São Paulo, outubro de 2026 – Em dias de forte volatilidade, como o primeiro pregão após a reeleição de Lula, a melhor decisão do investidor é não decidir nada. A avaliação é de Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, em entrevista ao InfoMoney publicada nesta terça-feira (27). Segundo ele, num dia como esse, o mais sensato é “desligar o home broker e o telefone”, e quem age no calor do momento tem grande chance de errar.
Na última segunda-feira (26), o Ibovespa despencou quase 14% e o dólar fechou a R$ 5,40, depois de encerrar a sexta-feira abaixo de R$ 5. Em entrevista ao InfoMoney, Cao avaliou o movimento da Bolsa, que havia subido de cerca de 177 mil para 210 mil pontos com o otimismo pró-mercado e voltou ao patamar anterior. Para ele, é mais uma devolução de expectativas do que a precificação de um cenário catastrófico. No câmbio, lembrou que o fluxo é a variável decisiva e que o diferencial de juros, perto de 15,5%, segue atraindo o capital estrangeiro. O rumo de médio prazo, disse, dependerá das sinalizações do Banco Central e da Fazenda.
Trade, não investimento
O ponto central da entrevista ao InfoMoney é a diferença entre diversificar e fugir. Para o CIO da Gama, quem leva recursos ao exterior nesta semana, movido pelo susto, está fazendo uma operação de curto prazo, não um investimento. Ele alerta para a “operação sanfona”: comprar dólar caro no desespero, vender quando a moeda cai e voltar ao Brasil.
A diversificação, defendeu, deve ser uma política de investimento estrutural, montada aos poucos e sem ser tratada como bala de prata. Como argumento, Cao citou os próprios americanos, que mantêm mais de 20% dos investimentos fora do país mesmo com a economia mais dinâmica do mundo. Na semana da eleição, NTN-B, Bolsa e real perderam valor juntos, enquanto o crédito e as ações no exterior não reagiram ao evento.
Quanto alocar
Ao InfoMoney, o executivo afirmou que não há receita única, mas que manter menos de 20% no exterior “está errado quase por definição”. A sugestão é começar replicando lá fora o perfil de risco que o investidor já tem no Brasil e, conforme a sofisticação, avançar para fatias de 50% ou até 80%. Entre as classes citadas estão crédito privado, private equity, hedge funds e Bolsa com gestão ativa, como forma de escapar da concentração do S&P 500 em tecnologia.
Questionado pelo InfoMoney se a Gama se beneficiaria do discurso, Cao rejeitou o “eu avisei” e afirmou que, no longo prazo, uma carteira diversificada tende a se comportar melhor. “Em algum momento, a conta chega”, disse.







