Will Alves: Mercado americano dispara mas ainda oferece oportunidades ao investidor

Por William Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Caminhamos para o encerramento de mais uma semana de alta recorde no mercado americano, com índices renovando máximas históricas. Os índices S&P e Dow Jones devem chegar na quarta semana consecutiva de alta e acumulam altas de mais de 11% no ano. Já o Nasdaq Composite sobe pouco mais de 8% no ano.

Desculpe ser repetitivo, mas a sustentação da alta dessa semana deriva dos mesmos vetores que comentei nas últimas semanas, ou seja, vacinação (EUA atingiu 38% da população vacinada), política monetária e fiscal expansionistas. Esses três vetores ajudam a sustentar dados econômicos robustos que vimos essa semana.

Vamos novamente analisar os dados de crescimento:

Varejão vai bem.

As vendas no varejo “explodiram” em março. Quem disse isso não foi eu, mas sim a CNBC (veja a matéria completa). Crescimento de 9.8% em março ante fevereiro de 2021 (mercado esperava +6.1%) refletindo os cheques de US$ 1400,00 – vide gráfico da Pantheon Macroeconomics.

Os consumidores americanos voaram para bares, restaurantes e lojas, a economia que começa a reabrir e operar normalmente – vide gráfico da direita. Artigos esportivos, vestuário e alimentos e bebidas lideraram os ganhos nos gastos e contribuíram para o melhor mês para o varejo desde maio de 2020, quando tivemos os primeiros cheques do governo.

O segmento de bares e restaurantes reportou aumento de 13,4% nas vendas, graças ao relaxamento cada vez maior das restrições à medida que as vacinas da Covid aceleravam a um ritmo de mais de 3 milhões por dia.

Fonte1. Fonte 2

Indústria aquecida.

Tivemos as pesquisas regionais do FED (Banco Central americano) mostrando que a indústria também está apresentando números fortes. O índice New York EmpireState Manufacturing Index subiu para 26,3 num nível entre os mais altos dos últimos anos. Semelhantemente o FED da Filadélfia também atingiu novas máximas.

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Mais emprego.

Além disso a semana marcou um indicador importante que foi a redução dos pedidos de auxílio desemprego. O relatório divulgado na quinta mostrou que os pedidos de seguro-desemprego despencaram, com o Departamento do Trabalho relatando 576.000 novos pedidos na semana encerrada em 10 de abril, número esse sensivelmente menor que os 700 mil de projeção do mercado.

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Confiança do consumidor.

Com empregos sendo gerados, reabertura da economia e crescimento sendo observado em diferentes setores, não é de se espantar que a confiança do consumidor americano siga em alta.

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Mercado Imobiliário aquecido.

E com emprego, renda e confiança em alta, fica mais fácil entender por que o setor imobiliário americano segue aquecido. Dados de licenças para novas construções se mostraram bem robustos. O Departamento de Comércio (report) disse que os pedidos para construção de novas casas tiveram aumento de 19,4%, superando as estimativas, alcançando 1,74 milhão de pedidos em março, níveis esse comparados somente a 2006. Seguimos vendo forte momentum no segmento com estoques baixos e procura forte.

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Resultados corporativos ajudam.

Fora isso essa semana tivemos resultados dos bancões americanos os quais bateram as expectativas do mercado, apesar de suas ações não terem tido uma performance exuberante na semana – entendo que uma realização normal depois das altas observadas nos últimos meses.

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Não só bons resultados como uma visão otimista pela frente. No call com analistas o CEO Jamie Dimon adotou um tom otimista para o futuro econômico de curto prazo nos EUA. “Com todos os gastos de estímulo, gastos potenciais com infraestrutura, flexibilização quantitativa, fortes balanços patrimoniais de consumidores e empresas e euforia em torno do fim potencial da pandemia, acreditamos que a economia tem potencial para ter um crescimento extremamente robusto e plurianual,” disse ele.

Aliás não foram só os CEOs dos bancos que se mostraram otimistas. O CEO Bed Bath & Beyond (BBBY), Mark Tritton, comentou que a vacinação está “gerando um nível mais alto de confiança do consumidor” e “Isso definitivamente está afetando nossas tendências de tráfego.” O CEO da Levi (LEVI), Chip Bergh, disse na semana passada que havia “muita demanda reprimida de pessoas presas em casa, sem realmente fazer muitas compras”.

E A BOLSA?

Como todos esses dados e otimismo vigente não é de se espantar que os índices americanos estejam nas máximas. Aí o investidor se pergunta: deveria eu investir agora que o mercado está nas máximas?

Os analistas do UBS revisaram suas estimativas para bolsa americana e ajudam a responder essa pergunta.

“Embora investir em altas históricas possa ser assustador para alguns, acreditamos que há mais vantagens pela frente”.

Eles revisaram seu target para o índice S&P para 4.400 pontos para o fim do ano e em suas projeções, o UBS da preferência para os setores de consumo discricionário, energia, financeiro e industrial. O banco também prefere empresas de valor ao invés de crescimento, além das small e mid caps em detrimento das large caps. Visão semelhante tem o Scotia Bank, que elencou setores de sua preferência – vide gráfico abaixo.

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Quanto mais o mercado sobe, mais cautelosos devemos ser… é muito importante não levar investimentos como um oba-oba e ter sempre a noção de que existem riscos.

Mas isso também não quer dizer que você deve vender todas suas posições e sair do mercado. O mercado americano tem mais de 5000 ativos e alternativas diferentes de investimentos em setores. Nesses momentos de alta agregada do mercado o que vale é a seletividade.

Até a próxima semana!

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