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A inflação americana, juros e seus investimentos

Mas então aumentar os juros não é a solução? Penso que não vai controlar totalmente a inflação, mas pior é não fazer nada

A inflação voltou a roubar a cena na semana no mercado americano. Mais uma vez o índice mostrou a maior inflação dos últimos 40 anos aqui nos EUA e com um número vindo acima do esperado pelo mercado – CPI acumulado de 12 meses de 7.5% versus 7.3% esperado.

E a abertura do dado mostra que a inflação foi bem “disseminada”, ou “espalhada” ainda que com um aumento maior na parte de serviços mais recentemente.

grafico 2
Fonte: Terminal Bloomberg.

Qual o impacto disso? Ora o mercado é rápido em se ajustar aos dados que saem, ainda que esses ajustes quase sempre gerem certa dose de exagero…mas isso é o mercado…exagera para cima ou para baixo. O primeiro impacto foi direto nas curvas de juros. O gráfico abaixo mostra a precificação de juros de 2, 3 e 5 anos (vermelho, verde e azul respectivamente). Ou seja, mais e mais o mercado foi incorporando na precificação de títulos de dívida do governo americano um novo patamar de juros, sendo esse cada vez maior.

Além disso, em especial, após os comentários de Jim Bullard (fonte), diretor do FED de St Louis, vimos uma aposta crescente do mercado de que o FED irá não só subir os juros em sua reunião em março, mas que o aumento será não mais de 0.25pp, mas sim 0.5pp. Os gráficos abaixo mostram que o mercado veio se ajustando para uma crescente aposta de aumentos de 0.5p.p e de que o FED irá seguir aumentando juros ao longo de 2022 em todas as reuniões chegando ao fim do ano com uma taxa básica de 1.75%.

Traduzindo…o mercado passou apostar que o ciclo de aperto monetário do FED será mais intenso do que previamente se esperava.

Mas é interessante notar que parte relevante dos componentes de inflação que mais pesaram nos últimos 12 meses sofrem pouca ou nenhuma influência dos juros. Charlie Bilelo fez um compilado interessante em seu twitter – vide imagem abaixo. Qual o impacto do aumento de juros no consumo de gasolina ou de café? Eu diria que é baixo.

Mas então aumentar os juros não é a solução? Penso que não vai controlar totalmente a inflação, mas pior é não fazer nada. O que está em jogo aqui é o ajuste das expectativas inflacionarias. O FED e o mundo inteiro entendem que a atual inflação se deve muito mais aos gargalos na cadeia de suprimentos e uma certa crise de energia que vivemos do que devido a leniência do FED. Ainda assim, ele precisa agir e essa tem sido a aposta do mercado.

Ok, mas e meus investimentos?                    

Como já comentamos aqui, o impacto mais direto e imediato de juros mais altos nos diferentes setores tende a ser: positivo para setor financeiro em geral e negativo para todo espectro de tecnologia. Não por acaso, dado maior peso atual do setor de tecnologia no S&P500, vemos o mesmo amargar queda em 2022. O mapa abaixo torna claro a visualização, basicamente os setores que performaram bem esse ano até aqui na bolsa americana foram: financeiro, energia (petróleo) e algumas empresas de materiais básicos (commodities).

Isso quer dizer que continuará sendo assim pelo resto do ano? Isso quer dizer que tais setores não devam continuar performando bem pelo resto do ano?

A verdade é que não há como saber!                     

Voltando ao normal?

Mas a despeito de todo receio quanto ao aumento de juros e o impacto negativo no desempenho das ações, gosto de trazer alguns contrapontos…tal como fiz semana passada.

Primeiro que toda essa alta nas curvas de juros, representam pura e simplesmente um retorno a normalidade…onde estávamos no pré-pandemia em termos de juros. O mesmo gráfico que postei acima da curva de juros de 2 anos, quando expandido, mostra que apenas voltamos ao patamar pré-pandemia.

O Deutsche Bank fez um estudo interessante analisando o comportamento do S&P 500 desde 1955 e concluiu que este retornou em média 25% nos 3 anos após o início de aperto monetário.

Até aqui (10/02/2022) vemos uma queda de 6.1% para o S&P 500 no ano; 10.6% para o Nasdaq Composite; e o MSCI US Reit Index cai 8.1%. Junto a isso temos visto uma entrada de capital no Brasil e que fizeram com que o dólar atingisse sua menor cotação frente a moeda brasileira em meses (desde outubro/21), abaixo dos R$ 5.20 essa semana. Entendemos que esses dois vetores em conjunto oferecem uma janela de oportunidade muito positiva para aqueles que desejam internacionalizar parte do seu patrimônio buscando se proteger das sempre constantes nuances que afetam a moeda e economia brasileira.

Essa semana fizemos uma live para falar do Seleção Avenue, um report que apresenta mais de 40 ideias de investimento para você que quer começar a investir no exterior.

Para mais informações e análises me sigam nas redes sociais – Twitter e Instagram.

Aquele abraço,

WILLIAM CASTRO ALVES

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