Está disponível no Mubi, Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues. Filmado em 1979, o filme vale pela alegoria (ainda atual) do Brasil e cenas externas que documentam as urbes de um país que já não existe. Como herdeiro tardio do cinema novo (com ares de pornô-chanchada), no que se refere a interpretação, a dissimulação reina sobre a dramaticidade.
O enredo trata de um grupo de artistas itinerantes que viaja o interior do Brasil em busca de audiência e sustentação. Comandada pelo Lorde Cigano (José Wilker), a trupe tem como estrela maior a dançarina Salomé (Betty Faria), o músico Sanhaço (Principe Nabor), e o recém recrutado casal nordestino formado por Zé da Conceição (Fábio Junior) e Das Dô (Zaira Zambelli).
À medida que a caravana atravessa o vasto e diversificado território brasileiro, eles testemunham as profundas transformações socais, culturais e econômicas, puxadas pela TV e pela transamazônica.
No final de contas, para fazer a caravana andar, o endiabrado e astuto Lorde Cigano, exige de Salomé mais que performance artística, e Brasília se revela um destino promissor.
Atual, porque não dá para ver o filme e não pensar na tribo indígena Marubo, que, com o advento da internet via Starlink, começou a ter que se preocupar com os seus acessando pornografia e grupos de fofoca. Além, também, da promessa de desenvolvimento amazônico, em Altamira, no Pará, no filme destino dos caçadores de riqueza.
A velha fome de desenvolver, que nos leva a transamazônica, nos faz, mesmo na reforma fiscal, manter incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus, promovendo perdas fiscais e gastos com logística e distribuição. Um incentivo ao custo de muitos desincentivos.
Se o progresso, como o diabo é “parte da força que eternamente deseja o mal e eternamente faz o bem”, os incentivos fiscais, na terra do farinha pouca meu pirão primeiro, fazem parte daqueles que desejam o bem, e eternamente fazem o mal. E esse Brasil não muda.



