o terceiro trimestre consecutivo de aumento de dois dígitos neste indicador.

Nesse contexto, o analista diz que a opção de tirar Visa da carteira agora está relacionada ao estágio atual da companhia dentro do portfólio, que deixou de apresentar uma assimetria atrativa em relação a outras oportunidades. Entrou na lista de recomendações a Coinbase, que se consolidou como a principal corretora de criptoativos regulada nos Estados Unidos, ampliando a relevância tanto entre investidores institucionais quanto no varejo. Assim, a Carteira de BDRs da Empiricus passou a ser composta por Alibaba (15%), Meta Plataforms (15%), Novo Nordisk (15%), Amazon (10%), AT&T (10%), Berkshire Hathaway (10%), TMSC (10%), Baidu (5%), Coibase (5%) e Salesforce (5%).

Carteira de Dividendos

Para o mês de setembro, os analistas Rodolfo Amstalden, Ruy Hungria e Isabelle Oliveira promoveram a entrada de Eucatex no lugar da B3, aproveitando possíveis novidades positivas no contexto das tarifas e um valuation muito atrativo. Com isso, a Carteira Dividendos para setembro é composta por cinco empresas, todas com pesos iguais: Itaú, Porto Seguro, Gerdau, Eucatex e Petrobras.

Na média, o Dividend Yield estimado pelos analistas desta carteira para 2026 é de 7,6%.

Carteira de FIIs

No relatório, o analista Caio Araujo argumenta que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) caminha para prováveis cortes de juros ainda neste ano. Com o banco central norte-americano afrouxando o torniquete monetário, o Brasil ganha graus de liberdade adicionais em sua condução de política monetária. Por aqui, aponta, a redução da Taxa Selic, ao diminuir o custo de oportunidade, tende a atuar como catalisador para a reprecificação dos ativos, especialmente os fundos imobiliários de tijolo, hoje negociados com os maiores descontos do mercado e com dividend yield próximo das máximas históricas.

“A intensidade da queda dos juros ainda é uma incógnita para o mercado. Conforme sinalizado pelo Banco Central, é possível que a taxa permaneça em patamar restritivo por um período prolongado. Nesse contexto, avaliamos que a migração entre setores deva ocorrer de forma gradual. Fundos de crédito imobiliário high grade indexados ao CDI, além de alguns Fiagros selecionados, seguem como alternativas interessantes para o balanceamento das carteiras”, escreve Caio Araujo, o analista responsável pela carteira.

Para setembro, o analista não promoveu mudanças na composição do portfólio. Portanto, a carteira Top 5 FIIs permanece da seguinte forma: Alianza Trust Renda Imobiliária (ALZR11), Bresco Logística (BRCO11), HSI Malls (HSML11), Kinea Rendimentos (KNCR11), Mauá Capital Recebíveis (MCCI11).

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