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Perspectivas para 2022

Para 2022 espera-se uma desaceleração, mas ainda assim, as expectativas dão conta da continuidade de crescimento global

Semana passada adotei um tom mais filosófico/educativo para essa coluna. Quem não leu, vale a pena porque é atemporal: Uma Reflexão sobre o que Importa nos Investimentos.

Mas na coluna de hoje vou ser mais pragmático e escrever sobre um tema que muita gente sempre se interessa: perspectivas para 2022. Fizemos uma live para abordar o tema (você pode assistir aqui: Conexão Avenue – O que esperar de 2022).

UM MUNDO QUE CRESCE?

2021 vai ficar marcado na história como um ano no qual a economia apresentou forte crescimento se recuperando dos impactos da pandemia. Para 2022 espera-se uma desaceleração, mas ainda assim, as expectativas dão conta da continuidade de crescimento global. A tabela abaixo do FMI (Fundo Monetário Internacional) é de outubro de 2021 – nela vemos uma projeção de crescimento de 4.9% para o mundo, uma projeção de crescimento para os EUA de 5.2% e de 5,6% para China. 

grafico 1 perspectiva

Alguns fatores já levaram os agentes a atualizarem suas estimativas para baixo – em especial os atrasos nas cadeias de suprimentos e os impactos das variantes atrasando o crescimento global. Então podemos dizer que a tabela acima está superestimando o crescimento do ano que vem. Ainda assim, segundo as projeções econômicas do FED divulgadas na semana que passou, o Banco Central americano trabalha com expectativa de crescimento de PIB de 4% – primeira linha da tabela abaixo. E a OCDE projeta que a China cresça 5.1% em 2022. 

grafico 2 perspectiva

Então tudo indica que seguiremos vivenciando um ambiente de crescimento global, o que é algo favorável para negócios e empresa. Bem verdade que a situação brasileira se difere disso com mais e mais projeções apontando para uma estabilidade da economia nacional – em outras palavras, terminamos 2021 com a expectativa de que o crescimento brasileiro em 2022 será abaixo da média mundial (vide Boletim Focus).

INFLAÇÃO CONTINUARÁ A SER PROBLEMA?

Se o mundo cresce temos uma tendência de demanda forte por bens e serviços… e se isso é verdade, teremos inflação? Sim, a expectativa é de que seguiremos vivendo um ambiente inflacionário. No entanto, a boa notícia é que, ao menos em teoria, “o pior já passou”, ou seja, devemos ver a inflação arrefecer ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. O gráfico abaixo das projeções de inflação do Morgan Stanley ajuda a ver isso.

Índices de inflação ao produtor seguem elevados e teremos a transmissão disso para o consumidor nos próximos meses. Então é normal ainda vermos indicadores de inflação altos no primeiro trimestre. Ao passo que a economia desacelera e as cadeias de suprimento vão se normalizando, abre-se espaço para vermos um cenário de inflação mais brando no segundo semestre. Mas para isso é necessário também algum movimento de redução dos estímulos monetários.

JUROS EM ALTA EM 2022?

Um banco central tem como meta principal controlar o nível geral de preços evitando assim um descontrole da inflação e ajustando as expectativas dos agentes. Como a inflação ainda preocupa e essa desaceleração pode não se materializar, os bancos centrais precisam agir. E foi exatamente isso que vimos essa semana! O Banco Central da Inglaterra elevou os juros; já o Banco Central Europeu (BCE) decidiu iniciar a redução gradual do ritmo de compra de ativos a partir do próximo trimestre, finalizando até março de 2022 o Programa Emergencial de Compras de Ativos (PEPP).

E o Banco Central americano mudou o tom do seu discurso na minuta da reunião divulgada na quarta, deixando de lado o termo temporário e acelerando o seu programa de retirada de estímulos (tapering) – matéria completa da CNBC sobre o assunto. Adicionalmente a minuta também mostrou que os dirigentes do FED agora apontam para três elevações de juros em 2022, com a taxa básica terminando o ano em 1%, conforme mostra o gráfico de pontos abaixo.

Apesar da notícia ter feito as ações do setor de tecnologia pesarem essa semana (aqui eu explico o porquê), entendo como um movimento normal e que já vem sendo aguardado para o mercado. Então deveremos ver um cenário de juro para cima em 2022. 

E A COVID E SUAS VARIANTES?

2021 vai ficar marcado como um ano no qual o mundo passa a vencer a Covid com diminuição dos casos de hospitalizações e mortes, a medida em que o mundo vai se vacinando. As vacinas ajudaram, e ao mesmo tempo, repetindo o padrão de outras epidemias, aprendemos a conviver com o vírus. Não obstante, ainda que as novas variantes tenham se mostrado mais transmissíveis, as taxas de hospitalizações e de mortes não avançaram tal qual no início da Covid. Notícias recentes mostram exatamente isso com a variante Ômicron na África do Sul.

Difícil fazer qualquer prognóstico, mas acredito e espero que a Covid passe a ser um coadjuvante e impacte menos o cenário econômico global.

E A BOLSA?

Único prognóstico certeiro que podemos fazer é: teremos volatilidade, altos e baixos no mercado. A única certeza da renda variável é que ela varia! Rs.

Mas uma estatística é interessante. Depois de um ano de alta de mais de 20% do S&P 500 muitos pensam que existe pouco espaço para novas altas da bolsa americana em 2022. Mas veja que a tabela abaixo nos diz o contrário! Ela nos mostra o desempenho no ano seguinte, após o S&P 500 ter apresentado uma alta de mais de 20% no ano. O resultado é que em mais de 80% dos casos em que isso ocorreu, tivemos novamente alta no índice no ano seguinte. 

Outra estatística interessante compara o desempenho da bolsa com o momento de ciclo econômico que vivemos. Considerando que tivemos uma grave crise em 2020 e uma recuperação em 2021, podemos assumir que em 2022 estamos num “meio de um ciclo”, ou seja, economia já se recuperou, mas ainda há espaço para crescimento. Sendo assim, a estatística apresentada no infográfico abaixo mostra a distribuição de retornos do S&P 500, desde 1960, em anos considerados de “meio de um ciclo”. Em 80% dos anos observados tivemos alta, com uma média de ganhos de 11.5%,

Isso quer dizer que bolsa vai subir em 2022? Não tenho a menor ideia! Não há como garantir que nenhuma dessas estatísticas irá se repetir. Mas posso lhes garantir que estarei aqui escrevendo essa coluna que busca ajudar você a compreender o cenário e investir com mais qualidade! 

Desejo a todos vocês e suas famílias um Feliz Natal! 

Aquele Abs.

William Castro Alves – Twitter e Instagram