Integridade faz bem

Confiança é tudo na política, nos negócios e nos relacionamentos. Seriedade faz bem e é fonte de felicidade e de prosperidade

“Os brasileiros são um povo honesto e trabalhador”. É comum ouvir frases deste tipo, sobretudo nas campanhas eleitorais. Mas elas também nunca deixam de trombar com a deplorável realidade nacional na qual espertos, no pior significado da palavra, aplicam seus golpes na praça. Sem renegar a maioria esmagadora da população, que é decente e honrada, lamento que a integridade ainda está longe de ser vista como bem coletivo do Brasil.

Quando abro minha caixa de e-mail lotada de cobranças falsas, ouço vozes do telemarketing criminoso e suspiro aliviado por não terem arrombado meu carro no estacionamento, percebo que a Nação sofre com deslizes éticos bilionários porque não consegue se livrar dos deslizes corriqueiros. É por isso que acabamos valorizando gestos simples de honestidade como algo excepcional. Devolver a carteira perdida ao seu dono virou heroísmo.

Mas nem tudo está perdido. Há luzes piscando no fim do túnel, algumas até mesmo na forma de novos e promissores negócios ancorados no ativo honestidade do cidadão. Confesso que fiquei intrigado ao ver prosperar em aglomerações residenciais pontos de vendas por autoatendimento, com produtos diversos pagos pelo celular, que nasceram aqui como uma saída para as restrições impostas pela pandemia da Covid-19.

A Lei de Gérson, aquela de “sempre levar vantagem em tudo”, deixou de vigorar nas prateleiras de mercadinhos que operam sem funcionários, em áreas comuns de prédios e condomínios. Os espaços autônomos avançam pelas grandes cidades para mostrar que sabemos, sim, nos comportar como gente grande de Primeiro Mundo. Mas nossa carência por normalizar atos íntegros só será saciada mesmo quando todos confiarmos em todos o tempo todo.

O caminho ainda é longo, mas precisa ser percorrido para que o Brasil não mais se sabote e vença em todas as áreas. Neste sentido, o exemplo deve começar de cima, com a retidão efetiva de tudo que nossas “mulheres de César” fazem. Desde que a Lei Anticorrupção (12.846/2013) entrou em vigor, seguida do Decreto Regulamentador 8.420/2015, os atos lesivos à Administração Pública cometidos por empresas têm responsabilização.

Confiança é tudo na política, nos negócios e nos relacionamentos. Seriedade faz bem e é fonte de felicidade e de prosperidade.

Descubra mais sobre Crania

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading