Ex-executiva de Pátria e Vinci, onde participou da captação de USD 4 bilhões em veículos de private equity, real estate e infraestrutura, aposta em um modelo independente e tailor-made de RI para gestores de ativos alternativos — e amplia a atuação para conectar capital brasileiro e internacional
Depois de mais de duas décadas no mercado financeiro, Gabriela Medina Wickert transformou sua experiência com gestores, investidores e fundos em um novo modelo de consultoria. Com passagens pela ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital) e por Pátria e Vinci — onde participou da captação de USD 4 bilhões em veículos de private equity, real estate e infraestrutura —, a executiva está à frente da LMW Consult e aposta no conceito de Relações com Investidores como Serviço (IR as a Service).
A tese da LMW é simples de enunciar e difícil de executar: não existe manual único de RI. Cada gestor tem uma tese, um estágio de maturidade, uma base de investidores e um momento de captação distintos — e a estrutura de relacionamento precisa refletir isso. Por isso a consultoria trabalha com soluções desenhadas caso a caso, e não com pacotes padronizados.
“O que funciona para um gestor emergente levantando o primeiro fundo institucional não é o que funciona para uma casa consolidada abrindo um novo veículo ou entrando em um mercado novo”, afirma Gabriela. “Nosso ponto de partida é sempre entender a demanda específica do cliente e construir a estrutura a partir dela.”
Na prática, a LMW atua próxima aos gestores na construção de narrativas, posicionamento institucional, relacionamento com investidores, desenvolvimento de pipeline e estratégias de fundraising e alocação de capital. A empresa também oferece suporte em CRM, data room, governança de materiais e acompanhamento comercial, além de projetos especiais como reposicionamento institucional, entrada em novos mercados e preparação para novos fundos. O escopo é modular: o cliente contrata a profundidade que precisa, no tempo que precisa.
Esse desenho se estende à própria estrutura da consultoria. Todos os mandatos são liderados diretamente pela executiva e seu time. Mas não descarta formar associações com outros parceiros — no Brasil ou no exterior — quando uma oportunidade específica comporta presença conplementar. “Prefiro montar a estrutura em torno do mandato de forma customizada a encaixar o mandato em uma estrutura fixa”, diz.
Capital em duas direções
A executiva também aposta no movimento internacional de capitais. Atualmente, a LMW mantém mandatos de gestores internacionais interessados em business development no Brasil e, no sentido inverso, trabalha com gestores brasileiros que buscam acessar investidores no exterior.
“Acredito muito no aumento da internacionalização dos investimentos de brasileiros e ele exige um trabalho de tradução — de tese, de track record, de governança — que é bem diferente conforme a origem do gestor”, afirma Gabriela. “No fluxo oposto, tenho mandatos de gestores brasileiros acessando o mercado internacional, o que pede outro tipo de preparação.”
Em outubro, a LMW Consult participará de eventos em Nova York e Amsterdã para aprofundar relacionamentos com investidores e parceiros no exterior — um movimento alinhado ao retorno gradual do capital global ao Brasil e às oportunidades que esse ciclo pode gerar nos mercados privados.
Além dos fundos
O próximo passo da LMW pode levar a consultoria para além dos gestores. Gabriela está estruturando uma oferta voltada a startups e empresas de médio porte, aproveitando a experiência acumulada em acesso a capital, desenvolvimento de negócios e conexões internacionais.
A executiva já teve experiência nesse tipo de agenda: participou de um programa da Apex-Brasil voltado ao apoio de startups de Israel, Singapura e Japão interessadas em realizar soft landing no mercado brasileiro. Agora, a intenção é estruturar uma frente mais permanente.
O movimento amplia a tese da LMW: de uma consultoria focada na relação entre gestores e investidores para uma plataforma de conexões entre capital, gestores e empresas, com atuação no Brasil e no exterior.
“A ideia é construir uma estrutura que consiga acompanhar o cliente de forma muito próxima, desde o posicionamento até a execução — e que se adapte a ele, não o contrário”, resume Gabriela.







