São Paulo (SP), 1º de agosto de 2025 – Após um mês de julho adverso que impactou ativos de renda variável no Brasil, analistas da Empiricus traçam um cenário positivo de reação para ações, BDRs e Fundos Imobiliários (FIIs) em agosto. Os relatórios mensais de recomendações assinados pelos profissionais da casa trazem ajustes pontuais e destacam novas oportunidades.
Na Carteira BDRs, saíram UnitedHealth e Dell Tecnologies, substituídas por Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSM) e Novo Nordisk. Já a Carteira Top 5 FIIs sugere a venda integral do RBR Alpha (RBRF11) para realocação dos recursos em HSI Malls (HSML11), enquanto, na Carteira de Dividendos, Fleury (FLRY3), cedeu lugar à Porto Seguro (PSSA3).
Já na Empiricus 10 ideias, a carteira de 10 ações foi mantida em relação a julho. “A correção de julho derrubou ações de qualidade, mesmo sem exposição à questão tarifária, com quedas que não refletem perdas reais de valor. Em momentos assim, o excesso de trading tende a ser prejudicial. Mantemos a carteira inalterada, focada em empresas rentáveis, em crescimento e bom momento operacional”, afirma a analista Larissa Quaresma.
O vice-presidente e co-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, afirma que segue enxergando assimetria positiva para a Bolsa brasileira. “Seja porque o valuation segue atrativo, seja porque o ganho de popularidade do governo com o tarifaço nos parece limitado ao curto prazo, seja porque mesmo com as incertezas tarifárias, para nós a probabilidade de a Selic voltar a subir é muito baixa”, disse.
Carteira 10 Ideais. A rotação global para emergentes continua válida, diante da busca por previsibilidade e diversificação geográfica, especialmente num cenário de incerteza comercial nos EUA, destaca a analista Larissa Quaresma.
Ela diz que o ciclo doméstico também favorece ativos de risco, citando a inflação de serviços, que começou a ceder, a expectativa de corte da Selic ainda em 2025, que ganhou força, e os sinais de desaceleração econômica, que reforçam a leitura de fim de ciclo.
“Com isso, espera-se um movimento duplo de valorização: primeiro pela expansão de múltiplos, depois pelo crescimento dos lucros corporativos. Após a correção de julho, com o Ibovespa negociando a múltiplos historicamente baixos, o ponto de partida é atrativo, e o melhor momento para se posicionar costuma ser antes do consenso comprar”, afirma Larissa Quaresma.
A Carteira 10 Ideias seguiu assim: Energisa, Suzano, Itaú, Petrobras, Eletrobras, Iguatemi, Porto, Localiza, Cosan e Grupo SBF.
Carteira de BDRs. A carteira assinada por Enzo Pacheco tirou a UnitedHealth, por questões internas, após a redução do guidance no resultado do primeiro trimestre de 2025, seguido pela saída do CEO, e Dell Tecnologies, para reduzir marginalmente a exposição em tecnologia, que teve um grande aumento no peso com outras ações, dado que o papel se valorizou mais de 85% desde as mínimas de abril.
Nos lugares desses papeis, Pacheco incluiu Taiwan Semiconductor Manufacturing e Novo Nordisk, ambas com 10% de participação. O analista destaca que a TMS, maior fornecedora de semicondutores de tecnologia avançada e praticamente indispensável para o desenvolvimento da tecnologia da Inteligência Artificial nos próximos anos, entregou resultados acima do esperado.
Sobre a entrada da Nordisk na carteira pela primeira vez, Pacheco destaca que se trata de uma opção mais pelo trade do que um investimento de longo prazo no atual momento.
Meta Plataforms ganhou presença, de 10% a 15%, após divulgação do resultado do trimestre, com aumento de mais de 20% nas vendas e de quase 40% no lucro por ação. Já AT&T perdeu espaço (de 15% a 10%), para liberar recursos para alocar em outros nomes mais atrativos no momento.
Seguem na carteira de BDRs da Empiricus: Alibaba (15%), Berkshire Hathaway (15%), Amazon (10%), Visa (10%), Baidu (5%) e Salesforce (5%).
Carteira de Dividendos. Mesmo em um mês adverso para ativos de risco de maneira geral, a carteira de dividendos da Empiricus performou bem, com a maioria dos ativos subindo no período, destaca Rodolfo Amstalden, analista responsável, vice-presidente e co-fundador da Empiricus.
Exemplo positivo da carteira em julho foi Fleury (FLRY3), avançou com rumores de que estaria em conversas avançadas para ser comprada pela Rede D’Or. Aproveitando a valorização desse papel, a Empiricus optou por trocar essas ações pelas de Porto Seguro (PSSA3), que apresentaram forte desvalorização no mês.
“Ainda temos muitas empresas baratas, geradoras de caixa e que pouco são impactadas pelos fatores negativos que surgiram em julho”, diz Rodolfo Amstalden.
A carteira de dividendos da Empiricus passa a ser composta por Itaú, Porto Seguro, Gerdau, B3 e Petrobras, todas com pesos iguais e, na média, dividend yield estimado para 2025 de 6,7%.
Carteira de FIIs. Para agosto, o analista da Empiricus Caio Nabuco de Araujo sugere a venda integral do RBR Alpha (RBRF11) e a realocação dos recursos no HSI Malls (HSML11). Com isso, a carteira Top 5 FIIs ficou assim: Alianza Trust Renda Imobiliária (ALZR11), Bresco Logística (BRCO11), HSI Malls (HSML11), Kinea Rendimentos (KNCR11), Mauá Capital Recebíveis (MCCI11).
Considerando os proventos pagos por cada um desses fundos nos últimos 12 meses, o dividend yield médio da carteira é de 10,8%.
Caio Nabuco de Araújo chama atenção do investidor para a crescente quantidade de movimentações entre gestores e fundos, sinalizando o início de um movimento mais estruturado de consolidação no mercado.
“Mais do que uma resposta à escassez de capital, ele reflete a busca por escala, eficiência e maior alinhamento estratégico por parte das gestoras. Para o investidor, é fundamental acompanhar de perto esses movimentos, avaliando caso a caso se há geração de valor ou apenas uma reconfiguração estrutural sem ganhos efetivos.
