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Tarifas dos EUA ao Brasil devem ter impacto limitado na economia, avalia Kinea

São Paulo, julho de 2025 – O novo decreto norte-americano que inclui tarifas de importação sobre produtos de países como Brasil, China e Índia causou preocupação inicial nos mercados. No entanto, a decisão final do governo dos Estados Unidos incluiu diversas exceções para itens brasileiros, como óleo combustível, o que reduziu significativamente a percepção de risco. Para Daniela Lima, economista da Kinea, os impactos para o Brasil devem ser moderados tanto na atividade econômica quanto na inflação.

“Nós dividimos o impacto em dois. Há o impacto na atividade econômica e inflação, e o impacto nos mercados. O impacto na economia é muito limitado. As exportações para os Estados Unidos como um todo representam 2% do PIB e agora tem várias exceções, como o óleo combustível. E tem vários produtos em que é possível triangular e enviar para outros lugares, como o café. Vemos um impacto pequeno, de 0,2 ponto percentual no PIB em 12 meses. Em relação à inflação, a questão é que tem um impacto dos bens que são produzidos e ficam aqui.”

No cenário externo, a reação do mercado financeiro também tem sido relativamente estável. A percepção de que o governo brasileiro não deve adotar retaliações contribuiu para um ambiente de maior previsibilidade.

“Já como o mercado vai reagir, isso depende se a tarifa vai escalar ou não, se o governo (brasileiro) vai reagir ou não. Quando as tarifas para o Brasil foram anunciadas, havia o risco de uma retaliação e o Trump dobrar. Mas o que tem se configurado é o cenário base de que não vai ter retaliação. A decisão de hoje surpreendeu positivamente com diversas exceções”, avalia Daniela.

Segundo a economista, o comportamento do câmbio e os efeitos indiretos sobre a inflação também reforçam a leitura de um impacto limitado no curto prazo.

“Nesse ambiente, o câmbio, que é uma variável que o BC olha, tende a ficar bem comportado. No momento que saíram as notícias, o câmbio teve uma dinâmica boa. Então os efeitos nos mercados tendem a ser limitados também. Não se espera depreciação do BRL.

E tem os efeitos (para a inflação) de quem produz aqui e não consegue enviar, como carnes. Se olhar os preços no atacado, têm caído, causando um efeito desinflacionário para o varejo e a inflação como um todo.”

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