A plataforma de brand journalism da Ovo Comunicação

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

William Castro Alves: O que está acontecendo com o mercado americano?

Para o investidor que tem posições, vale a pena controlar o temperamento e aprender a conviver com as oscilações. Para o investidor que está iniciando ou para quem estava esperando para começar, este parece ser um bom momento

Para o investidor que tem posições, vale a pena controlar o temperamento e aprender a conviver com as oscilações. Para o investidor que está iniciando ou para quem estava esperando para começar, este parece ser um bom momento

Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Na coluna da semana passada comentei que a sazonalidade ou estatística do mês de setembro não é das melhores. Pois bem: esta é mais uma semana em que os índices americanos seguiram a história, encerrando em leves quedas.

Em termos econômicos, o que temos visto são sinais mistos, típicos de uma economia que desacelera. Vemos dados que ora surpreendem positivamente, ora negativamente.

Vejo como saudável e até necessária tal desaceleração, dadas as restrições que vivemos, com as interrupções nas cadeias de suprimentos e a pressão observada nos índices inflacionários. Diria que essa desaceleração ajuda a garantir uma transitoriedade da inflação, o que, por sua vez, sustenta uma retirada de estímulos mais paulatina e branda pelo Banco Central americano. Posso estar sendo influenciado pelos nossos vieses, mas penso que no final do dia o que temos visto é extremamente saudável para o mercado.

O que está acontecendo com o mercado americano? Nada. Apenas cumprindo aquilo que é parte intrínseca do mercado de renda variável, ou seja, ele varia. Para o investidor que tem posições, vale a pena controlar o temperamento e aprender a conviver com as oscilações. Para o investidor que está iniciando ou para quem estava esperando para começar, este parece ser um bom momento.

Mas vamos falar de algumas coisas que me chamam atenção.

CHINA E AS COMMODITIES

Não há como não falar de alguns eventos na China e seu impacto nos preços de commodities, especialmente para o investidor brasileiro – digo isso pelo peso relativamente elevado das empresas de commodities na bolsa brasileira. Explicando de forma bem simples em três eventos sequenciais: (i) passado o pior momento da crise, as autoridades chinesas retiram estímulos monetários; (ii) como consequência a economia “esfria”; (iii) como reflexo desse “esfriamento”, os preços das commodities arrefecem.

Os dois gráficos abaixo ilustram isso. No primeiro, a linha verde representa o impulso de crédito dado à economia, e a linha branca, um índice de preços de commodites. O segundo gráfico compara o crescimento do crédito (linha preta) com o consumo de aço (linha azul), mostrando que há uma correlação entre essas variáveis.

A desaceleração parece cíclica e comum. Resta agora saber quando teremos a inflexão disso, uma melhora das condições de crédito que alivie a pressão sobre as commodities.

Fora isso, falando de China temos a notícia do elevado risco de crédito da Evergrande. Matéria da CNBC explica bem o evento e sua importância.

Nesse sentido, penso que é sim algo relevante, mas não podemos nos esquecer da capacidade do governo chinês de controlar sua economia e evitar riscos de colapsos ou de uma quebradeira geral. No curto prazo, segue fazendo preço. Nos faz lembrar de que todo mercado emergente carrega em si riscos elevados.

CHEGA DE SURPRESAS NEGATIVAS?

A economia, como eu disse, segue desacelerando, com dados mais fracos do que o esperado. No entanto, um índice do Citibank calcula um índice que mede exatamente a “surpresa” em relação ao dado (o quanto os dados surpreendem mais ou menos negativamente). Ele apresenta certa ciclicidade, e a julgar por esta, talvez estejamos chegando a um momento em que as expectativas já foram ajustadas e poderíamos ver dados surpreendendo positivamente novamente. Será? Não há como saber, mas achei interessante.

E-COMMERCE SEGUE FORTE…

Nesta semana tivemos um dado de vendas no varejo que surpreendeu pela ponta positiva: o americano gastou mais comprando produtos do que se pensava. Duas coisas me chamam atenção em relação a isso. (i) O dado só não foi ainda mais forte porque hoje vivemos uma escassez de carros (tanto novos quanto usados) aqui nos EUA – vide gráfico da esquerda. (ii) Apesar do fraco desempenho das ações da Amazon e de outras empresas de e-commerce neste ano, as vendas online seguem se expandindo ano após ano – vide gráfico da direita.

MERCADO DE TRABALHO…

Outro ponto importante se refere ao mercado de trabalho. Apesar do último payroll ter decepcionado na margem, a criação de postos de trabalho segue avançando. Uma forma de se ver isso é pelo aumento de vagas no site Indeed – o gráfico da esquerda mostra como se deu a evolução da criação de vagas anunciadas no site desde o início da pandemia. Fora isso, a retirada de estímulos extras que foram adicionados ao seguro desemprego, que ocorre agora em setembro, já mostrou na primeira semana uma redução nos pedidos de auxílio desemprego.

Fonte 1 e 2

REVERSOR INDEX?

As quedas recentes assustam alguns investidores, em especial aqueles menos preparados ou acostumados com a volatilidade. Historicamente, indicadores que medem o “medo” dos agentes de mercado tendem a ser um bom indicador reverso… Bem naquela linha do que o Warren Buffet tenta ensinar, de ter medo quando os outros estão gananciosos e ser corajoso quando os outros têm medo. O Fear and Greed Index, calculado pela CNN – gráfico da esquerda –, se encontra atualmente no patamar de medo. Uma outra forma de medição semelhante a essa é feita pela Associação Nacional de investidores Individuais, a AAII (sigla em inglês). Eles rodam uma pesquisa semanal para capturar o sentimento dos investidores. Se mais “bullish” (otimistas) ou “bearish” (pessimistas) com o mercado. O spread entre essa relação pode ser visto no gráfico, o qual nos diz que nas últimas semanas os investidores ficaram mais pessimistas.

Era isso pessoal, aquele abraço!!!

WILLIAM CASTRO ALVES

Clientes

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Clientes