William Castro Alves: Tudo que vai deixa o gosto

A reação foi rápida à pequena queda do início da semana. E para a próxima…

Por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities

Quem leu nossa última newsletter talvez tenha aproveitado as quedas da segunda-feira para fazer algumas compras.  

Nela, falei sobre alguns setores em que tínhamos ações sendo negociadas bem abaixo das médias e chamei atenção para o Fear and Greed Index, que se encontrava no modo “medo”, sendo esse tradicionalmente um bom momento para aproveitar.  

Como diz a música do Capital Inicial: “Tudo que vai deixa o gosto, deixa as fotos, deixa a memória…”. 

A reação foi rápida e a pequena queda, acentuada na segunda-feira, se desfez rapidamente com o mercado testando novas máximas. É possível ver uma recuperação pós-pandemia, que tem feito o setor agir dessa forma nos últimos 15 meses. O gráfico abaixo do S&P mostra as realizações percebidas até aqui no período.  

FALANDO EM RESULTADOS… 

Números fortes substanciam essa recuperação da bolsa. Na última atualização (22/07) do Earnings Scout, das 104 empresas que reportaram seus números até agora, 90% delas bateram as estimativas de lucros e 84% apresentaram receitas maiores do que o esperado pelo mercado. Em média, os lucros foram 117% superiores aos apresentados um ano atrás.  

No entanto, vale a ressalva de que estamos comparando dados atuais com o auge da pandemia, ou seja, quando a economia estava mais fechada e as empresas sofrendo. Dessa forma, a base é fraca. Além disso, em termos de surpresas, os lucros reportados vieram 17,8% superiores às expectativas do mercado, e as receitas, 4,2%. A tabela abaixo compila as informações.  

Destaque para o setor financeiro, que até aqui foi o que apresentou a maior surpresa em relação aos lucros, com EPS vindo 24% acima do esperado na média. Outros destaques foram os setores de materiais e energia, que englobam essencialmente o desempenho das empresas mais ligadas a commodities, e que apresentaram maior inflexão de lucros.  

Olhando geograficamente, as empresas mais globais são as que têm apresentado maior crescimento de receitas e lucros – vide gráficos abaixo

Parte relevante da explicação reside no fato de que as empresas do setor de utilidades públicas e imobiliário são intrinsicamente mais relacionadas à atuação interna nos EUA – conforme gráfico abaixo –, e esses foram setores que sofreram menos durante a pandemia. Logo, a inflexão de lucros e receitas acaba sendo menor.  

De qualquer forma, ainda temos muitos resultados pela frente. Apenas 20% das empresas do S&P reportaram até agora. Para a próxima semana teremos mais nomes, bem conhecidos, como: Tesla, Apple, Visa, 3M, Facebook, Ford, Pfizer, Pinterest, Chevron, P&G, Caterpillar, entre outras. Aqui você encontra o calendário completo.  

TUDO QUE VAI E TUDO QUE VEM…  

Tão importante quanto a atuação dos bons resultados para essa sustentação dos preços, temos também as perspectivas que as empresas vêm dando para seus próximos resultados, o famoso guidance. Segundo levantamento da Bespoke Research, até 13 de julho 15,63% das empresas que haviam reportado resultados revisaram seus guidances para cima. Esse número é bem expressivo comparativamente ao histórico.

Em especial para as empresas small caps, as expectativas de crescimento seguem maiores para este ano e para 2022, quando comparadas às maiores empresas. Uma forma de ver isso é por meio do gráfico abaixo, do Bank of America Research, que compara o crescimento de lucros para o Russell 2000 (que é composto de 2000 small caps) com o Russell 1000 (composto pelas 1000 maiores empresas da bolsa americana).  

grafico 6 william
The Daily Shot 

Como disse, o foco da semana continua sendo nos balanços. Dado o peso no S&P das empresas que divulgam resultados, entendo que o desempenho do mercado, como um todo, pode ser fortemente influenciado pelos números a serem divulgados. Vamos ficar de olho.  

Era isso pessoal, aquele abraço! 

William Castro Alves 

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