Ícone do site Crania

O impacto do Polywork: novo estilo de vida profissional da Geração Z

(Na imagem, da esq. para a dir.: Henrique Gamba, sócio da Kinp Group; Viviane Felício, diretora de RH do Efí bank; e Thiago Veras, diretor de RH do Grupo Empiricus)

Um estudo recente realizado pela Hostinger entre agosto e setembro de 2024 trouxe um dado interessante: 60% dos brasileiros da Geração Z possuem dois ou mais empregos, seguindo a tendência conhecida como Poliwork. Dados recentes da PNAD Contínua, pesquisa do IBGE, corroboram: quase 550 mil brasileiros entre 14 e 29 anos já acumulavam dois empregos no terceiro tri do ano passado, enquanto aproximadamente 30 mil estavam com três ou mais atividades profissionais.

As principais motivações por trás desse fenômeno incluem o desejo por maior segurança financeira, a necessidade de complementar a renda ou até mesmo a busca por realizar sonhos pessoais. Esse movimento ganhou força durante a pandemia, catalisado pela ampliação dos modelos de trabalho flexíveis e híbridos.

“Esse movimento se conecta diretamente com a expansão da gig economy, onde flexibilidade e autonomia ganham destaque. Acredito que essa tendência continuará crescendo, trazendo tanto desafios quanto oportunidades para empresas e profissionais, à medida que o mercado se torna mais dinâmico e multifacetado”, comenta Henrique Gamba, sócio da Kinp Group.

Para Gamba esta é inclusive uma oportunidade de desenvolver mais de uma habilidade eventualmente até em áreas diferentes. “O trabalho remoto abriu novas possibilidades, permitindo que muitos explorem diferentes áreas de interesse e desenvolvam habilidades diversas em paralelo. Por exemplo, um desenvolvedor de software pode trabalhar em uma empresa de tecnologia durante o dia e, à noite, dedicar-se a projetos de freelance como criação de aplicativos ou consultoria em cibersegurança”, completou.

Um dos efeitos deste comportamento, segundo apontam estudos, é o apego menor ao trabalho. De acordo com uma pesquisa da Caju, em parceria com a Consumoteca, a faixa etária de 24 a 28 anos é a que mais troca de emprego. Em 2023, apenas 22% dos trabalhadores dessa faixa etária ficaram no mesmo cargo por um ano ou menos.

Para Viviane Feliciano, diretora de RH do Efí Bank, apesar dos argumentos que destacam o poliwork como uma prática que ganha popularidade pela oportunidade de enriquecimento, é importante abordar o assunto sem ‘romantizar’, trazendo um ponto de reflexão: a motivação econômica. Muitos jovens precisam complementar a renda devido à insuficiência dos salários. Esse é um contraponto para ser observado: “como a geração Z, que prioriza o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, pode conciliar o desejo por flexibilidade com as demandas de um estilo de vida tão exigente?”, questiona Viviane.

Risco de exaustão

O termo em inglês burnout tornou-se comum nos ambientes corporativos e sobretudo após a adesão mais massiva do trabalho remoto, feito diretamente de casa, sem separação do espaço profissional e o pessoal. Ter mais de um trabalho também pode agravar essa situação de desgaste mental, alerta Thiago Veras, diretor de RH do Grupo Empiricus.

Acumular dois ou mais empregos, mesmo em um cenário remoto, pode criar uma falsa sensação de controle e flexibilidade. Esse acúmulo de responsabilidades pode levar ao esgotamento físico e emocional – o tão falado burnout. E não para por aí: relações pessoais, qualidade de vida e até o próprio desempenho no trabalho podem ser impactados”, explica o executivo para completar: “O segredo aqui não está em apenas fazer mais, mas sim em como fazemos. Equilibrar múltiplas responsabilidades exige um bom planejamento, uma dose generosa de autoconhecimento e, acima de tudo, valorizar o descanso. Afinal, o caminho para o sucesso pessoal ou profissional deve incluir bem-estar, e não deixá-lo de lado.”

Sair da versão mobile