Will Alves: Mercado americano segue em alta e índices alcançam novas máximas

Por William Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Tivemos uma semana positiva no mercado americano. Os índices atingiram novas máximas e a previsão é que fechem em alta. O que justifica essa isso? Eu diria que tudo que temos visto ultimamente, ou seja: pacotes de incentivo a recuperação da economia, vacinação que segue avançando em ritmo rápido e, ainda, declarações da autoridade monetária americana que sustentam a percepção de flexibilidade monetária e liquidez do sistema.

Temos um cenário de uma economia que se reabre e cresce, com política fiscal expansionista (pacote de US$2.3 trilhões) e uma política monetária acomodatícia (juros baixos). Esses três fatores são muito potentes para o investimento em ações e não por acaso temos visto isso na bolsa americana. Não por acaso, todos setores da bolsa americana têm apresentado altas.

CONTRA FLUXO NÃO HÁ ARGUMENTOS

Faltou um fator preponderante nessa equação positiva que comentei acima…fluxo! Aquela velha máxima de que as ações sobem porque tem mais comprador do que vendedor… mas e não é que isso é verdade?! Veja que o fluxo de investimento para ações nos últimos 5 meses foi maior que o total colocado em ações em 12 anos!

E parte relevante desse fluxo tem sido dos investidores estrangeiros que assim como eu e você temos procurado a robustez institucional do mercado americano aliado ao potencial de retorno do investimento em boas empresas. Veja que no gráfico abaixo (área amarela) que a relevância do investidor internacional no mercado americano veio aumentando ano após ano.

Will Alves: Mercado americano
Fonte

ABRIL POSITIVO?

Já começamos o mês com altas no mercado acionário, corroborando aquilo que as estatísticas mostram. O gráfico abaixo apresenta o desempenho do S&P nos últimos anos mês a mês. Abril se destaca como um dos melhores meses para o mercado historicamente. Sempre relevante lembrar que retorno passado não garante retorno futuro.

MAS NEM TUDO SÃO FLORES

Os fatores positivos estão facilmente elencados e de uma forma geral há motivos para se manter otimista com o mercado americano. Ainda assim, com dinheiro não se brinca e devemos sempre ser diligentes, buscar entender quais são os riscos que estamos expostos. Obviamente que sempre existem aqueles cisnes negros que não conseguimos mapear e afetam o desempenho da nossa carteira. Mas excluindo esses, quais seriam os riscos para o mercado atualmente? Vou listar aqui alguns:

Aumento de impostos

Todos os pacotes e desembolsos que o governo americano vem fazendo precisa ser financiado. Desde campanha o presidente já falava nos aumentos de impostos, então cedo ou tarde eles devem acontecer. O fundador da Amazon, Jeff Bezos inclusive já deu declarações favoráveis a taxação dos mais ricos. O gráfico abaixo visa estimar quais setores poderiam ter seus lucros mais impactados…é só uma estimativa, mas ajuda a dar uma ideia.

Juros subindo

Apesar de todas as declarações das autoridades monetárias americanas irem na ponta oposta, ou seja, de que não há motivo para se preocupar com os juros, estes seguem sendo um assunto presente no mercado americano. Como já comentei aqui entendo que esse é um risco menor, pois seu motivador é um fato positivo.

Ora os yields da curva de juros futuros sobem porque o mercado entende que a economia está ativa o suficiente para que venhamos a ter pressões inflacionárias em algum momento. Então a meu ver é até bom que suba conquanto que não vejamos um movimento acelerado que gere instabilidade e fomente incerteza no mercado. E se subir, o gráfico abaixo apresenta setores que se beneficiaram e outros que foram prejudicados por uma alta de juros.

Conflito Rússia e Ucrânia novamente?

Guerras nunca são bem recebidas no mercado. Elas trazem aquela sensação de instabilidade e incerteza que muitas vezes é ruim para os negócios. Dado o papel hegemônico americano como potência bélica e militar, todo e qualquer conflito no mundo acaba capturando a atenção do mercado que se pergunta se os americanos irão intervir ou não e quais os reflexos disso.

Muito cedo para falar, desse evento que escalou nos últimos dias… mas quis citar aqui pois me parece ser um risco pouco comentado no mercado atualmente.

Bolha?

Esse é um tema que atrai a atenção de 11 em cada 10 investidores. Tivemos uma injeção massiva de recursos nas economias no mundo, uma liquidez abundante e um cenário de retorno real negativo no investimento em renda fixa no mundo. Normal que esse dinheiro flua para investimentos de risco (ações). É possível que bolhas sejam criadas?

Sempre é, mas a verdade é que o dínamo para valorização sustentada das ações é o crescimento de lucros e isso é mais factível de acontecer em uma economia que cresce. E a verdade é que assim como Peter Lynch nos ensina, mais dinheiro foi perdido tentando adivinhar a próxima bolha ou crise do que nas crises em si.

O gráfico e estudo do Julius Bauer é uma aula nesse sentido. Ele apresenta 3 tipos de investidor: (i) o Buy and Holder, que comprou o índice e segurou sem fazer movimentações; (ii) o investidor preocupado que a cada queda de 10% do índice saía do mercado e carregava caixa por 6 meses; (iii) o investidor super preocupado que a cada queda de 10% do índice saía do mercado e carregava caixa por 12 meses. O gráfico fala por si só.

O investidor que não quis ficar acertando timming de mercado de entrada e saída viu seu capital crescer 469%. Os investidores mais preocupados e inquietos viram seu retorno ser bem menor.

É isso.

Até semana que vem!

Confira outros textos do Will: clique aqui.

Deixe uma resposta