O que vai determinar se a atual tendência de queda expressiva das ações nos EUA será algo pontual ou o início de um período mais prolongado de “bear market” é o efeito das tarifas nos indicadores da economia norte-americana. A avaliação é de Rodrigo Aloi, chefe de pesquisa e estratégia da HMC Capital, que recomenda cautela e paciência ao investidor que possui exposição à renda variável do país. Agora também não seria oportunidade para “comprar na baixa”, visando uma futura valorização, acrescenta ele.
“O momento é de muita imprevisibilidade e o mercado está procurando um ‘novo normal’, um novo nível de preços. Talvez a correção esteja longe do fim”, diz Aloi. Após dois anos de alta de cerca de 20% do S&P500, os ‘valuations’ estavam muito esticados, aponta o especialista, principalmente no setor americano de tecnologia. “O mercado estava esperando um gatilho para esta correção dos preços, que veio na forma de tarifas”.
Segundo Aloi, agora o investidor que tem parte de seu portfólio alocado em renda variável norte-americana precisa ficar atento aos impactos do “tarifaço” imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na economia do país. Os fundamentos macroeconômicos são os fatores que deveriam ditar a performance do mercado de ações, e essa correlação se verifica no longo prazo, explica o chefe de pesquisa da HMC.
“O mercado entrou em modo de pânico. Os agentes entenderam que Trump não estava fazendo somente um jogo de negociação ao anunciar as tarifas. Mas é preciso dissociar os fundamentos macro dessa correção de curto prazo”, pondera. “Este é o momento mais sensível do mercado, e relatórios e estimativas sobre o impacto das tarifas são suposições e projeções de possíveis cenários. Há muita incerteza”.
A questão que o mercado precisa avaliar é o efeito de todas as tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA no nível de atividade e na inflação do país, destaca Aloi. Até então, o cenário era o de “excepcionalismo” norte-americano, com comportamento sólido dos indicadores de atividade e índices de inflação resilientes e acima do que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) gostariam, porém sob controle.
“Temos que observar o quanto as tarifas vão cobrar em termos de desaceleração econômica e aumento da inflação. Isso vai ditar se a correção atual vai durar duas, três semanas, ou 6 a 12 meses”, diz. “Se a inflação sair de rota e o crescimento desacelerar de maneira relevante, o ‘bear market’ pode perdurar”.
