William Castro Alves: Quem avisa amigo é – dolarize seus investimentos

Se os custos de produção e os produtos ficam mais caros aqui nos EUA, eles tentem a ficar mais caros no mundo todo. Logo, a inflação percebida aqui tende a ser “exportada”, impactando você aí no Brasil

Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

A semana foi mais curta por causa dos feriados – labour day aqui nos EUA e Independência no Brasil –, mas não menos intensa. Em terras brasileiras vimos a cena ser inflamada novamente pelas discussões políticas, as quais levaram a uma alta volatilidade dos ativos domésticos (falo de câmbio, bolsa e juros).

O que vimos nos serve de alerta. Não me refiro a questões políticas, mas sim a sua independência financeira.

O Brasil comemorou sua independência, mas e você?

É possível ser independente financeiramente vendo seus investimentos e a poupança da sua família totalmente suscetíveis a eventos internos imprevisíveis? Nem entramos no ano eleitoral e já há tamanha volatilidade.

A mensagem que a semana ensina é: busque sua independência financeira sem ficar refém de uma geografia, de um comentário político, de uma reforma, de um ministro etc. Go Global!

Mas bora falar sobre o mercado americano…

SAZONALIDADE RUIM

Na semana, vimos uma leve realização nos índices americanos. Algo normal, ainda mais considerando que o mês de setembro não tem sido dos melhores para a bolsa americana. O gráfico abaixo traz a performance do S&P 500 em diferentes janelas (20 anos, 10 anos, desde 1950 ou em anos pós-eleitorais), e o resultado tem sido o mesmo:

Fonte.  

Isso quer dizer que vamos fechar o mês no vermelho? Não há como afirmar.

CONTRA FLUXO NÃO HÁ ARGUMENTO?

Mas contrapondo essa sazonalidade, comentei aqui, há duas semanas, o bom desempenho dos resultados das empresas americanas e a quantidade de caixa que elas carregam hoje. Acontece que esse caixa mais parrudo pode e tende a ser usado para recompras de ações, como já vemos acontecer (gráfico abaixo). Isso pode ser um contraponto na medida em que traz sustentação ao mercado; afinal, dizem que contra fluxo não há argumento.

Fora isso, com juros ainda em patamares muito baixos aqui nos EUA e as taxas de poupança em níveis elevados, mais e mais dinheiro tem sido colocado no mercado de ações. O gráfico abaixo mostra que a exposição direta em ações, comparada ao portfólio financeiro dos americanos, tem atingido níveis recordes:

É normal e até saudável (evita formação de bolhas) o mercado passar por realizações. Apesar das estatísticas e sazonalidade, não há como precisar quando irão acontecer. Para o investidor que tem posição, vale a pena apenas entender e conviver com as flutuações. Para quem ainda não investiu, as oscilações são boas notícias, pois permitem montar posição a preços mais amigáveis. O experiente analista de mercado Ed Yardeni disse recentemente em entrevista à CNBC que realizações seriam bons momentos para compra.

“O problema de tentar acertar correções é que você tem que sair antes que aconteçam e descobrir como voltar assim que elas terminam”, disse ele. “Algumas pessoas podem acertar os dois, mas, em grande parte, é uma decisão muito difícil. Não estou no campo de correções, mas quando acontecerem, espero que as pessoas usem isso como uma oportunidade para comprar mais.” Link para entrevista.

GRANDES X PEQUENAS

Outra coisa que vem chamando atenção nos últimos dois meses é a melhor performance relativa das empresas maiores frente às de menor capitalização de mercado, exatamente o oposto do que vimos no primeiro semestre do ano. O gráfico abaixo compara o ETF SPY, que replica o índice S&P 500 (linha preta), com o ETF IWM, que replica o índice Russell 2000 (linha vermelha), tornando mais clara essa diferença de performance.

Isso faz com que as small caps passem a negociar com elevado desconto frente ao mercado como um todo. O gráfico abaixo compara a relação Preço/Lucro do S&P 500 com o índice de 600 small caps americanas, mostrando que estas negociam hoje com um desconto relativo às grandes empresas (relação abaixo de 1x).

VOLATILIDADE BAIXA

Vale destaque também para a baixa volatilidade em nível agregado no mercado americano. Apesar de essa não ser a realidade específica do Brasil, a verdade é que o índice de volatilidade tem se mantido em patamares bastante baixos, o que obviamente acaba por ajudar o mercado americano.

INFLAÇÃO TEMPORARIAMENTE PERSISTENTE?

Para terminar, tivemos dados de inflação ao produtor. Números que preocupam, pois a inflação percebida pelo produtor tende a ser repassada ao consumidor final. Os preços ao produtor subiram ao seu nível mais alto desde novembro de 2010 – em base anual o PPI subiu 8,3% em agosto. Esse número vem depois do registro em julho, de 7.8%. Os motivos continuam sendo os mesmos: problemas da cadeia de abastecimento, escassez de bens de consumo e de produção, aumento da demanda relacionada à pandemia de Covid-19, dificuldade de produção e acesso à mão de obra em algumas indústrias, crise dos chips. A questão é que essa inflação, que se mostrava temporária, e de fato parece ser, tem sido “temporariamente persistente”.

O que a inflação nos Estados Unidos tem a ver com você aí no Brasil? Ora, se os custos de produção e os produtos americanos ficam mais caros aqui nos EUA, eles tentem a ficar mais caros no mundo todo. Logo essa inflação percebida aqui tende a ser “exportada” para o mundo, impactando você aí no Brasil! Para se proteger, você precisa dolarizar seus investimentos!

Quem avisa amigo é.

Era isso pessoal, aquele abraço!!!

WILLIAM CASTRO ALVES

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