Um pouco de otimismo?

O momento atual é muito bom para o Brasil. Estamos bem construtivos para investimentos em ativos brasileiros para 2023

O Diário de hoje tem a ajuda inestimável do Kiki. Como eu estava desconectado por conta do feriado judaico do Yom Kipur, pedi a ele para contar aqui um pouco do que vimos esta semana. Créditos feitos, vamos ao relato!

A Bolsa brasileira subiu 5,54% na última segunda-feira, fruto de um certo otimismo com o resultado do primeiro turno das eleições. Na semana até a hora em que terminei este relatório, já sobe 6,87%, aproximando-se dos 118 mil pontos.

Não acredito que a pequena diferença, de pouco mais de 5%, entre os dois candidatos mais votados tenha sido a principal razão para esta alta, até porque uma reversão de votos no segundo turno é bem difícil. E as pesquisas eleitorais já não tinham tanta credibilidade, mesmo.

O que o mercado gostou bastante foi da composição do Congresso, dominada pelo PL, que, junto com o restante dos partidos de direita, deve dar uma boa força nas votações durante um possível governo Lula. A direita, sozinha, é maioria tanto na Câmara quanto no Senado (vide gráfico abaixo). Como disse um analista político na segunda-feira de manhã, a reforma política já começou.

Fica muito difícil aprovar PECs (2/3 dos votos) polêmicas e ataques às reformas ou privatizações já executadas. Assim, privatização da Eletrobrás e a reforma trabalhista podem respirar aliviadas.

Fonte: Artica

Outra razão para a onda otimista de curto prazo é que a campanha do ex-presidente Lula possivelmente terá que começar a traçar os planos para a economia, algo deixado como incógnita até agora. Para angariar os votos, especula-se até que ele vá acenar para o centro/direita colocando Henrique Meirelles ou até Armínio Fraga como Ministro da Economia.

O momento atual é muito bom para o Brasil. Estamos bem construtivos para investimentos em ativos brasileiros para 2023. Existe, é claro, um risco de volatilidade de curto prazo logo após o segundo turno, se Lula ganhar e Bolsonaro não aceitar. Mas atribuímos baixa probabilidade de uma ruptura, e eventuais quedas podem criar bons pontos de entradas.

O grande risco, por incrível que pareça, vem do exterior. A inflação mundial continua assolando os mercados. A guerra continua e ameaças de escalar para um conflito nuclear não podem ser descartadas à medida que Putin fica acuado. Os EUA e principalmente a Europa continuam em dificuldades. Na Inglaterra já se fala na renúncia da nova primeira-ministra que acaba de assumir o cargo.

E para deixar tudo ainda mais incerto, boatos sobre um grande banco europeu entrando em graves dificuldades financeiras. Quem já passou por 2008 sabe de três coisas:

A primeira é que as informações não são fluidas e não saberemos de antemão o que está acontecendo. Mas os boatos podem causar um efeito cascata de resgate e se transformar em uma “profecia autorrealizada”.

A segunda coisa é que se o banco estiver com problemas sérios e não houver uma ação rápida, esses problemas deterioram rapidamente.

A última é que, apesar dos controles de capital dos bancos estarem bem melhor que em 2008, se o banco explodir como a Lehman Brothers, o mercado mundial vai sofrer fortemente, sem exceções, inclusive o Brasil. No final, é uma questão de gestão de risco, quando é necessário tomar cuidado com eventos de cauda, como esse.

Por enquanto, o Brasil tem se descolado do exterior. No ano, o Ibovespa ganha mais de 12%. O mundo, medido pelo índice MSCI World, perde mais de 22%. Uma diferença expressiva.

Com o belo trabalho de nosso Banco Central, já finalizamos a alta de juros e os indicadores de inflação (deflação) estão surpreendendo positivamente. E as eleições têm influenciado as decisões dos investidores. Até quando estaremos dissociados, não sabemos, mas parece que conseguiremos surfar por um tempo ainda.

 

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