A Melver, edtech que prepara profissionais para o mercado financeiro, realizou mais uma edição da imersão presencial do MBA Assessoria de Investimento. Na edição de 2025, organizada por Daiane Gubert, head de assessoria de investimentos da empresa, duas turmas do curso, com alunos de todo o Brasil, conheceram a B3, bolsa de valores sediada em São Paulo. Eles ainda participaram de uma tarde de conversas com referências do mercado financeiro. Desde gestores a assessores de investimentos, os convidados analisaram o cenário micro e macroeconômico no Brasil e no exterior e ainda deram perspectivas sobre o mercado de assessoria de investimentos.
Tendências no mercado financeiro:
Paulo Bokel, head de crédito privado da Absolute Investimentos, abriu o evento analisando o mercado de crédito privado no Brasil. O convidado afirmou que o setor tem avançado no país, mas ainda enfrenta desafios devido à preferência dos investidores pelo CDI e à desconfiança em relação à volatilidade dos fundos.
A maior negociação no mercado secundário dos últimos anos foi o que provocou tais oscilações nos fundos de crédito privado, o que, embora visto com desconfiança, é um sinal positivo de amadurecimento do setor.
Ele explicou que, enquanto nos EUA a volatilidade é natural, no Brasil os investidores ainda preferem retornos previsíveis, evitando títulos atrelados ao IPCA. Bokel, então, apontou que para um crescimento sustentável, é essencial que os investidores brasileiros desenvolvam uma visão de longo prazo e adotem uma carteira diversificada. A taxa de juros elevada e a isenção fiscal de determinados papéis, como debêntures incentivadas, criam oportunidades interessantes, mas muitos investidores ainda estão presos à segurança do CDI.
O head de crédito ainda citou os setores que devem se destacar ainda mais nesse mercado em 2025: elétrico e bancos. Ele também afirmou que evita os setores de construção civil e saúde.
Raphael Figueiredo, estrategista de renda variável da XP, foi o segundo painelista do dia e destacou as principais oportunidades da bolsa. Ele ressaltou que mesmo companhias endividadas são bem vistas pelo mercado, pois muitas dessas empresas possuem receita em dólar, atuando como um hedge natural. Um exemplo é a Weg, reconhecida por qualidade e solidez, mesmo com maior endividamento, devido ao baixo risco de crédito.
Figueiredo ainda destacou que nos últimos anos, o mercado sofreu com poucas ofertas primárias e com a redução no volume de negociações no mercado secundário. O ambiente de juros elevados também reduziu a atratividade da bolsa, especialmente para investidores mais conservadores.
Dentro desse cenário, o estrategistas de renda variável afirma que a diversificação é essencial, pois as oscilações do mercado tornam arriscado apostar em um único ativo. Muitos investidores ainda concentram suas carteiras em poucas ações sem o planejamento adequado, o que reforça a importância do assessor e do broker na tomada de decisão, concluiu Figueiredo.
Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP, também participou do evento e reforçou o mantra da diversificação de portfólio. Segundo ele, esse é o segredo para uma alocação com retornos sólidos a longo prazo.
Sgavioli também disse que um cenário inflacionário e com altas taxas de juros por todo o mundo afastará os investidores de investimentos voláteis como criptos e ações e os aproximarão da renda fixa e de ativos de longo prazo, que oferecem boa rentabilidade. “No entanto, o desafio é a paciência para esperar o retorno desses investimentos, já que o ganho não é imediato”, destacou.
Ele ainda ressaltou a importância de se diferenciar risco de incerteza no mercado. Sgavioli explica que o risco pode ser calculado e atribuído a probabilidades, enquanto incerteza não pode ser prevista, nem mesmo com uma “bola de cristal”. Um exemplo é o ouro, que tende a se valorizar em momentos de incerteza, como crises econômicas ou guerras. No entanto, países estão comprando ouro para se protegerem de sanções e evitar a dependência do dólar.
Felipe Arslan, founding partner e investor relations na Vinland Capital, fechou as análises de mercado e ressaltou que, diante das incertezas econômicas locais, é essencial que os assessores de investimentos considerem oportunidades no exterior. “Ao se investir em dólar, uma moeda forte, o investidor está protegendo seu patrimônio. No exterior, as economias são mais estáveis do que localmente”.
Perspectivas para o mercado de assessoria de investimentos
Camila Pereira, head de private na Manchester Investimentos, trouxe seus 20 anos de experiência no mercado financeiro e na área de assessoria de investimentos e reforçou o olhar para o longo prazo. Segundo ela, além de alcançar resultados mais sólidos para os investidores, é fundamental construir uma relação de confiança visando esse período, sempre demonstrando resiliência e segurança aos clientes.
“Nessa onda de mudança que temos experimentado no mercado, uma das características que acredito ser muito importante é a adaptabilidade. Se você não se conecta nesse momento, você não humaniza o seu atendimento e se torna mais um. O que te diferencia é a técnica e conhecimento, que são fatores básicos, e a relação de confiança construída com o cliente”, afirmou Pereira.
Além do MBA de assessoria de investimentos, a Melver oferece diversos cursos voltados para certificações e formações de assessores de investimentos e brokers.





