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Diário de Bordo: Investimentos e nós

O longo prazo mitigará os riscos de cenários adversos e dará tempo para os nós se desatarem

O longo prazo mitigará os riscos de cenários adversos e dará tempo para os nós se desatarem

“O problema não é o problema. O problema é sua atitude sobre o problema. Entende?”
Capitão Jack Sparrow

Em uma vida passada escrevi sobre o nó górdio. Era setembro de 2015, antes do impeachment de Dilma, a Bolsa estava em torno de 45 mil pontos e era difícil de enxergar uma luz no fim do túnel. Poderia ter escrito também sobre isso naquela situação sóbria do fim de 2008. Ou no caos de 2002. Minha trajetória no mercado só começou em 1997. Antes disso, tivemos inúmeros percalços. E a História se repete.

Diz a lenda que, no século VIII a.C., o rei da Frígia (região centro-oeste na antiga Ásia Menor, atualmente Turquia) morreu sem deixar herdeiros. Ao ser consultado, o Oráculo anunciou que o sucessor chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi cumprida por Górdio, um camponês, que prontamente foi coroado. Para não esquecer de seu passado humilde, ele colocou a carroça no templo de Zeus e a amarrou a uma coluna com um nó impossível de ser desatado.

Quando Górdio morreu, seu filho Midas assumiu. Sim, aquele Midas do toque de ouro. Mas essa é outra história. No fim, Midas trouxe prosperidade ao seu reino, mas morreu sem deixar herdeiros. Novamente o Oráculo entrou em ação e declarou que quem desatasse o “nó de Górdio” governaria não só a Frígia, mas toda a Ásia Menor.

Durante séculos, o nó górdio desafiou todos os esforços de reis a guerreiros até que, em 334 a.C., Alexandre, rei da Macedônia, no início das suas conquistas, ficou intrigado com o enigma ao passar pelo local. Após curta análise, cortou o nó facilmente com sua espada, desatando-o. Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor alguns anos depois fazendo jus ao título “o Grande”.

É dessa lenda que deriva a expressão “cortar o nó górdio”, metáfora para resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz.

O Brasil já superou diversas crises e desatamos nós por mais complexos que fossem. Muitas vezes com métodos errados ou por tentativa e erro. Mas a solução de alguma maneira é atingida e a vida continua.

Nosso nó górdio atual é a dificuldade em colocar em movimento as soluções para nossos eternos problemas econômicos. Estamos perto, evoluímos muito nos últimos 30 anos. Não há comparação com a nossa fragilidade econômica do começo do século.

Mas infelizmente a política está sendo um dos maiores obstáculos. Além de atrapalhar a pauta econômica diretamente, afeta também o sentimento, que por sua vez faz a situação parecer muito pior do que realmente está.

E o mercado financeiro, ditado por seus agentes, se alimenta de sentimento no curto prazo. O medo é natural nessas horas e se acentua nas realizações. Cuidar de dinheiro é algo muito sensível. Nessas horas, o que me dá tranquilidade (inclusive para meus investimentos pessoais) não é só a experiência passada de outros éons, mas também o conhecimento de saber investir corretamente. Neste mundo de imediatismo, temos que entender que não existem milagres, e o tempo é nosso aliado na hora de investir.

Mas precisamos aqui definir o que é investir. Investir não é especular. Uma vez, em uma festa de família, fui surpreendido pelo comentário: “Meu tio também gostava de jogar na Bolsa!”. Já tinha ouvido essa expressão antes, mas não consigo me acostumar com ela. É importante destacar que o investimento em ações não deve ser considerado um jogo nem uma brincadeira. E é apenas uma opção “gostar”.

Comprar ações na Bolsa de Valores significa entrar de sócio em um negócio já estabelecido. Como sócio, você é remunerado pelos resultados da empresa. Ou pelo pagamento de dividendos ou pelo ganho de capital com o crescimento da empresa se os proventos forem reinvestidos. O risco aqui é a empresa deixar de dar lucro.

Já na renda fixa você “empresta” seu dinheiro (ao governo, bancos, empresas) por uma remuneração pré-estabelecida. A precificação diária dos papéis, a famosa “marcação a mercado”, pode trazer volatilidade ao valor atualizado, mas o resultado é positivo. O principal risco é se o devedor não pagar, o famoso “default”.

Podemos adicionar também aqui os rendimentos de imóveis alugados, ou diretamente ou por meio de fundos imobiliários. Aqui temos dois riscos principais: vacância e inadimplência.

Em suma, a receita do sucesso é uma estratégia de investir nesses tipos de ativos para o longo prazo e de forma diversificada. Esses ativos geram retorno. O longo prazo mitigará os riscos de cenários adversos e dará tempo para os nós se desatarem. E diversificar serve para diminuir os riscos específicos das empresas investidas, sobrando apenas o risco do “mercado”, que tem um potencial retorno positivo nesse longo prazo.

Se você acertar a composição de modo a “casar” com seu perfil de investidor, o movimento de curto prazo na sua carteira não te deixará apreensivo, e você conseguirá manter seu rumo para um horizonte mais longo.

“Outubro: esse é um dos meses peculiarmente perigosos para especular em ações. Os outros são julho, janeiro, setembro, abril, novembro, maio, março, junho, dezembro, agosto e fevereiro.”
– Mark Twain

E, nesta quinta-feira especial, hoje o Diário de Bordo ganhou uma narrativa diferente. E não apenas a que você acabou de ler, que, aliás, espero que tenha gostado. Hoje quem fala aqui é o Kiki. Como o Jojo já havia comentado na semana passada, hoje é o Yom Kipur, Dia do Perdão, por isso ele me passou a caneta nesta semana. Vou confessar para vocês: às vezes eu gosto de fazer participações especiais por aqui.

Leia o Diário de Bordo na íntegra:  clique aqui. 

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