São Paulo, 30 de outubro de 2026 – A rodada de resultados das hyperscalers confirmou a força da demanda por computação em nuvem e inteligência artificial, mas também mostrou que o mercado passou a diferenciar as empresas pela forma como financiam essa expansão. Na leitura da IP Capital Partners, os balanços de Amazon, Google e Microsoft trouxeram nuvens crescendo em ritmo forte nas três companhias, com reações distintas das ações conforme o peso dos investimentos sobre o caixa.
Somados, os serviços de nuvem das três empresas geraram cerca de US$ 110 bilhões em receita no trimestre: US$ 46 bilhões da AWS, US$ 33 bilhões da Azure e US$ 30,7 bilhões do Google Cloud. O Capex combinado ficou entre US$ 165 bilhões e US$ 170 bilhões, com a Amazon respondendo pela maior fatia, cerca de US$ 77 bilhões.
“A diferença principal não está no crescimento da nuvem, e sim na capacidade de financiá-lo”, afirma Gabriel Roani, sócio da IP. “Google e Amazon estão investindo acima da própria geração de caixa. A Microsoft mantém o investimento elevado, mas ainda abaixo da geração de caixa da operação.”
Segundo ele, é isso que explica as reações diferentes das ações. “O mercado, neste momento, está olhando o caixa de curto prazo. Por isso tem tratado os três resultados de forma diferente, mesmo com as três nuvens crescendo forte.”
Amazon: AWS acelera e margem bate recorde
Terceira hyperscaler a divulgar resultados nesta rodada, a Amazon reportou receita de pouco mais de US$ 200 bilhões, alta de 12%, e lucro por ação de US$ 1,89, ambos abaixo do consenso. O destaque foi a AWS, que cresceu 39% e atingiu receita de US$ 46 bilhões. A margem operacional da companhia chegou ao recorde de 13,9%.
No release de divulgação dos resultados, o CEO Andy Jassy afirmou que nunca existiu um negócio com receita de um trilhão de dólares e que a empresa talvez tenha dois nos próximos cinco a dez anos. Os candidatos apontados no próprio release são o varejo e a AWS. Os dois candidatos, no próprio release, são o varejo e a AWS.
Google: lucro abaixo do esperado, mas por efeito contábil
O Google entregou o que se esperava em receita: US$ 127,6 bilhões, alta de 25%, praticamente em linha com o consenso. Já o lucro por ação, de US$ 2,12, ficou bem abaixo da expectativa de cerca de US$ 3,00. A maior parte da diferença vem de uma perda contábil de US$ 8,7 bilhões na marcação a mercado da carteira de participações da empresa, e não da operação, analisa a IP.
O grande destaque positivo foi o Google Cloud, que dobrou de tamanho, com crescimento de 103%, para US$ 30,7 bilhões, e margem operacional de 36%. O ponto de atenção ficou com as receitas de anúncios, mais fracas do que o esperado, em parte por efeitos de câmbio.
Microsoft: investimento coberto pela operação
A Microsoft também apresentou crescimento expressivo em nuvem, com a Azure ultrapassando US$ 33 bilhões. A aceleração da taxa de crescimento de receita em Google e Microsoft é importante para sinalizar o retorno sobre o capital investido na construção de datacenters de IA”, analisa a IP.
Nas duas empresas, o custo da corrida pela inteligência artificial aparece no caixa, mas de maneiras diferentes. “No Google, o fluxo de caixa livre foi negativo pelo segundo trimestre seguido e deve continuar sob pressão enquanto a empresa constrói capacidade e acelera suas receitas de nuvem. Já a Microsoft cobriu todo o investimento com o fluxo de caixa de sua operação”, destaca a gestora.
A diferença se refletiu na bolsa. Após a divulgação, apesar das altas taxas de crescimento reportadas pelas duas companhias, as ações do Google recuaram, enquanto as da Microsoft se valorizaram.
Sobre a IP Capital Partners
Primeira gestora independente do país, a IP Capital Partners foi fundada em 1988, apresentando um dos históricos mais longos e rentáveis da indústria de fundos brasileira. A atuação é focada em mitigar os riscos, de forma a combinar retornos consistentes com uma volatilidade histórica bem menor que de outros fundos de ações. https://ip-capitalpartners.com/







