A plataforma de brand journalism da Ovo Comunicação

Contrate-nos

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Lynch vs Bogle: o que os dois não têm em comum

Mesmo com o cenário de uma guerra que aparenta estar longe de terminar, os mercados estão relativamente comportados, e a tese do “decoupling” brasileiro ainda continua

Um dos primeiros livros que li do mercado financeiro, em 1997, ainda como estagiário do Unibanco Asset Management foi Beating the Street (Batendo o Mercado), de Peter Lynch, grande mestre da gestão ativa, cujo lendário fundo Fidelity Magellan bateu o S&P 500 por inúmeros anos consecutivos. Como sabemos, bater o principal índice norte-americano não é fácil. A indicação do livro foi de um analista chamado Peter (coincidência), fanático por ações.

Após a leitura, do alto de minha ignorância cheguei à conclusão de que bater o mercado seria tranquilo. Seguiria os inúmeros princípios de Peter Lynch, espalhados pelo livro, que poderiam ser resumidos na sua famosa estratégia de “investir no que você conhece”. Lynch era famoso por visitar as empresas em que tinha interesse, não como investidor, e sim como cliente.

Vinte e cinco anos mais experiente, minha opinião mudou. É bem difícil bater o mercado. No Brasil, ainda podemos argumentar que os mercados estão longe de serem eficientes, faltando liquidez e opções de investimentos, o que abre oportunidades de ganhos sobre os índices.

Mas, no resto do mundo desenvolvido, é bem mais difícil de usar esse argumento. Se o mercado é eficiente (na forma semi-forte, mas não quero entrar em tecnicalidades), todos os dados passados de preços e volumes negociados e toda informação pública dos fundamentos das empresas já estão incorporados em seu preço atual. Portanto não é possível batê-lo!

Aqui que entra John Bogle, nêmesis de Lynch, e inspiração para o novo produto de previdência Global Real Return que trouxemos para vocês neste começo de mês.

Bogle foi fundador da famosa Vanguard, uma das maiores gestoras do mundo, e foi o responsável pela revolução dos fundos passivos, com o lançamento do primeiro fundo indexado (seguia o S&P 500) e a subsequente discussão entre gestão ativa (bater índices) e passiva (seguir índices).

A simplicidade e o bom senso eram parte central de sua estratégia de investimentos. Partindo do princípio de que os mercados são eficientes e de que investimentos em renda variável têm um prêmio de risco, Bogle defendia que os fundos passivos de investimentos (de custo baixo) eram as melhores estratégia para longo prazo.

Infelizmente Bogle faleceu em 2019, mas não antes de deixar seu legado na infindável discussão sobre estratégias de investimento.

As Bolsas deram uma realizada neste início de abril, com o Ibovespa perdendo o patamar dos 120.000 pontos e o S&P caindo quase 3% na última semana. O Dólar (contra o Real) chegou a bater em 4,6 mas voltou para o patamar de 4,7. Mesmo com o cenário de uma guerra que aparenta estar longe de terminar, os mercados estão relativamente comportados, e a tese do “decoupling” brasileiro ainda continua, com nossos ativos sendo destaques de performance no ano.

Nesta quarta tivemos a divulgação da ata do Fomc, amplamente esperado pelo mercado. A ata indicou que o balanço deve começar a ser diminuído a partir da próxima reunião no começo de maio, com o limite máximo de U$ 95 bilhões mensais. Também deixou claro que diversos diretores já queriam um aumento de 0,50% em março, mas resolveram por 0,25% dadas as incertezas com o início da guerra.

Após a ata, e com a pressão inflacionária da guerra sobre energia e alimentos, é bem provável que haja um aumento de 50 bps na taxa de juros básica norte-americana em maio. A questão agora é até onde vai, e se o Fed vai ter que acelerar as altas em algum momento.

Com a curva dos juros dos EUA invertida (juros longos mais baixos que juros curtos), os cavaleiros do apocalipse já começam a gritar: recessão, recessão, recessão. Não que estejam errados. Não sei. Mas acho que ainda é muito cedo para saber. São muitas incógnitas, muitas variáveis.

São muitos efeitos de inúmeras políticas monetárias acomodativas que veem acontecendo desde 2008. Somados a uma pandemia sem precedentes e a uma guerra que não sabemos como vai acabar. Tudo isso em um contexto de inflação global e início de aperto monetário.

O risco parece que está crescendo por todos os lados. Repito: ainda não sei o que vai acontecer. Mas garanto que estaremos em cima, analisando e processando tudo para continuarmos tentando adicionar valor aos nossos clientes.

Live Carteira Universa
É hora de investir na Bolsa Brasileira – Ontem aconteceu mais uma live para falarmos sobre o Carteira Universa. Junto com Felipe Miranda e sua equipe de analistas, conversamos abertamente sobre o ótimo momento do mercado brasileiro e da renda variável – percebido no bom desempenho do Carteira Universa em março – e as perspectivas para os próximos meses. Também falamos sobre juros no Brasil e mundo, inflação e outros temas macroeconômicos que interferem nos investimentos.

Você pode conferir a live clicando aqui.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email