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Um papo sobre volatilidade e risco no mercado americano

Para o investidor médio, volatilidade é uma oscilação indesejada, mas necessária, afinal retorno e risco andam juntos

Semana passada havia comentado de um efeito duplo que poderia ser uma boa oportunidade para aqueles que querem investir nos EUA. Me refiro a queda do dólar frente ao Real e as quedas de diversas ações nos EUA, em especial das Tech. Aquilo que escrevi, em minha opinião segue totalmente atual! Então para quem não leu, confira aqui.

VOL É VIDA?

E é justamente isso que queria falar hoje, sobre esse sobe e desce que assustou muitos investidores na semana passada. Vimos ações como Facebook (Meta Inc), Spotify, Snapchat, Pinterest, Paypal, caindo até mais de 20% em um dia; ao mesmo tempo que Amazon, Google e algumas das que caíram num dia recuperando e subindo forte no dia seguinte como foi o caso de Snapchat. Isso é o que chamamos volatilidade.

Existe uma expressão no mercado que falamos que “volatilidade (ou apenas vol) é vida”. Tal frase funciona para quem gosta de operar o curto prazo, pois esses movimentos intensos podem gerar oportunidades interessantes. Mas para o investidor médio, eu e você, penso que volatilidade é uma oscilação indesejada no patrimônio. Indesejada, mas necessária, afinal retorno e risco andam juntos, e como sempre digo aqui, a renda variável varia.

O gráfico abaixo mostra as variações diárias do índice Nasdaq 100, e dá para ver que essas oscilações mais intensas não são comuns ainda que aconteçam com alguma regularidade. Ou seja, tivemos uma semana de fato de intensa volatilidade.

RISCO ALTO? O QUE É RISCO?

Essa volatilidade acima da média pode ter assustado investidores que não estão acostumados a “correr riscos excessivos”. Mas o que é risco? Esse é um conceito muito discutido no mercado. Os mais matemáticos advogam que é uma oscilação frente a média, o quanto um ativo oscila frente a uma média.

Da minha parte, prefiro a ideia “Buffetiniana” de: risco é não saber o que você está fazendo! Então pra você que ficou eventualmente meio desnorteado com as oscilações, deixe-me explicar algo que talvez te ajude a “entender o que você está fazendo”. 

Existe um conceito matemático muito usado no mercado. Esse é o Beta. O Beta é um coeficiente que mede a volatilidade de uma ação individual em comparação com o risco sistemático de todo o mercado. Ele é calculado segundo a fórmula abaixo (covariância dos retornos da ação e retornos do mercado, divido pela variação dos retornos do mercado durante um período especificado).

Mas deixando a matemática de lado, como o entendimento dele pode te ajudar? Vou citar três exemplos. Lembrando que o Beta usa dados passados e não pode ser encarado como regra ou determinante de retorno futuro. 

  • Ação que possui um Beta 1: ação tende a oscilar igual ao mercado. Supondo uma queda de 10% do índice S&P500, a ação tende a cair 10%. Supondo uma alta de 10% do índice S&P500 a ação tende a subir 10%.
  • Ação que possui um Beta 2: ação tende a oscilar mais que o mercado. Supondo uma queda de 10% do índice S&P500, a ação tende a cair 20%. Supondo uma alta de 10% do índice S&P500 a ação tende a subir 20%.
  • Ação que possui um Beta de 0.5: ação tende a oscilar menos que o mercado. Supondo uma queda de 10% do índice S&P500, a ação tende a cair 5%. Supondo uma alta de 10% do índice S&P500 a ação tende a subir 20%.
  • Ação que possui um Beta negativo: grosso modo significa que a ação ou título em questão anda de forma oposta ao mercado, ou seja, quando um sobe o outro cai em certa medida e vice-versa.

Ok, e por que eu falei tudo isso?

Para que você entenda que empresas possuem características diferentes e assim suas ações também. Tradicionalmente ações de tecnologia tendem a ser mais voláteis, ter um beta mais alto, ou seja, elas oscilam mais. Então ao montar uma carteira de investimentos muito carregada em empresas de tecnologia, saiba que deverá ver suas ações e, consequentemente seu patrimônio oscilar bastante.

E para acabar esse tópico, a razão para as empresas de tecnologia serem mais voláteis reside na característica do seu negócio que muda muito rápido e isso afeta as perspectivas de lucratividade das empresas. Nesse link você encontra uma lista com o Beta de diversas ações componentes do S&P 500 que tenham valor de mercado superior a US$2 bilhões.

RESULTADOS

Falando em lucratividade, até aqui a safra de balanços tem se mostrado positiva. Tivemos 54% das empresas do S&P 500 divulgando seus números, sendo que 79% bateram as expectativas de lucros e 80% superaram estimativas de receitas. Os lucros demonstram um crescimento de 24.8% na comparação anual, enquanto as receitas crescem 16.8% – fonte. Bem verdade que as margens de lucro no entanto mostram alguma retração frente ao 3T21.

Quer saber mais sobre os resultados? Nos acompanhe!

Temos feitos comentários diários em nosso canal de Telegram. Não só isso, postamos outra série de informações!

Acesse e confira.

Ou ainda se você prefere ler sobre os resultados de uma forma compilada e segregada por setores, baixe o nosso report clicando aqui.   

avenue

Para quem quer saber o que se passa no dia a dia do mercado americano, não deixe de acessar nosso Bom Dia USA, um relatório com todas as informações relevantes do mercado.

Acesse.

FEVEREIRO SERÁ MELHOR?

Não tenho bola de cristal, mas penso que sempre podemos aprender algo com o passado. Análise interessante de Damanick Dantes, CMT da Cannon Advisors, mostra que estatisticamente entramos num período de recuperação do mercado, vide gráfico abaixo. Segundo ele estaríamos entrando num momento sazonal de recuperação, tendo mais meses positivos do que negativos quando olhamos os últimos 20 anos.

Como disse, não há como saber, mas vamos discutir esses e outros assuntos em nosso Conexão Avenue na segunda-feira (07/02) no canal de YouTube da Avenue, onde vamos falar da Cena Macro para fevereiro e o impacto sobre os seus investimentos.

NÃO TENHA MEDO DOS JUROS

Para acabar gostaria de contrapor um ponto atualmente muito presente nos comentários sobre o desempenho da bolsa americana. O grande receio dos aumentos de juros e seu impacto nos mercados. De fato, temos visto os juros impactando no curto prazo…, mas é interessante notar que olhando o histórico e ampliando o horizonte de análise os aumentos de juros não foram tão penosos assim para o mercado. O gráfico abaixo apresenta oito ciclos de altas nos juros americanos desde a década de 70. Entendo que o interessante aqui é notar que o desempenho das ações não foi ruim.

Análise semelhante foi feita por Denise Chisholm (Director of Quantitative Market Strategy da Fidelity) que mostra que em qualquer horizonte de um ano, as elevações de juros foram melhores para os mercados do que a flexibilização – gráfico da direita considerou dados desde 1990. 

Como disse, não sabemos o futuro, mas espero que essas análises te ajudem em seus investimentos!

Para mais informações e análises nos sigam nas redes sociais – Twitter e Instagram.

Era isso,

Aquele abs.

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