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Mudanças organizacionais bem pensadas podem ser muito promissoras, diz Jaime Troiano

Em setembro deste ano, após três décadas, Jaime Troiano deixou de ser CEO de sua empresa, a Troiano Branding, para assumir a importante cadeira de presidente do conselho consultivo da agência. Cecília Russo Troiano assumiu então a função de CEO.

Esta semana conversamos com o empresário sobre essa mudança e outros temas relevantes de sua proeminente consultoria.

Crania: Recentemente, a Troiano Branding renovou seu comando, decisão que resultou de um diagnóstico da empresa feito pela consultoria Cambridge. Quais as vantagens de uma sucessão organizada e planejada em empresas familiares como a Troiano? Houve outras mudanças implementadas no negócio após a consultoria? 

Jaime Troiano: A melhor resposta foi dada há muitas décadas pelo nosso grande dramaturgo e contista Nelson Rodrigues: “O pior jogador de futebol só enxerga a bola”.  A Cambridge nos mostrou o “campo todo”, com todas as possíveis jogadas que entrelaçam relações familiares e profissionais. Ou seja, nos obrigou a separar esses territórios, sem o que estaríamos nos concentrando apenas no que está à nossa frente, com o mesmo olhar contaminado de sempre. Houve mudanças não apenas de posições hierárquicas mas de funções dentro da empresa. E tudo sugere que, passados alguns meses da reorganização, o resultado tem sido muito promissor.

Crania: A Troiano é a empresa brasileira mais longeva voltada à gestão de marcas, com mais de 30 anos de existência. Como as marcas podem construir relações duradouras com seus clientes? E o que deve ser levado em conta pelas empresas antes de fazer um “rebranding”? 

Jaime Troiano: A magia que as marcas podem representar somente se materializa quanto certas condições sine qua non são levadas a sério.

Aqui vão elas.

Crania: Depois dos “nativos digitais”, hoje vemos a ascensão dos “nativos sustentáveis”, consumidores que levam em conta o comprometimento das marcas com o meio ambiente sem precisarem ser estimulados. Quais os desafios das empresas para não ficarem apenas no discurso ESG e oferecerem a esse mercado produtos que sejam sustentáveis e ao mesmo tempo competitivos? 

Jaime Troiano: A política internacional de qualificação das empresa obrigará todas a obedecerem os preceitos da cultura ESG ou ficarão fora do jogo. Será menos um processo consumer-driven e muito mais a natural ou impositiva aceitação das novas regras do jogo pelas empresas. Começando sempre pelas maiores e transbordando para as demais. Se tivermos que esperar a iniciativa e boa vontade dos consumidores, o tempo de espera seria muito longo. A cultura das empresas, neste caso, dirige a cultura do mercado de clientes.

É o equivalente ao efeito “cinto segurança”: o uso só se disseminou pela imposição de regras rígidas e de penalização para os desobedientes. E vamos desfazer um grande equívoco: no Brasil, dados os níveis de poder de consumo sempre reprimidos, é muito raro, muito difícil, um consumidor optar por um produto ambientalmente sustentável, quando é mais caro. E normalmente, é. 

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