Liderada pela Smash Capital, rodada Série B impulsiona a expansão da startup fundada por brasileiro, que já reúne mais de 1,5 milhão de desenvolvedores, e o desenvolvimento da Alexandria

A Firecrawl, startup norte-americana fundada pelo brasileiro Nicolas Silberstein Camara ao lado de Caleb Peffer e Eric Ciarla, acaba de captar US$ 75 milhões, aproximadamente R$ 400 milhões, em uma rodada Série B liderada pela Smash Capital, com participação da Altos, Nexus, Y Combinator, Freestyle e Offline Ventures. O aporte será destinado à expansão da companhia e ao desenvolvimento da Alexandria, nova plataforma que reúne pesquisas científicas, código, documentos públicos e dados em tempo real para modelos e agentes de inteligência artificial.

A captação ocorre um ano após a Série A de R$ 81 milhões, liderada pela Nexus e Y Combinator, e acompanha o crescimento da Firecrawl no mercado global de infraestrutura para IA. Fundada há dois anos para facilitar o acesso de desenvolvedores e agentes a informações disponíveis na internet, a startup já é utilizada por mais de 1,5 milhão de desenvolvedores e atende empresas como Shopify, Apple, Lovable, e Canva. A companhia também integra o Top 100 global de projetos mais populares do GitHub, onde ultrapassou 175 mil estrelas.

Com a nova rodada, a Firecrawl pretende ampliar sua atuação para além da estruturação de dados da web e construir o maior repositório de conhecimento do mundo para inteligência artificial. A iniciativa parte de um desafio do setor: embora os modelos estejam cada vez mais capazes de executar tarefas complexas, as informações necessárias para seu funcionamento permanecem dispersas entre publicações científicas, bases de dados, documentos governamentais e sistemas de diferentes organizações. A Alexandria busca reunir essas fontes em uma única infraestrutura, facilitando o acesso a conteúdos de diferentes áreas.

“Receber uma nova rodada de investimento apenas um ano após a Série A reforça a confiança dos investidores na infraestrutura que construímos e na capacidade da Firecrawl de atender à crescente demanda por dados para inteligência artificial. Nesse período, ampliamos nossa presença global e passamos a atender mais de 1,5 milhão de desenvolvedores. Agora, estamos dando um passo além com o novo aporte que nos permitirá acelerar nossa expansão e avançar na construção da Alexandria, ampliando o acesso a essas informações essenciais para a IA”, afirma Nicolas Silberstein Camara, CTO e cofundador da Firecrawl.

Alexandria reúne pesquisas, código e dados em tempo real

A nova plataforma reúne artigos científicos públicos nas áreas de medicina, biologia e inteligência artificial, além de conhecimento presente em 70 milhões de bases de código. O acervo também contempla dezenas de milhões de documentos governamentais, incluindo materiais de tribunais, da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) e de legislação e regulação federal.

A Alexandria integra ainda centenas de provedores de dados em tempo real, abrangendo mercado financeiro, macroeconomia, comércio eletrônico, varejo, restaurantes, delivery, mercado imobiliário, viagens, hotelaria e vagas de emprego, além de informações B2B, redes sociais, newsletters, lojas de aplicativos e modelos de IA. O conteúdo atualizado da internet é disponibilizado por meio da infraestrutura da própria Firecrawl.

A plataforma também permite que qualquer pessoa, empresa ou agente de IA contribua com dados e conhecimento. Isso inclui desde profissionais com experiência especializada até organizações que mantêm bases de informações sobre determinados setores ou agentes capazes de reunir novos conteúdos. A proposta é ampliar continuamente o acervo, incorporando tanto o conhecimento já existente quanto novas descobertas e atualizações.

“Existe uma quantidade enorme de conhecimento que ainda não está facilmente acessível aos modelos de IA, seja em pesquisas científicas, bases de empresas ou na experiência de profissionais. Queremos criar uma infraestrutura em que qualquer pessoa, organização ou agente possa contribuir com essas informações e torná-las acessíveis a diferentes modelos. Quanto mais fontes conseguirmos conectar, maior será a capacidade dos agentes de trabalhar com informações atualizadas e especializadas “, explica Silberstein.

Desenvolvida de forma independente dos laboratórios de IA, a Alexandria é compatível com modelos abertos e proprietários e pode ser acessada por meio de API, MCP (Model Context Protocol) ou CLI (interface de linha de comando), permitindo sua integração a diferentes aplicações e agentes de inteligência artificial.

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