Onde estamos e para onde vamos com esse mercado?

A economia americana pode seguir, pelos próximos 2 a 3 meses, apresentando sinais dúbios, ora mostrando certo aquecimento, ora desaceleração

CONCLUSÃO

Vou começar esse texto invertendo a lógica básica e começar pela conclusão, que é o resumo das minhas análises, aquilo que penso sobre o mercado.

Penso que a economia americana pode seguir, pelos próximos 2 a 3 meses, apresentando sinais dúbios, ora mostrando certo aquecimento, ora desaceleração. Pode ser só uma questão de tempo até que a queda da confiança dos agentes, os aumentos de juros e a passagem do verão do hemisfério norte faça efeito no grande espectro de todos dados econômicos.

Nesse cenário base, com uma inflação relutante em ceder, o FED não deve arrefecer sua política e retórica de aperto monetário para as próximas reuniões. Com juros em alta, uma economia que desacelera e um earnings season que pode reforçar esse receio com uma possível recessão, entendo que seja plausível supor ou esperar que ainda teremos momentos difíceis para o mercado acionário e de bonds.

Isso é ruim por um lado (para quem já tem seus investimentos dolarizados), bom por outro, porque propicia a montagem de uma carteira global a preços possivelmente mais atrativos.

Para os que temem uma recessão nos EUA, penso que a aversão a risco global vista recentemente (índices de volatilidade ainda em patamares elevados) fez pesar sobre as moedas emergentes e contra o real não foi diferente, só reforçando a importância de uma alocação global mesmo num cenário de recessão.

Mas agora vamos discorrer e mergulhar um pouco nos dados e sobre o que temos visto acerca do mercado americano tentando tatear e descobrir onde estamos e onde podemos chegar.

MAIS UMA VEZ A INFLAÇÃO E OS JUROS SENDO CRIPTONITA PARA O MERCADO

Entra mês e sai mês temos visto dados de inflação maiores que o esperado pelo mercado. Uma inflação que bate recordes e renova máximas. Não foi diferente nessa semana. A inflação americana alcançou 9,1% de alta ante 2021 e 1,3% ante maio, ficando acima das expectativas de 8,8% e 1,1% respectivamente. Os preços de alimentos e energia seguiram sendo os vilões dessa inflação. Mas fora isso o núcleo da inflação que expurga efeitos considerados transitórios também veio alto (+0,7% vs 0,5% esperado) e fatores como habitação e o setor de serviços também seguem apresentando uma inflação elevada. O outro dado de inflação, o PPI (inflação ao produtor), também foi outro que veio acima do esperado.

Apesar de alto e de assustarem, as expectativas acerca dos dados de inflação já vinham sendo ajustadas nas últimas semanas, incorporando que junho poderia ser o um novo pico. A respeito disso só sabemos que somos incapazes de definições.

Mas é um fato que afetou mercado essa semana.

CUIDADO COM O RETROVISOR
Os dados de inflação são deveras importantes, mas também não devem ser superestimados. Não me entenda mal, a inflação preocupa, mas vocês já viram o que aconteceu com os preços de petróleo e de grãos nas últimas semanas?

Ou seja, houve uma correção de cerca de 20% ao menos quando olhamos numa janela de um mês, isso poderia retirar certa pressão sobre o dado de inflação do próximo mês. E se isso for verdade, será que não veríamos esfriar as apostas de juros mais altos?

RECESSÃO A VISTA?
Mais e mais o termo recessão te se feito presente no noticiário da economia americana. Não há uma resposta. Diversos modelos de diferentes bancos ou casas de análise mostram que a economia americana caminha para uma recessão. Nessa semana o livro Bege do FED mostrou que diversas regiões dos EUA observaram preocupações com o aumento do risco de recessão e que grande parte do país viu um recuo nos gastos do consumidor. Em sua divulgação de resultados, Jamie Dimon, CEO do maior banco (JP Morgan) alertou para os vários riscos da economia:

Sobre recessão existem mais dúvidas que respostas. Vamos ter de fato recessão? E se sim, qual será sua magnitude e duração?

Em meio muitas dúvidas o mercado vai precificando à frente, o que é normal. Postei um gráfico que compara a variação do S&P 500 com a o dado do ISM Manufacturing. Vemos que na antecipação de uma desaceleração e contração da atividade industrial, o índice de ações já caiu.

E assim como a economia, o mercado é cíclico. O Weekly S&P500 ChartStorm de Callum Thomas trouxe uma provocação interessante, segundo ele o mapa de ciclos de mercado, de uma forma geral, levanta uma curiosidade: será que já não teríamos visto um ciclo completo nesse movimento de queda por conta da Covid, recuperação e atuais novas quedas? Segundo Callum Thomas, em ciclos de mercado, normalmente, vemos o mercado de bonds atingir suas máximas, depois temos pico em ações e, por último, em commodities.

DOLAR x EURO x REAL
Outro “evento” que marcou a semana e vale ser pontuado foi a escalada do dólar contra outras moedas, em especial o euro. O DXY (índice dólar) acumula cerca de 17% de alta em 12 meses e contra o euro essa variação foi ainda maior. A relação atinge a mínima de 20 anos e o cenário de desaceleração e inflação que o velho continente atravessa acaba por ceifar 2 primeiros-ministros – depois de Boris Johnson na Inglaterra, Mario Draghi renuncia na Itália.

Com relação a isso temos visto que o cenário de desaceleração global e queda das cotações de commodities se fez sentir na percepção de risco de países emergentes como o Brasil – obviamente que a isso se somam temores com eleição e situação fiscal do país. A curva de juros de 10 anos no Brasil seguiu subindo assim como o CDS brasileiros. Esse aumento da percepção de risco pode explicar a alta do dólar frente ao real mesmo em um cenário onde se discute uma possível recessão nos EUA.

MENOS BRILHO NO OURO?
Outra coisa que me chamou atenção foi a queda do ouro. Aqui confesso que preciso pesquisar mais sobre. Mas para não tornar esse podcast enfadonho, me atenho apenas a chamar atenção para queda. 2022 tem sido realmente um ano desafiador.

Era isso pessoal. Me sigam nas redes sociais para mais análises como essa – @willcastroalves, no Twitter ou Instagram.
Aquele abraço!
William Castro Alves

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