Como a MSW Capital está redefinindo o Corporate Venture Capital no Brasil

(A ilustração, elaborada por Beatriz Palladino, mostra uma montagem de SP e Richard Zeiger, da MSW Capital)

Nos últimos anos, o Corporate Venture Capital (CVC) tem despontado no Brasil, atraindo grandes corporações interessadas em inovar por meio de parcerias com startups. A MSW Capital, liderada por Richard Zeiger e Moises Swirski, se destaca como uma das principais gestoras desse modelo, conectando empresas e startups por meio de investimentos estratégicos. 

(Moises Swirski, sócio da MSW Capital)

Richard Zeiger, com formação pela PUC-Rio e especializações na Universidade da Califórnia e no MIT, entrou na MSW Capital em 2008 após passagens por L’Oréal e Merrill Lynch. Hoje, a MSW é pioneira na gestão de fundos com grandes corporações, tanto multicorporativos, quanto proprietários

Atualmente, a MSW faz a gestão de quatro fundos: o BB Ventures, do Banco do Brasil, o Embraer Ventures, o BR Startups e o MultiCorp 2, fundo multi-corporativo que já conta com BB Seguros, Baterias Moura, Embraer e AgeRio como cotistas.

Em entrevista o Crania, Zeiger explora como a MSW Capital conecta corporações e startups por meio de estratégias de investimento alinhadas com os interesses corporativos e o potencial de crescimento das startups.

Crania: Como a MSW Capital identifica oportunidades de investimento que alinham os interesses estratégicos das corporações investidoras com o potencial de crescimento das startups?

Richard Zeiger: A identificação dessas oportunidades começa antes mesmo de uma corporação investir no fundo multicorporativo. Realizamos um trabalho prévio com os líderes das áreas de desenvolvimento corporativo, inovação ou novos negócios de cada corporação para entender suas prioridades de inovação. Dessa forma, conseguimos focar em buscar startups que estejam alinhadas com essas verticais de interesse. Esse processo é uma via de mão dupla: recebemos mensalmente entre 40 e 50 startups de forma orgânica e avaliamos se alguma delas se encaixa nas teses de interesse. Além disso, as próprias corporações trazem startups para que avaliemos a viabilidade de investimento. Em casos onde uma corporação recém-investida possui uma vertical específica, e nosso pipeline não possuí ainda startups aderentes, realizamos uma originação inorgânica — uma chamada para atrair startups com soluções tecnológicas voltadas para o setor dessa corporação. Na perspectiva das startups deixamos sempre claro que nosso recurso sempre vem com uma componente forte de impulso da corporação especialista e o trabalho de como explorar as sinergias antecedem o investimento.

Crania:  Quais são os principais desafios na gestão de um fundo CVC multicorporativo, e como você enxerga a evolução desse modelo de investimento no Brasil?

Zeiger: O maior desafio em um fundo multicorporativo, como o MultiCorp 2, é a complexidade de fazer os executivos das corporações perceberem que mais do que ser possível é muito benéfico para corporações estar em um fundo multitese. É preciso fazer eles olharem o fundo na perspectiva dos empreendedores que ao nos escolherem como investidores, enxergam as inúmeras oportunidades de negócios que serão geradas com os cotistas. O processo de captação de novas corporações é, portanto, desafiador, pois envolve uma mudança de perspectiva e quebra de paradigmas para que percebam o potencial de valor antes de embarcarem no ciclo de investimentos. Após essa fase inicial, quando a corporação já é investidora e participa principalmente das escolhas das investidas que quer apoiar, dos conselhos das startups e do fundo, o valor agregado se torna evidente, tanto para as startups quanto para as corporações. Quanto à evolução do modelo, vejo uma tendência para fundos multicorporativos com teses monotemáticas, onde todas as corporações investem em um setor específico, como inteligência artificial, por exemplo. Nesses casos, é mais fácil gerar um interesse comum em desenvolver soluções e aprender com as startups de um segmento específico que não necessariamente esteja imediatamente conectado a tese de inovação.

Crania:  Como sua experiência como gestor influencia a abordagem da MSW Capital na escolha e no acompanhamento das startups investidas?

Zeiger: Mais do que alinhar a escolha das startups com as teses das corporações investidoras, buscamos garantir que sejam bons negócios em primeiro lugar. Acredito que nossa competência chave seja de identificar startups lideradas por fundadores que tenham paixão pelo problema que estão resolvendo, um time com habilidades complementaree e a resiliência necessária para enfrentar os desafios de empreender. Em negócios de base tecnológica, geralmente isso significa uma equipe inicial composta por um CTO técnico e um CEO com experiência em negócios, idealmente no setor que se pretende desenvolver a solução. Avaliamos o comprometimento da equipe e a disposição para encarar uma “maratona” e não uma corrida curta. Claro, realizamos análises tradicionais como de tamanho de mercado, escalabilidade da solução, avaliações financeiras, mas sempre buscamos trazer uma lente diferenciada para o foco nas pessoas por trás do negócio, afinal de contas é como um casamento.

 

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