Preços atraem consumidores para sites chineses; 90% não comprariam com aumento de imposto

O e-commerce está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa da StartSe, produzida pelo Instituto Affare, oito em cada 10 pessoas no país fazem compras online com alguma frequência. O estudo também mostra que o recente debate sobre acabar com a regra que isenta de impostos remessas internacionais com valor inferior a US$ 50 (cerca de R$ 240) pode mudar o comportamento desses compradores.

Segundo o levantamento, a maioria dos entrevistados (73%) ainda prefere comprar em sites de lojas brasileiras. Mas o e-commerce internacional vem ganhando força no Brasil, em particular no setor de bens não duráveis, como roupas e acessórios. E os consumidores são atraídos por um motivo principal: o preço.

Entre os 27% que preferem os sites estrangeiros, 62% dizem que a grande vantagem é o valor mais competitivo. O preço atraente é seguido de longe pela variedade de opções (14,5%), ofertas de desconto (12,2%), valor do frete (7,4%) e qualidade (4,1%).

Questionados sobre a intenção de comprar em sites de fora caso houvesse um aumento nos impostos, 90% dos entrevistados disseram que não comprariam mais nesses portais. O índice cai, no entanto, quando se trata de eletroeletrônicos: nesse caso, considerando um cenário com preços iguais, 70% se manteriam com os sites nacionais, enquanto 30% optariam por comprar nos internacionais.

“Os números mostram que uma mudança nas regras tem potencial de impactar sites como a Shopee, Ali Baba e Shein, que ganham espaço no Brasil com produtos mais baratos. Já quando falamos de bens de maior valor agregado, como eletrônicos, essa balança muda. Fatores como parcelamento, entrega rápida e garantia pesam a favor do e-commerce nacional. Vale destacar que, no geral, os consumidores já preferem os sites brasileiros para consumir a maior parte dos artigos adquiridos online”, diz Junior Borneli, fundador da StartSe.

Sites estrangeiros têm fatia maior do mercado de artigos para celulares

Ainda segundo a pesquisa, eletrônicos são os bens mais procurados por quem compra online — 33% dos entrevistados afirmam serem eles os mais vantajosos/preferidos de se adquirir pela internet. Nessa fatia, 80% preferem as lojas brasileiras, ante 19% que optam hoje por comprar em estrangeiras.

Essa discrepância varia em outras categorias de produtos. Entre os 17% dos entrevistados que vão à internet para comprar principalmente roupas e calçados, por exemplo, 60% escolhem sites nacionais, ante 40% que olham sites externos. Já entre os 3,7% que buscam artigos para celulares (no caso, acessórios como capas, tripés, lentes etc) a concorrência está mais apertada: 51% preferem portais brasileiros, ante 49% que compram nos demais.

Em relação ao nível de confiança ao se comprar online, o estudo mostra que a percepção geral é de segurança, com 67% das pessoas dizendo confiar no ambiente virtual. A geração entre 16 e 24 anos apresenta 75% de confiança, enquanto esse índice cai para 54% entre aqueles com mais de 59 anos.

O nível de confiança entre os homens é maior do que entre mulheres, atingindo 69%. São também os homens os que mais compram, com 51% adquirindo produtos online pelo menos uma vez por mês. Quando se trata das mulheres, esse índice cai para 47% na mesma frequência.

Amostragem

A pesquisa foi realizada por telefone entre os dias 5 e 6 de maio de 2023, e contou com uma amostra de 403 respondentes. A margem de erro é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos. Participaram brasileiros com 16 anos ou mais de todos os estados do país. Entre os respondentes, 52,8% são mulheres e 47,2%, homens. A faixa etária da amostra ficou bem dividida entre 25 a 34 anos (20,6%), 35 a 44 anos (20,9%), 45 a 59 anos (24,8%) e 60 anos ou mais (22,4%). A taxa de respondentes com idade entre 18 a 24 anos foi de 12,2%.

A pesquisa utiliza o termo “lojas da China” para se referir às plataformas internacionais com preços mais baixos, conforme a lógica do termo popular existente no Brasil. No entanto, é importante notar que algumas das lojas virtuais mais populares do país não são chinesas. A Shopee, por exemplo, é de Singapura.

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