Mercado de fertilizantes: perspectivas para 2023 e oportunidades para o Centro-Oeste

O agronegócio se destaca na economia e na pauta de exportação brasileira, com importância global na produção de alimentos. Para manter crescente sua produtividade, o setor necessita de fertilizantes, de forma que os recordes de produção agrícola brasileira ao longo dos anos também têm sido acompanhados de recordes no consumo e, consequentemente, na importação de fertilizantes, uma vez que 85% da necessidade do agronegócio brasileiro vem de fora.

Dada essa dependência, nosso mercado foi fortemente impactado pela invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, tanto pelas dificuldades econômicas infligidas à Ucrânia, quanto pelos embargos econômicos imputados à Rússia por países ligados à OTAN. Para dimensionar tal impacto, a variação crescente, desde 2015, no volume de fertilizantes importados foi interrompida no ano passado, com uma queda de 8% em relação ao ano anterior, enquanto o valor em dólares dessas importações aumentou 63,6% no mesmo período.

Com o preço recorde dos fertilizantes alcançado em 2022, a demanda dos agricultores diminuiu, causando o ajuste dos preços que ficaram mais baixos comparativamente, sinalizando que em 2023 acontecerá um maior investimento na adubação das lavouras brasileiras. Assim, espera-se que neste ano o volume de importação de fertilizantes volte a crescer e atinja novo recorde em 2024.

Essa dinâmica do mercado de fertilizantes, sua importância para o agronegócio e deste para a economia brasileira tende a potencializar uma série de mudanças. Uma delas é a retomada de novas fábricas de fertilizantes no Brasil, com o novo governo determinando que a Petrobras retome a produção desses insumos agrícolas. Outra mudança é o crescimento do mercado de insumos biológicos, em substituição aos fertilizantes minerais, sendo o Brasil líder mundial na utilização dos biológicos.

A maior produção nacional de fertilizantes e o crescimento dos biofertilizantes representa uma grande oportunidade para a economia da região Centro-Oeste. Dada a vocação da região para o agronegócio e seu papel de liderança na produção agrícola brasileira, torna-se estratégica a instalação de unidades de produção de fertilizantes minerais e biofertilizantes na região, explorando a proximidade da produção de insumos com a produção agrícola.

Este potencial de crescimento e de geração de valor representam também oportunidade para atuação das assessorias financeiras especializadas, que poderão auxiliar os players do setor na captação de recursos para financiar tais investimentos, seja em mercado bancário ou em mercado de capitais, com destaque aos Fiagro (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), que permitem captações lastreadas por CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) e CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários oriundos de imóveis rurais).

Sérgio Carlos dos Santos

Sócio da Araújo Fontes, responsável pela atuação na região Centro-Oeste a partir do escritório em Goiânia-GO.

Doutor em Ciências Contábeis pela UnB – Universidade de Brasília.

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