São Paulo, julho de 2025 – Estudo encomendado pela Zetta, associação que representa empresas de meios de pagamento digitais, em acordo de cooperação com o Banco Central do Brasil, revela que o Pix se destaca entre os principais Sistemas de Pagamentos Instantâneos (SPIs) em operação no mundo quando consideramos indicadores como número de transações per capita e volume transacionado em relação ao PIB. A análise indica ainda que o sucesso do Pix é resultado de decisões acertadas em três frentes principais: governança, políticas públicas e tecnologia.
De acordo com o estudo, conduzido pelo think tank Labrys, no último trimestre de 2024, o Pix movimentou mais que o dobro do PIB brasileiro, à frente de outros modelos internacionais já consolidados. O Banco Central do Brasil (BCB) liderou a discussão assumindo o papel de gerente de projeto. No entanto, essa atuação não foi isolada, já que o BCB abriu espaço para a participação ativa do mercado, especialmente das fintechs, que desempenharam papel essencial tanto na construção quanto na disseminação do sistema.
“O Brasil conseguiu, com o Pix, atingir algo que poucos países alcançaram: unir inclusão, escalabilidade e eficiência com uma governança central sólida. O estudo que produzimos visa justamente ressaltar os acertos do Banco Central do Brasil para apoiar outras jurisdições que queiram seguir esse caminho”, conclui Rafaela Nogueira, economista-chefe da Zetta.
O estudo destaca ainda a rapidez com que o Pix alcançou cobertura nacional e seu potencial de integração com serviços públicos, sociais e financeiros. Desde sua criação, em 2020, mais de 20 milhões de brasileiros foram incluídos no sistema financeiro, contribuindo para a redução da informalidade e para maior inclusão digital. Em apenas seis meses de operação, metade da população bancarizada do país já havia utilizado o Pix ao menos uma vez, refletindo uma rápida adoção. Atualmente, mais de 95% dos adultos e cerca de 84% das empresas estão conectados à ferramenta. Entre os pequenos negócios, 97% aceitam Pix, e quase metade deles o considera seu principal meio de recebimento.
O Pix como inspiração global: impacto em outros países
Alguns países, como Índia, Austrália, México e Tailândia, também desenvolveram SPIs nos últimos anos, mas ainda enfrentam desafios para alcançar a escala e o impacto do Pix. Nenhuma delas conseguiu até agora replicar a combinação de escala, velocidade de adoção e inclusão promovida pelo modelo brasileiro.
Na Índia, o UPI (Unified Payments Interface), criado em 2016, é o maior SPI do mundo em números absolutos, mas já fica atrás do Pix quando considerada a diferença de tamanho da população e da economia dos dois países. Quatro anos mais novo que o UPI, o Pix já é mais de duas vezes maior em transações per capita e é quase três vezes mais relevante considerando o PIB de cada país. Já na Austrália, o NPP (New Payments Platform), lançado em 2018, permite liquidações em tempo real, mas o número de transações por pessoa ainda é reduzido, chegando a apenas 20% das transações per capita do Pix.
No México, o CoDi (Cobro Digital), lançado em 2019, aposta no pagamento por QR Code como ferramenta para ampliar a inclusão financeira. No entanto, o sistema ainda enfrenta baixa adesão entre consumidores e negócios. Na Tailândia, o sistema PromptPay foi lançado em 2017 e conta hoje com uma penetração impressionante, mas teve um crescimento mais lento que o Pix. Quando o PromptPay tinha a idade do Pix, suas transações per capita não chegavam à metade dos números atuais do Pix.
“O sucesso do Pix mostra o poder de uma infraestrutura pública, interoperável e centrada no usuário. Ao conectar diretamente todos os participantes do sistema financeiro e permitir pagamentos em qualquer lugar, a qualquer hora, para qualquer pessoa, o Pix reduziu barreiras, custos e estimulou a concorrência, beneficiando milhões de consumidores e empresas. Isso posiciona o Pix como modelo de referência para os SPIs em todo o mundo, um verdadeiro padrão ouro”, afirma Rafaela Nogueira, economista-chefe da Zetta.
Acesse esse e outros estudos da Zetta no site: https://somoszetta.org.br/estudos/
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil







