Engenheiro de formação pela Universidade Federal de Minas Gerais, Bernardo Ribeiro é cofundador da Azos, insurtech criada em 2020. Em sua carreira, acumula passagens por Burger King, Woba e DHL, além de ter fundado a Zuli.
Adepto da praia, o mineiro pratica surfe e enxerga a tecnologia como um facilitador. Para Bernardo, criar um ambiente no qual as pessoas amem trabalhar é a verdadeira realização profissional. Confira a entrevista completa a seguir.
Qual a sua melhor memória de infância?
Sou o mais novo de três irmãos. Os melhores momentos da minha infância foram nossas férias, quando íamos todos para a praia, em Itajaí, Santa Catarina. Passávamos o Natal em família, era muito bom. Como sou mineiro, não tinha praia perto de onde eu morava, por isso, quando chegava lá, era a maior felicidade.
Um livro ou um filme que mudou sua vida.
A Startup Enxuta, do Eric Ries. Se não fosse esse livro, eu certamente não estaria fazendo o que faço hoje. Eu trabalhava no mundo corporativo e resolvi abrir uma empresa em paralelo. Fiz tudo errado, gastei no que não devia, contratei pessoas inadequadas, comecei meio que no freestyle. Foi quando um amigo recomendou esse livro. O Eric Ries criou um playbook de como construir uma máquina de aprendizado. Segundo ele, a forma correta de uma empresa nascer é buscando aprendizado rápido. Mudou totalmente a forma como eu tocava a minha empresa e me fez ver a tecnologia como um facilitador.
Qual é o seu lugar preferido?
Itamambuca, no interior de São Paulo. Um lugar onde tenho aquele momento comigo mesmo. Na hora que o estresse chega em um nível alto, vou para lá, para o mar. Minha namorada e eu adoramos ir para lá.
Descreva um dia perfeito.
Estou em Itamambuca, junto da minha namorada. A gente faz nossa aula de surfe clássica, às 7h da manhã. Pego ondas boas, e a saideira é aquela onda sensacional, que eu termino já na praia. Vou embora e começo a trabalhar às 9h. Bato recorde de vendas de NPS na Azos. A noite chega e janto em um restaurante bem legal com minha namorada.
Para você, o que é sucesso?
Meu sócio, Rafael, me fez essa pergunta em 2019, quando a gente estava começando esse namoro de empreender junto. Eu respondi que se eu fosse ganhar milhões ou bilhões, seria algo marginal na minha felicidade e realização. Mas que se a gente construísse uma empresa na qual as pessoas adorem e tenham orgulho em trabalhar nela, isso seria uma realização profissional. Então, para mim, sucesso é conseguir mexer um ponteiro na sociedade, fazer uma melhoria nítida em algum mercado.
Qual foi a sua maior superação?
Teve uma superação muito relevante que tive na Azos. Nós fomos vítimas de um ataque de fraude. Foi um momento que tive todos os sentimentos possíveis. Eu pensei: “Já era, acabou a empresa. E agora? O que faremos com todos que contratamos? Como explicar para os investidores?”. Me senti totalmente impotente e perdido. O bom é que na nossa equipe havia pessoas que já tinham vivido isso e a gente simplesmente confiou. No final, deu tudo certo. Acertamos muito no time que trouxemos. A maior lição foi que a gente não precisa saber de tudo, e aprender a confiar na hora do desespero para contornar a situação.
Alguém que te inspira.
Admiro muito a Roberta Vasconcellos, CEO da Woba, com quem já trabalhei. É uma empreendedora brilhante, que soube ler o momento, testar hipóteses, pivotar o modelo de negócio e hoje tem uma empresa incrível, com mais de 150 pessoas. Elas amam trabalhar naquele lugar, muito por conta da cultura que ela e o Pedro, sócio da Woba, criaram.
Como se vê daqui a 10 anos?
Daqui a 10 anos quero compartilhar essa experiência que é o empreendedorismo para ajudar empreendedores a solucionarem problemas, a criarem negócios sustentáveis que tenham impacto positivo na sociedade. Espero não estar tão mergulhado em operações, como estou hoje, e ter mais tempo de qualidade para trocar experiências com essas pessoas.
Se pudesse resolver um problema do mundo, qual seria?
A fome. Esse é o problema que mais me sensibiliza. Minha mãe sempre foi muito atuante em trabalhos voluntários, então, desde criança, eu a acompanhava em algumas comunidades de Belo Horizonte. Lá eu via crianças da minha idade falando que a última vez que tinham comido tinha sido no dia anterior – sendo que eu já tinha tomado café e almoçado. Isso me tocou muito. Eu acredito que o seguro tenha esse papel, nós endereçamos parte desse problema para que famílias não entrem em colapso, não acabem com a educação e com a subsistência. Mas ainda dá para fazer mais. Ver crianças passando fome aperta o meu coração.
