A MySide, proptech que atua como personal shopper imobiliário, acaba de captar mais R$ 5 milhões em extensão da sua seed round. A nova captação foi liderada pela Terracotta Ventures e pela Hiker Ventures, fundo de venture capital da AF Invest, com participação da Potato Valley Ventures e FEBA Capital. Com o investimento, a rodada fecha em R$ 12 milhões.
O objetivo da MySide é aprimorar o produto e acelerar o crescimento, expandindo a operação. A startup já atua em Florianópolis, Balneário Camboriú e região, Piçarras e região, Curitiba, Belo Horizonte, Nova Lima e Goiânia, e pretende chegar a Recife e Vila Velha ainda em 2025. O foco é continuar abrindo as praças médias fora do eixo Rio-São Paulo. A empresa projeta consolidar a maior oferta de imóveis novos do país já em 2026.
Fundada em 2020, a MySide nasceu com a proposta de tornar mais fluida a experiência de compra de imóveis no ambiente digital. Pouco tempo depois, identificou uma lacuna no mercado: o comprador, que geralmente compromete até 30% da renda familiar por décadas em um financiamento, costuma ser o lado mais desassistido na transação. Isso motivou os fundadores a apostarem no modelo norte-americano de Buyer’s Agent, oferecendo atendimento humanizado, focado nos interesses de quem está comprando, aliado ao uso de inteligência artificial para um serviço personalizado.
“O modelo tradicional do mercado imobiliário brasileiro prioriza o vendedor, enquanto o comprador, que carrega a responsabilidade e o investimento mais alto, muitas vezes percorre esse caminho sozinho. Com a MySide, estamos mudando isso, colocando o comprador no centro da jornada e oferecendo suporte completo, sem custo adicional”, explica Ronal Balena, cofundador e CEO da empresa.
A proptech atua com imóveis do mercado primário, com valores que variam de R$ 350 mil a R$ 5 milhões, e tem cadastrados 2,7 mil empreendimentos, somando cerca de 95 mil unidades. Hoje, a MySide atende cerca de 5 mil clientes e realiza, em média, 60 vendas por mês. Nos últimos anos, vem registrando tendência consolidada de crescimento. O Valor Geral de Vendas (VGV) passou de R$ 125 milhões em 2023 para R$ 350 milhões em 2024. Já este ano, deve alcançar R$ 700 milhões e a previsão é atingir R$ 1,5 bilhão em 2026.
Esse desempenho também é impulsionado por tecnologia proprietária de inteligência artificial para qualificar melhor os imóveis, ampliar a base de dados e otimizar o trabalho dos personal shoppers imobiliários (como a MySide chama seus corretores). Mas, segundo Balena, o uso de IA é feito de forma estratégica, sempre priorizando a humanização na relação com os clientes. “Acreditamos que nenhum bot, hoje ou no futuro próximo, será capaz de substituir o olhar atento, a empatia e a expertise de um profissional altamente qualificado”, reforça Balena.
A nova fase da empresa é marcada também pela chegada de Felipe Ricoy, um dos nomes mais respeitados do mercado imobiliário digital. Sócio da Casa Mineira e ex-diretor comercial do QuintoAndar – onde atuou após a aquisição da Casa Mineira pela proptech –, Ricoy assume como COO da MySide, responsável por toda a operação de atendimento ao cliente, reforçando a estratégia de crescimento nacional da companhia.
A entrada do executivo no time reforça ainda a proposta de valorização dos personal shoppers como peça-chave da experiência. “Enquanto muitas empresas colocam a tecnologia no centro e esperam que os corretores girem em torno dela, fazemos o oposto. Corretores são o centro. A tecnologia orbita em torno deles como ferramenta de apoio”, destaca.
Para Guilherme Chernicharo, sócio da Hiker Ventures, o investimento representa uma aposta em uma proptech com produto maduro e potencial de escalar. “A MySide entrega uma proposta inovadora, com uma operação eficiente e aderente ao mercado. A nossa chegada está focada em contribuir para a transição de empresa regional para nacional, com nossa experiência em crescimento estruturado e visão de longo prazo”.
Esse é o terceiro aporte anunciado pela Hiker Ventures em 2025 e o primeiro em proptechs. Já em sua trajetória, é a oitava investida. O fundo tem perfil agnóstico e previsão de investir R$ 50 milhões até 2026.







