Paula Ponzi: Em meio ao longo percurso do Caminho de Santiago, um monumento às Mulheres

Texto da jornalista e empresária Paula Ponzi

Durante o Caminho de Santiago, passei por muitos lugares marcantes, mas um em especial mexeu comigo de um jeito diferente. Em Mos, na Galícia, encontrei o “Monumento na Honra das Mulleres Maltratadas”. Um espaço silencioso, mas que grita por justiça. Criado em 2007 por iniciativa da prefeitura local, em colaboração com associações de mulheres da região, esse monumento é uma homenagem às mulheres que sofreram violência. A placa dizia: “Camiñando cara á igualdade acabaremos coa violencia” — caminhando rumo à igualdade acabaremos com a violência. Não podia ser mais simbólico, especialmente no contexto de uma caminhada tão profunda como o Caminho.

O projeto foi construído com pedras que carregam palavras escolhidas por mulheres vítimas de violência. São memórias, cicatrizes e também força materializadas ali, num espaço onde dor e resistência se entrelaçam. As pedras foram colocadas ao longo do percurso como parte de um ato coletivo de cura, lembrança e denúncia.

Imediatamente pensei no Brasil. Em 2023, foram registrados mais de 1.350 feminicídios — um aumento em relação ao ano anterior. Isso sem contar os milhares de casos de agressão, perseguição, assédio. O país ainda é um dos mais perigosos do mundo para ser mulher. E a misoginia que alimenta esse ciclo é estrutural, silenciosa, muitas vezes legitimada até pelas instituições que deveriam proteger.

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