Will Alves: É urgente que o investidor brasileiro olhe para o mercado americano

Em uma semana de altos e baixos, as bolsas americanas devem fechar em queda. O que explica essa isso? Diria que o aumento dos casos de covid-19 em nível global foi o principal responsável por essa performance mais fraca.

O medo do mercado é que a economia permaneça fechada por mais tempo do que previamente esperado. Além disso, mesmo alguns países que vem vacinando em ritmo elevado, perceberam um aumento de casos – vide o caso do Chile, onde uma boa parte da população já foi vacinada, mas o país impôs um lockdown na região de Santiago.

Isso porque as pessoas vacinadas ainda conseguem transmitir a doença. Com a vacinação ocorrendo, os controles são relaxados e acabamos vendo um aumento de casos. Aqui nos EUA também houve aumento de casos e isso trouxe certa preocupação para o mercado.

Fora isso tivemos o fechamento do canal de Suez, algo que afeta o comércio mundial e as cadeias de suprimentos no curto prazo, uma vez que estima-se que 12% do comércio mundial passe por ali e um prejuízo estimado de US$ 400 milhões por hora que o canal fica fechado.

Não por acaso, mesmo com a redução de oferta de petróleo esperada no curto prazo, vimos o preço da commoditie cair na semana. Isso, por conta da preocupação com a redução da atividade econômica.

Rentabilidade Nominal x Real

Temos hoje um cenário onde o dinheiro investido em ativos de renda fixa no Brasil está sendo corroído, destruído, mês após mês. O dinheiro possui um valor ao longo do tempo. Em 1995 era possível comprar uma cesta básica em São Paulo com R$ 83,79. A mesma cesta básica hoje custa R$ 639,47 – fonte DIEESE.

O que explica isso foi a inflação acumulada ao longo desse período. A inflação funciona como a ferrugem, ela corrói o poder de compra da moeda. Por isso é tão importante investirmos nossos recursos em alguma aplicação, como forma de proteção desse poder de compra.

Ao investirmos, temos como objetivo atingir uma rentabilidade nominal a qual nos ajude a manter nosso poder de compra e que, se possível, também nos ajude a fazer nosso montante investido crescer. Se descontarmos da rentabilidade nominal a inflação, teremos o que chamamos de rentabilidade real, que é o quanto o nosso montante realmente cresce, além da simples proteção do poder de compra.

Durante muito tempo o Brasil ofereceu rentabilidades reais (já descontadas da inflação) bastante elevadas e, portanto, fez sentido correr o risco de investir em títulos do governo brasileiro. Mas essa realidade mudou e nos últimos anos, considerando a queda da Selic e a resiliência da inflação, o que temos visto é uma taxa de juros real negativa no Brasil.

O gráfico abaixo mostra a evolução do retorno real no Brasil considerando o CDI e o IPCA.

Seu dinheiro sendo destruído?

Nos últimos 12 meses o IPCA (principal índice de inflação brasileiro) foi de 5,20%; outro indicador muito utilizado para reajustes de contratos de aluguéis por exemplo, o IGP-M teve um comportamento distinto mostrando ainda mais inflação com alta de 28,94% – no IGP-M temos um maior impacto do dólar em seus componentes.

Eu não sei qual é a tua cesta de consumo para poder dizer qual de fato é a sua inflação. Cada um de nós tem uma cesta de consumo diferente e, portanto, impactos diferentes de inflação em nosso bolso. Mas para facilitar o exercício de suposição, digamos que você tenha 50% da tua cesta atrelada ao IPCA e 50% atrelada ao IGP-M. Nesse caso tua inflação nos últimos 12 meses teria sido de ~17%.

Grosso modo você teria que investir em algo que no mínimo te remunere 17% para “empatar”, ou seja, manter seu poder de compra e sua cesta de consumo intacta. O problema é que com uma SELIC a 2% ou mesmo a 2.75%, os investimentos em renda fixa disponíveis no mercado brasileiro não conseguem te oferecer essa proteção.

Em outras palavras o seu dinheiro está sendo destruído enquanto está estacionado em algum investimento de renda fixa no Brasil. Você investe R$1.000,00; depois de 1 ano viu seu montante crescer para R$1020,00; vai ao supermercado e descobre que não consegue comprar o mesmo de 1 ano atrás. Você descobre que ficou mais pobre!

Mesmo que você considere apenas o IPCA na conta…para que você conseguisse manter seu poder de compra, você teria que ter obtido uma rentabilidade de pelo menos 260% do CDI para conseguir proteger seus recursos (taxa referencial para os investimentos em títulos bancários e que “anda” junto com a SELIC, a taxa básica). O problema é que os fundos de renda fixa, e os títulos do governo brasileiro não remuneram esse tanto.

Olhando para a frente

Olhando a frente esse cenário não melhora muito e você corre o risco de seguir vendo seu dinheiro sendo destruído. O último Boletim Focus do Banco Central projeta um IPCA de 4,71% e um IGP-M de 11,89%. Fazendo a mesma suposição acima, de uma cesta composta de 50% de cada um dos índices, a inflação estimada para 2021 nesse caso seria de 8,3%. Com a Selic em 2,75% você vai estar, novamente, perdendo poder de compra do seu dinheiro…. você está ficando 5.5% mais pobre (8,30% – 2,75%). Parece pouco, mas como disse cada um tem a sua cesta de consumo, mais ou menos dolarizada.

20% Mais pobre?

Além disso, considerando o impacto já percebido em 2020 de ~15% (os 17% que comentei acima, menos o rendimento da SELIC de 2%), somado aos 5% estimados para 2021…estou falando que em 2 anos você ficou 20% mais pobre! Você terá perdido 20% do seu poder de compra! Mesmo investindo, você perdeu poder de compra!

Qual a solução?

Não estou dizendo que você não deve ter investimentos em renda fixa. Não é isso. Todo investimento tem que levar em conta o seu perfil de investidor. No entanto, o que quero te chamar atenção é que o investimento no exterior não deve ficar restrito apenas a uma parcela menor da sua carteira, uma parcela especulativa ou mesmo vinculada essencialmente a risco.

Mesmo a sua parcela destinada a renda fixa pode ou deve ser dolarizada sob pena de você não conseguir proteger efetivamente seu poder de compra. Você precisa ter uma parcela dolarizada para manter poder de compra e isso diz respeito ao todo da sua carteira.

A Avenue oferece diversas alternativas de fundos para esse dinheiro que você quer que corra menos risco. Um dinheiro de proteção que não pode ser corroído como está sendo.

Até semana que vem.

WILLIAM CASTRO ALVES 

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