Quando fiquei “grávido” de meu filho também gestei ideias. A melhor delas virou livro, Poemas para João, publicado em 2019 e escrito 10 anos antes, no período entre a notícia da gravidez e o nascimento do personagem. Foi para mim o exercício inaugural do amor maior e, ainda, um importante processo de autoconhecimento, algo recomendado por muito especialista.
Não é fácil descrever com a mais absoluta sinceridade os próprios sonhos, medos e desejos. Mas pesquisar-se a fundo é algo importante para saber vender suas habilidades especiais e lidar com suas inevitáveis frustrações. A psicanálise me parece a ajuda de terceiros para descer e subir uma escada que construímos. É. Nossos altos e baixos não podem nos surpreender.
A auto pesquisa se dá pela linguagem, seja no divã do analista ou no querido diário. Mas expor-se com segurança ajuda e pode ser até algo prosaico, como longas conversas com amigos na mesa de bar, olhar com carinho nos olhos refletidos no espelho e fazer confissões a taxistas, barbeiros e cônjuges. Saber de você mesmo ajuda a tomar decisões e a encontrar o sucesso improvável.
Pensando nessas coisas é que sempre chego na letra de Caçador de Mim, de Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, divinamente cantada por Milton Nascimento. “Por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim”. Não dá para ignorar as nossas origens, mas podemos até ressignificá-las, para usar termo da moda. Veja que figurinha interessante você é. Vai lá. Cace-se.




