A inteligência artificial já escreve textos, produz imagens, programa computadores, elabora sites completos muito rapidamente e ajuda a tomar decisões. Agora a tecnologia começa a ocupar também um espaço historicamente associado à experiência humana: a religião. Padres, pastores e outros líderes religiosos estão recorrendo à tecnologia para pesquisar textos sagrados, organizar reflexões e até preparar sermões, segundo reportagem publicada recentemente pela revista The Economist.
E este fenômeno também já aparece nas estatísticas. Pesquisa da organização americana Barna revelou que 24% dos pastores protestantes entrevistados nos Estados Unidos usam inteligência artificial para escrever ou editar sermões. Metade recorre à tecnologia para desenvolver ideias e 36% a utiliza em pesquisas bíblicas ou teológicas. Ao mesmo tempo, 71% demonstram cautela em relação à IA. 
Uma pesquisa mais recente da mesma organização mostra que a fronteira parece estar justamente nas atividades consideradas mais humanas: 64% dos pastores consideram aceitável usar IA para desenvolver materiais de estudo bíblico, mas apenas 27% aprovam seu uso para escrever sermões e 10% para aconselhamento espiritual.
A transformação não se limita aos púlpitos. Fiéis já recorrem a chatbots para interpretar passagens religiosas, esclarecer dúvidas e buscar respostas para dilemas pessoais. Uma das ferramentas citadas pela Economist é o Magisterium AI, desenvolvido a partir de documentos e ensinamentos católicos para responder a questões sobre a doutrina da Igreja. Há iniciativas semelhantes em outras religiões, como o Ansari, voltado ao islamismo. É uma mudança relevante na forma como o conhecimento religioso circula. Durante séculos, sacerdotes, pastores, rabinos e imãs exerceram um papel central na interpretação dos textos sagrados. Agora, parte dessa mediação pode ser feita diretamente por um algoritmo.







