Por Kim Thúy
Quando era pequena, acreditava que a guerra e a paz fossem antônimos. E, no entanto, vivi em paz enquanto o Vietnã estava em chamas e tomei conhecimento da guerra somente depois que o Vietnã baixara suas armas. Acho que a guerra e a paz são, na verdade, amigas, e que somam de nós.
Elas nos tratam como inimigos quando lhes apetece, conforme lhes convém, sem se preocuparem com a definição ou com o papel que a elas atribuímos.
Não se deve talvez, portanto, confiar na aparência de uma ou de outra para escolher a direção do nosso olhar, independentemente do sinal dos tempos, do momento.
Minha mãe sempre recitava para mim o provérbio que estava escrito no quadro-negro do seu oitavo ano em Saigon: “A vida é um combate no qual a tristeza conduz à derrota”.



