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Sobre os pré-conceitos que ouvi na carreira

Essas lembranças me vieram de forma aleatória. Cada uma me trouxe um aprendizado diferente

Depois da coluna de estreia, a missão de escolher outro tema me pareceu mais difícil do que nunca. Pensando qual seria o próximo assunto ou aprendizado que gostaria de compartilhar com vocês, parecia fazer mais sentido seguir uma linha do tempo para tornar a minha história mais compreensível. Mas, eis que quase como um devaneio, surge outro tema no meio do caminho e assim como a vida, decidi não ser tão previsível.

Recentemente, dei uma pequena entrevista para o dia do empreendedorismo feminino falando sobre os desafios que tive como mulher ao longo da minha vida profissional. E logo depois, na volta de uma viagem, dentro do avião e insone, comecei a refletir sobre os desafios que tive na vida em geral e alguns incômodos que me fizeram crescer (mesmo que eu só tenha percebido isso depois). Constatei que tenho uma coleção interessante de situações ou perguntas difíceis que já tive que responder na vida e queria compartilhar essa retrospectiva com vocês na coluna desse mês.

Começo contando sobre um episódio numa aula da pós-graduação da FGV, no meu começo de carreira. A pauta era desenvolvimento de carreira e o professor começa a aula dizendo que as pessoas são no geral medíocres. Exatamente com essas palavras. E que se a gente fizesse só um pouquinho a mais que a média, a gente se destacaria muito. Esse pensamento me incomodou de verdade. Como assim fazer só um pouquinho a mais do que esperam de mim? Com essa régua tão baixa, onde a gente vai chegar como individuo, sociedade ou ainda corporação? E se a minha capacidade de realização for muito além do mínimo esperado? Naquele momento eu não sabia o quanto essa provocação iria me acompanhar ao longo da vida, seja para me desafiar ou ainda compreender os tantos desafios de uma liderança no mundo corporativo.  

Já na coleção das perguntas mais bizarras que ouvi durante esse percurso, um dia me perguntaram se eu tive que fazer algum favor para conseguir o meu primeiro emprego – a efetivação depois de um programa de estágio. Como assim um favor? Que medo do que havia por trás dessa pergunta. Sim, respondi, foi um favor a mim mesma! Me preparei e mostrei meu valor profissional nos desafios que foram propostos ao longo dessa jornada.

Numa outra situação no mínimo curiosa, em meio a uma viagem de férias e um bate papo descontraído com alguns gringos de diferentes cantos do mundo, me deparei com a incompreensão da fuga do estereótipo brasileiro (mais ainda da mulher brasileira) e tive que (pasmem) explicar como uma brasileira tinha dinheiro para viajar para o exterior, sozinha e ainda falando inglês. E não é que o repertório de um brasileiro vai muito além de samba e futebol?

Por último, talvez a situação mais estranha, cheia de sarcasmo e preconceito, me perguntaram por que afinal eu precisava de um salário melhor (ou igual ao dos meus pares) se eu era mulher, não tinha filhos e não gostava de carros.   

Essas lembranças me vieram de forma aleatória. Cada uma me trouxe um aprendizado diferente. Mas esses episódios escondem algo em comum, eu diria que até tendencioso do ser humano, que é o pré-conceito ou, em outras palavras, os padrões que construímos e tomamos como verdades.

Por sorte,cresci em uma família onde ser e chegar aonde eu quisesse era a premissa.  Meus pais me permitiram fazer escolhas desde muito pequena. Eu tinha 3 anos de idade e já pude escolher o nome da minha irmã caçula, Carol!

Cresci e me aproximei de ambientes e pessoas onde não precisava me posicionar diferente para ser eu mesma. Onde não questionava e não era questionada sobre um determinado comportamento por ser menina ou menino. Aliás, eu nem pensava nisso. E por inocência mesmo, não estar preparada para essas tantas perguntas difíceis que surgiram ao longo da vida, me fez respondê-las num certo tom didático, como se o meu interlocutor fosse uma criança sedenta por informação e novos aprendizados.

Talvez você passe ou já tenha passado por experiências parecidas como essas. E o meu conselho é nunca levar esses episódios para o lado pessoal. Nunca me ofendi, mas também nunca me conformei. O olhar para dentro, saber quem somos e não deixar que nos imponham padrões. Somos seres muito mais complexos que isso. Para mim, o autoconhecimento foi e ainda é a chave para driblar essas pedrinhas que aparecem na vida deixando-a fluir de forma mais leve.     

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