Na última segunda feira, 24/10, meu amigo Patah (CIO do UBS Wealth Management aqui no Brasil) comemorou 25 anos de casado.

Foi ele quem me lembrou da data. E emendou com uma provocação. Na legenda da foto acima dele carregando a Fabi no colo, na entrada do quarto do hotel, na noite de núpcias (que eu dei de presente para eles), ele escreveu:
“Jojo, 25 anos da crise asiática! Naquele dia, a Bolsa de Hong Kong tinha caído 5%… Hoje caiu 6%!! Espero que não seja o começo de uma nova crise 😱😱😱”
Pois é. Eles se casaram na sexta-feira, 24/10/1997, e a crise da Ásia explodiu 4 dias depois, na terça-feira, 28/10. Isso tudo há 25 anos! Muitas pessoas já me ouviram contar essa história. Contei até em alguns Diários de Bordo.
Patah (meu chefe, na época) em lua-de mel no Hawaii, mercados enlouquecidos e eu ali, na minha primeira vez como responsável (interino) pela mesa internacional da Asset do Unibanco, gerindo uma carteira enorme de Bonds brasileiros cujos preços simplesmente derreteram. Tínhamos em carteira 10% de todas as emissões de títulos de dívida internacional de empresas brasileiras, além dos títulos da República.
Foram 3 semanas alucinantes. Eu perdi 12 quilos e não por outro motivo sempre digo que (quase) todos os meus cabelos brancos vêm daquela época.
Voltando à provocação, eu não acho que estamos às vésperas de uma nova crise asiática. Pelo menos, não igual àquela. Mas os mercados por lá, especialmente o chinês (hoje o principal protagonista do continente), vem sofrendo já há anos. Nos últimos 5 anos, desde o pico de valorização no início de 2018 até hoje, a Bolsa de Hong Kong caiu 50%! Por comparação, no mesmo período, o S&P 500 subiu 40% (mesmo caindo 20% esse ano)!

Só este mês a Bolsa chinesa cai mais de 10% (o S&P 500 sobe mais de 6% no mês). Parte desse movimento é uma resposta dos investidores à situação política por lá.
Um sentimento de desespero varreu os mercados chineses à medida que Xi Jinping começou a preencher os cargos de liderança de seu governo com seus partidários.
As ações chegaram ao limite de seu pior dia, em Hong Kong, desde a crise financeira mundial de 2008 e o yuan se enfraqueceu a seu nível mais baixo em 14 anos. Nosso fundo mais afetado nesse cenário é o Tech Asia. O fundo cai quase 20% neste mês e 50% neste ano, praticamente o mesmo resultado desde o seu início, 25 meses atrás. Difícil arriscar qual o cenário daqui para frente. Recentemente diminuímos a posição em China de 60% para 40% do fundo, ainda assim uma posição substancial.
Xi Jinping se colocou na posição de governar a China por pelo menos mais uma década e, talvez para sempre, enquanto for vivo. A questão agora é o que ele fará com todo esse poder. Até 2049, no 100º aniversário da República Popular da China, Xi Jinping disse querer garantir que o país “lidere o mundo em termos de força econômica e influência internacional”. Como disse o editor chefe da Bloomberg News, David E. Rovella “é como ele planeja chegar lá que está deixando os mercados inquietos”.
Falando em mercados inquietos, pelo menos na Inglaterra, a temperatura baixou com o anúncio do novo primeiro-ministro Rishi Sunak. O novo líder do Partido Conservador prometeu “limpar a bagunça” da sua antecessora Truss, com estabilidade e unidade. O mercado espera e acredita que o ex-ministro das Finanças traga a austeridade fiscal de volta.
Voltando para os nossos assuntos locais, esta semana recebi do meu amigo Schmil a seguinte mensagem:
“Jojo, você que é um cara do mercado e tem ouvido muitas pessoas influentes… quem vai vencer?”
Assim que a mensagem apareceu no grupo de Whatsapp que tenho com meus amigos de escola e da vida toda, respondi sem titubear:
“Vai ser apertado, mas acho que o Flamengo leva.”
Brincadeiras à parte, a melhor notícia sobre as eleições é que está acabando. Ninguém aguenta mais tanta polarização e tantos sinais ruins para a condução futura do país, independentemente de quem ganhe.
O resultado do domingo também promete ser apertado, talvez até mais que a disputa do sábado. A discussão desta semana é quão negativo terá sido para a campanha do atual presidente o episódio do ataque e prisão de Roberto Jefferson. Na semana passada, a leitura do mercado era de que o aumento da censura e a pressão do TSE e STF acabaram tendo efeito positivo nas chances de reeleição.
No meio dessas dúvidas, o mercado local oscilou bastante. O Ibovespa cai mais de 5% nesta semana, diminuindo os ganhos do mês para um pouco mais de 3%. O Real também reagiu mal, desvalorizando-se, cotado quase a 5,40 (agora já voltou um pouco para 5,30).
Ontem, quarta-feira, o Banco Central manteve a taxa de juros Selic inalterada em 13,75%, sem surpresas no comunicado. Decretado o fim do ciclo de alta, o mercado começa a discutir quando as taxas começarão a baixar. As apostas, atualmente, estão apontando para o 2º trimestre do ano que vem.
Enfim, mais 3 dias, e poderemos deixar o assunto das Eleições para trás e voltar a olhar para frente. Economia parece não preocupar, pelo menos para o ano que vem, mas recuperar a credibilidade em valores como democracia, justiça, respeito à lei e às instituições parece ser o mais importante a fazer, seja quem for o candidato vencedor no domingo.
E, por fim, deixo aqui um beijo para a Mano, minha enteada que completou 14 aninhos esta semana e ficaria muito brava se eu passasse em branco nesse Diário! Pronto Mano, tá pago! Te amo.




