Investir em títulos do Tesouro dos EUA ainda vale a pena? Para HMC Capital, com foco no médio e longo prazo, sim

As políticas tarifárias impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e suas recentes declarações críticas à postura do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) elevaram as discussões no mercado sobre a percepção de “excepcionalismo econômico” do país.

Nesse novo cenário em que os agentes mostram perda de confiança na maior economia mundial, a performance de ativos considerados como livres de risco e refúgio de investidores foi afetada: os títulos do Tesouro norte-americano, ou Treasuries, perderam valor e, consequentemente, suas taxas subiram, especialmente as de dez anos.

Para Rodrigo Aloi, chefe de pesquisa e estratégia da HMC Capital, mesmo com a maior incerteza no ambiente global e em relação à economia norte-americana, a exposição aos juros americanos ainda é interessante, considerando uma ótica de longo prazo – que deve ser o horizonte de uma carteira de investimentos diversificada e com uma parcela adequada de alocação em ativos internacionais.

“Mesmo com a recente desvalorização do dólar frente ao real, a moeda americana acumula quase 20% de valorização nos últimos três anos, o que, somado ao rendimento dos Treasuries, teria gerado retornos bastante competitivos para o investidor brasileiro em reais”, destaca Aloi.

Outra métrica para avaliar o retorno dos Treasuries, acrescenta, é por meio de investimentos com hedge cambial, que neutralizam a variação do dólar. “Nessa modalidade, o investidor se beneficia do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, atualmente próximo de 10% ao ano, o que eleva significativamente a rentabilidade em reais de ativos dolarizados, sem exposição cambial.”

Segundo o chefe de pesquisa e estratégia da HMC, a exposição aos juros americanos pode ser considerada por diferentes perfis de investidores brasileiros, por meio de fundos de crédito global, BDRs de ETFs e plataformas internacionais, indicadas para investidores qualificados.

“Investidores com perfil de risco moderado e arrojado com visão de médio e longo prazo, que estejam confortáveis com a oscilação cambial, e conservadores podem considerar a exposição aos Treasuries. Neste último caso, se optarem por versões com hedge cambial”.

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