São Paulo, 30 de outubro de 2025 – A inclusão financeira na América Latina continua melhorando, mas sinais de desaceleração estão surgindo, de acordo com o Global Financial Inclusion Index 2025 da Principal Financial Group® e do Centre for Economics and Business Research (Cebr).
Globalmente, a inclusão financeira se estabilizou após dois anos de ganhos significativos. Em sua quarta edição, o índice examina como governos, sistemas financeiros e empregadores promovem níveis mais altos de inclusão financeira em 42 mercados. O relatório oferece uma avaliação abrangente e comparativa da inclusão financeira em escala global, classificando os mercados tanto de forma relativa quanto absoluta.
A pontuação geral da América Latina subiu para 44,7, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento, embora o aumento tenha sido modesto, apenas 0,1 ponto, em comparação com o crescimento mais forte dos anos anteriores.
O apoio dos empregadores à inclusão financeira caiu na maioria das economias da região, refletindo o padrão global de incerteza empresarial causada por mudanças geopolíticas e comerciais. Enquanto as pontuações de apoio do sistema financeiro e dos empregadores diminuíram, a pontuação de apoio governamental subiu 0,9 ponto, impulsionada por medidas como reformas previdenciárias na Argentina e iniciativas de proteção ao consumidor no Chile e no Peru.
Destaques regionais
O Brasil se destacou como líder regional em infraestrutura financeira digital com o Pix, com aumento de 19,3 pontos desde 2022. O México permanece entre os dez últimos colocados, e o Chile apresentou ganhos modestos apoiados por reformas e políticas de proteção ao consumidor.
Apesar das melhorias, a percepção dos consumidores sobre a inclusão financeira caiu nos seis mercados latino-americanos analisados – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru -, com uma queda média de 8,8 pontos. Ainda assim, há sinais de progresso, já que a maioria dos mercados relatou uma melhora na percepção sobre o apoio dos governos e dos sistemas financeiros à inclusão, sugerindo que reformas institucionais estão começando a surtir efeito, mesmo que a confiança dos consumidores ainda não reflita isso completamente.
Marcela Rocha, economista-chefe da Principal Asset Management América Latina, comentou:
“Estamos vendo um verdadeiro impulso na história da inclusão financeira da América Latina, especialmente em mercados que estão adotando a inovação em fintechs. A rápida expansão do Pix no Brasil revolucionou o acesso a serviços financeiros, enquanto as reformas digitais nas aposentadorias da Argentina estão ajudando a modernizar sua infraestrutura financeira. Esses avanços não estão acontecendo de forma isolada. Governos de toda a região estão implementando políticas de proteção ao consumidor e marcos regulatórios que apoiam a inovação e a inclusão. Juntos, tecnologia e políticas públicas estão ajudando a criar condições para um acesso financeiro mais equitativo.
Apesar de reformas políticas significativas, a região continua enfrentando retrocessos – particularmente no apoio por parte dos empregadores. Essa tendência provavelmente reflete as condições econômicas mais difíceis que muitos países latino-americanos estão enfrentando. Mas, até que os empregadores desempenhem um papel mais ativo, não veremos mudanças significativas na inclusão como um todo. O apoio liderado pelos empregadores é essencial para que as pessoas vivenciem a inclusão financeira no seu dia a dia.
Olhando para o futuro, para acelerar a inclusão financeira, os mercados da América Latina precisam enfrentar tanto as fragilidades sistêmicas quanto as lacunas de confiança dos consumidores. A região tem oportunidades claras de avançar, se conseguir escalar modelos já comprovados e investir em reformas estruturais fundamentais.”







