Mercado de capitais bate recorde de R$838 bilhões, mas custos ocultos ainda limitam eficiência do crédito privado

E-book da ABToken e AmFi aponta que a atual estrutura operacional do crédito privado, marcada por múltiplas camadas de validação, ainda gera custos relevantes para as operações

O mercado de capitais brasileiro encerrou 2025 em ritmo acelerado. Segundo dados da ANBIMA reunidos no e-book “O Custo Invisível do Crédito”, lançado pela Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken) e pela AmFi, as ofertas públicas alcançaram R$838,8 bilhões, o maior volume já registrado no país. Desse total, R$737,7 bilhões foram concentrados em renda fixa, reforçando o protagonismo do crédito privado como instrumento de financiamento para empresas brasileiras.

O avanço também foi observado em diferentes segmentos do mercado. As emissões de títulos de dívida corporativa, incluindo debêntures, notas comerciais e notas promissórias, somaram R$544,8 bilhões em 2025. Já os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$90,8 bilhões, enquanto as debêntures incentivadas alcançaram R$178 bilhões, crescimento de 31,7% em relação ao ano anterior.

Apesar do crescimento expressivo, o estudo chama atenção para a infraestrutura operacional que sustenta o mercado de crédito privado, que ainda é marcada por múltiplas camadas de intermediação, processos de validação redundantes e sistemas fragmentados.

O material também aponta que a tokenização surge como uma das principais ferramentas para enfrentar desafios. Ao utilizar tecnologias baseadas em contratos inteligentes, é possível automatizar etapas operacionais, aumentar a rastreabilidade dos ativos e reduzir a necessidade de validações repetitivas ao longo da cadeia.

A publicação destaca ainda que o avanço do tema vem sendo acompanhado por movimentos regulatórios relevantes. Entre eles estão a modernização da Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as discussões sobre registro de ativos estruturados, iniciativas da ANBIMA voltadas à interoperabilidade de dados e o desenvolvimento do Drex pelo Banco Central.

Para Regina Pedroso, diretora executiva da ABToken, o momento é favorável para acelerar a modernização da infraestrutura financeira brasileira: “Hoje já temos evidências concretas do impacto positivo da tokenização e do avanço das fintechs na modernização dos serviços financeiros. Onde há inovação, há solução. O próximo passo é garantir que a evolução regulatória acompanhe a velocidade da tecnologia.”

A executiva acrescenta que a discussão sobre tokenização deixou de ser apenas tecnológica e passou a ocupar um espaço estratégico nas agendas de transformação do mercado de capitais.

Produzido em coautoria pela ABToken e pela AmFi, o e-book defende que o principal desafio para a expansão sustentável do crédito privado, além de ampliar a disponibilidade de capital, é reduzir as fricções estruturais que encarecem operações e limitam ganhos de eficiência.

O e-book “O Custo Invisível do Crédito” foi lançado nesta quarta-feira (10) e está disponível gratuitamente para profissionais do mercado financeiro, investidores, reguladores e demais interessados na transformação digital do sistema financeiro brasileiro.

Baixe o e-book através do link: https://abtoken.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ABTOKEN-Manual-Custo-Invisivel-Credito2A.pdf 

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